sexta-feira, 28 de março de 2008

Está chegando a hora

Meu trabalho musical está chegando ao amadurecimento. E vejo que 2008 é o ano que estava determinado para que essas coisas acontecessem, fruto de uma caminhada de 16 anos.


A partir de maio o meu novo CD, “Profissão Coragem”, estará nas lojas . Muitas coisas estarão desencadeando a partir desta data. Segundo minha empresária, Aparecida Machado, haverá divulgação em rádio e TV e entrarei numa rotina de shows.


Com isso, terei a oportunidade de mostrar o meu orgulho de ser policial. E, quem sabe, provocar diálogos reflexivos sobre a complexidade da atividade dos profissionais de segurança. Acho que merecemos um pouco mais de atenção por parte da sociedade. Criticar é fácil, apoiar, não.


Quero que você faça parte do êxito deste trabalho, como muitos já fazem. Não basta ter orgulho do que é nosso, temos que propagar isto. A partir da união somos fortalecidos.

quarta-feira, 26 de março de 2008

O crime não compensa


A mensagem bíblica trás nos "Dez Mandamentos" ensinamentos que devem nortear o comportamento humano. Se fossem cumpridos, viveríamos uma sociedade justa, de paz e harmonia. Contudo, na prática vemos a prevalência das atitudes más. Da cobiça, da inveja, do ódio e da corrupção dos valores éticos e morais.

As cadeias estão lotadas. Outros tantos inquilinos não estão lá, um pouco pela falta de espaço no sistema carcerário, outro, por ineficiência da lei que permite válvulas de escape a sábios advogados, que livram poderosos da prisão.

Não tenho a pretensão de mapear as causas do crime, mas é notório que nossos governantes contribuem para que ele se prolifere. Os investimentos são mal geridos e aplicados em questões menos fundamentais. A preocupação maior está em mostrar resultados que tragam benefícios eleitorais. Bilhões vão pelos ralos com projetos que têm objetivos funestos, enquanto crianças e idosos morrem em hospitais por falta de recursos. Mães desesperadas vêem seus filhos chorar e não ter o alimento para servir, entre tantas outras mazelas.

Chego a ter pena dessas pessoas que desviam recursos públicos em detrimento de pobres miseráveis, um dia serão responsabilizados por isso. “A quem muito é dado, muito também será cobrado”.

Se as pessoas controlassem seus impulsos, certamente não cometeriam crimes.

Quando alguém rouba é porque alimentou em seu coração o desejo de possuir algo, sem a paciência de esperar e conseguir por meios lícitos.

Também se livra da prática do delito quem evita as más companhias. Algumas conversas são encorajadoras, tanto para o bem, quanto para o mal.

Se quer ser bem sucedido em seus projetos, procure aproximar-se de pessoas que lhes dará essa condição, ainda que seja apenas um sorriso como incentivo a prosseguir na sua luta.

Isso não quer dizer que deva fazer acepção de pessoas. Às menos favorecidas, seja o incentivo que precisam para chegar ao seu estágio. Mas, a elas você vai apenas fornecer; não receba o que elas têm, senão, regredirá.

O crime não compensa. Outra vez digo: o crime não compensa.

Não se iluda com as coisas fáceis que vêm de forma fraudulenta. Nem com vinganças que geram mortes. Elas não restituem o que as motivou.

Só sabe o valor da liberdade quem a perdeu. Mas, um exercício é muito eficaz para que se tenha a noção do que é perder algo muito importante.

Toda vez que você cogitar em sua mente uma ação que pode trazer desdobramentos negativos, faça o seguinte: Imagine algo que goste muito. Um doce, uma pessoa, um hobby, sexo, viagem, seja o que for. Então, após imaginar isso, proponha em sua mente que ficará sem ela por um período. Pode ser por um tempo mínimo. Um ano, por exemplo. Acrescente ainda que essa decisão vai causar um mal estar em sua família e amigos. Pode inclusive sair no jornal. Pessoas que nem te conhecem irão te julgar dizendo coisas absurdas ao seu respeito. E, por causa disso, terá que conviver, confinado em um ambiente, com pessoas que nunca viu antes. Com costumes diferentes do seu. Com regras mais rígidas que as que se recusa a obedecer e com punições que podem chegar à morte. E, se ainda assim, você conseguir se livrar, restarão como conseqüência seqüelas que lhe acompanharão para o resto da sua vida, inclusive de rejeição por parte da sociedade.

Depois de refletir sobre isso, que na verdade é muito inferior ao que acontece na prática - a teoria sempre está distante dela - eu pergunto: você acha que vale a pena cometer um delito?

Ah! Outra lembrança. Nunca aja contando com a sorte. Ela é abstrata e muito rara. Aparece quando não estamos esperando, logo, quando contamos com ela, certamente falha.


PS. Esse texto está inserido no livro que estou escrevendo, com o título: Rota dos Destinos.

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segunda-feira, 24 de março de 2008

Amigo do sol, amigo da lua




Benito di Paula foi o primeiro artista que contatei. Era um sonho de adolescência. Época da minha vida em que comecei ouvir o cantor e nunca mais parei.

Depois de falar algumas vezes ao telefone com a Aparecida, sua empresária, num momento em que eu não esperava, ela transferiu a ligação para o cantor. Confesso que a emoção foi tão grande que precisei sentar para continuar a conversa.

O meu maior desejo como jornalista seria entrevista-lo, exatamente para ter o privilégio de estar com ele.

Quando iniciamos a conversa, expliquei a minha emoção, respirei fundo e expus a idéia. Disse que pretendia gravar um CD e queria sua participação, contudo, não sabia exatamente quando iria acontecer por falta de recursos financeiros. Benito foi tão categórico em afirmar que eu conseguiria os recursos que cheguei a pensar que ele me ajudaria nessa empreitada, mas ele estava usando a sua fé de acreditar nas realizações que são bem intencionadas, e que agora vejo que deu certo, consegui.

A música que cantaríamos seria “Vai Melhorar”, mas por questões de agenda e dificuldades para conciliar também a agenda do piano que ele tocaria, mudamos para “Démodé”.

Antes de mudar a música, estava um dia trafegando pela Marginal Tietê, cheio de pressa, pois tinha saído do estúdio na Zona Oeste e estava indo para a Zona Leste buscar dois músicos para gravar, quando o celular tocou. Confesso que nem parei o carro para atender, como faz a maioria das pessoas e que está errado, é infração de trânsito, por isso, não reconheci a voz inconfundível dele.

- Oi Lago, tudo bem?

- Sim, quem fala?

- É o Benito.

Na hora caiu a ficha. Estacionei o carro num posto de gasolina. Ele estava ao piano me perguntando detalhes da música. Como a bateria do celular estava acabando, avisei que retornaria a ligação em seguida. Chegando em casa liguei. Foi outra emoção. Eu e Benito ao telefone, ele tocando piano e eu, violão.

Após dois anos do primeiro contato, hoje tenho o privilégio e a satisfação em dizer que gozo da sua amizade.

O que me deixou muito feliz foi saber que o artista que admirei durante anos era digno dela. Benito é uma pessoa muito generosa. É um bom amigo... E canta muuuuito.

domingo, 23 de março de 2008

Determinação é fundamental


Em 2004 decidi que gravaria outro CD. Tinha muitas músicas e achei que não seria justo deixa-las esquecidas.

O desafio seria enorme. Agora estava sozinho e com poucos recursos. Não sabia por onde começar.

Após definir o repertório, comecei fazer contatos pela internet e descobri o Samambaia, baixista da banda de reggae Planta e Raiz. Foi por meio de seu interesse em fazer minha gravação que tudo começou.

Em seu estúdio gravamos a maioria das músicas. Lá também foram meus convidados: Jair, Benito, Dominguinhos, Patrícia Coelho e, claro, o próprio Planta e Raiz.

Aliás, aqui vale um comentário. Confesso que estava meio desantenado do que estava tocando nas rádios e por isso não conhecia o Planta. Confesso que, ao saber o sucesso que faziam, fiquei admirado pela gentileza e humildade de toda a banda. Não só me ajudaram, mas torceram por mim. Muito legal isso. O Kiko, empresário da banda, tem uma postura de irmão mais velho dos rapazes e, com isso, cria uma atmosfera favorável para o desempenho de um trabalho sério. Eles exalam um aroma agradável de profissionalismo. São do bem.

Com esse ponta pé inicial me senti encorajado a prosseguir no meu ideal. Claro que tive momentos difíceis. Tinha hora que nada parecia dar certo, mas devagarzinho as coisas foram ajeitando.

Contar com as participações de muitos artistas também contribuíram para a demora. Dependia da agenda livre deles, mas valeu à pena esperar.

Hoje, prestes a lançar esse trabalho, trago comigo a felicidade da realização e escrevo mais uma página da minha história onde a determinação foi fundamental para conseguir esse êxito. As coisas parecem fáceis aos olhos de quem vê a distância, mas depois de realizadas também a mim parecem fáceis. Mas não foram.

sábado, 22 de março de 2008

Um sonho que tournou-se realidade

O sonho de cantar a rotina policial nasceu em meu coração em 1992.


O capitão Rivaldo era o meu chefe na central de vídeo da PM5 (relações públicas) quando iniciamos nossa parceria musical. Eu o conhecia das rodas de samba que eu participava na Associação Desportiva Polícia Militar (ADPM) ou no barzinho do capitão Ernesto, na Zona Norte da cidade. Embora ele não fosse sambista, não podia ver uma reunião de pessoas fazendo um som que se aproximava. Assim, quando veio ser meu chefe, já nos conhecíamos, embora não tivéssemos amizade.


Trabalhando juntos, os momentos de tocarmos um violão no final do trabalho começaram ser freqüentes.


Em um sábado à tarde liguei para casa dele e sugeri compormos uma canção que falasse da PM, sem que fosse em ritmo de marcha.


Na segunda–feira à noite nos encontramos na Rua Afonso Pena, Nº 45, no Bom Retiro. Eu estava de férias e cuidava de um bar e restaurante que havia arrendado nesse endereço, que ficava ao lado do QCG. Ele chegou com o papel que havia escrito a letra. Sequer passou a limpo. Então, fomos para uma mesa que ficava num canto e comecei musicar a letra. Parecia já existir aquela melodia com aquela letra, tamanha a naturalidade que ela veio.


Tempos depois fizemos o “Rap da PM” e depois “Mulher Policial”.


Fui fazer um vídeo para a polícia feminina e decidi que deveria ter uma música para elas. Liguei para o meu parceiro e fiz a encomenda. Mas tinha que ser logo, por causa do prazo curto. Então ele fez de bate - pronto. Horas depois recebi sua ligação de volta. Tenho até hoje a fita gravada com a voz dele me passando a letra.


Em 1998 resolvi gravar um CD com canções que retratassem a rotina policial. Preparei o projeto, coloquei o título de todas as músicas e os temas e comecei compor as canções. Num dado momento, descobri que seria muito mais interessante se tivesse um parceiro. Logo o Rivaldo já estava comigo nessa empreitada.

Ficamos dois anos gravando o CD. Em 2000 fizemos o lançamento. Foi um sucesso. Novidade no mercado. Fomos notícia em mais de 80 órgãos de imprensa.


Com a passagem para a inatividade, meu parceiro preferiu encerrar sua participação no projeto.


Nos atentados aos EUA em 2001 fiz a canção “Busque a Paz” e me apresentei em dois eventos em homenagem aos policiais e bombeiros mortos naquele acontecimento. Dei início então a carreira solo.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Profissão Coragem
























Hoje é um dia memorável. Recebi a master do meu CD. Foram 4 anos de espera. Vou preparar alguns textos e postarei a seguir falando um pouco dessa conquista.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Resposta do Sgt Lago ao Walcyr Carrasco

De: samueldolago@uol.com.br
Para: karras
Data: 18/08/2002 11:16
Assunto:

Caro Walcyr Carrasco,

Foi com grata satisfação que recebi seu e-mail. Contudo, cabe-me esclarecer um mal-entendido. Apesar de me colocar como sendo o personagem que motivou sua crônica “Pequenos abusos”, na verdade, sou apenas um policial que – como “aquele” – também já cometeu alguns pequenos abusos. Como gosto de escrever aproveitei para dar uma possível justificativa que ele poderia dar. Nem por isso concordo com àquela atitude.

Acredito em críticas sinceras, como a sua, que visa melhorar a convivência social. Diferente de outras que apenas tem a intenção de autopromoção em detrimento de toda uma instituição séria que, como você mesmo sabe, às vezes, para cumprir seu papel vê seus integrantes sacrificando a própria vida.

Confesso que fiquei orgulhoso de sua resposta e a mostrei para todos meus companheiros do quartel (do soldado ao coronel). Principalmente, onde sou incentivado a escrever minhas memórias como policial.

Gostaria também de dizer que sou seu fã e que sempre estou lendo algum texto seu. Aliás, você escreve com muito jeito.

Receba o meu abraço. Você conquistou um amigo.

Sargento PM Lago

Repercussão da crônica do Sargento Lago

De: Erika Sallum
Para: samueldolago@uol.com.br
Data: 22/08/2002 13:59
Assunto: O DIA QUE ENCONTREI WALCYR CARRASCO, SEM SABER.

Caro Samuel,

Sou repórter de Veja São Paulo e li com atenção seu texto enviado à Redação. Escrevo para dizer que o apreciei muito. História divertida, que me prendeu até o final (mesmo em dia de fechamento da revista).

Parabéns e continue escrevendo.

abraços,
Erika Sallum

Resposta do Walcyr Carrasco ao Sgt Lago


De: karras
Para: samueldolago@uol.com.br
Cc: CARLOS MARANHAO
Data: 17/08/2002 16:01
Assunto:

CARO SAMUEL

Eu li seu e-mail e antes de mais nada quero parabenizá-lo pela resposta. Na crônica, em momento algum eu citei qualquer uma de suas características pessoais, nem algum dado que pudesse identificá-lo. Assim sendo, a coragem em se revelar merece, desde já, meus cumprimentos.

De fato, ao ler a crônica, você deve ter notado que sou bastante solidário ao trabalho da polícia. Continuo achando que falta a todos os policiais um bom plano de carreira, e que os salários são baixos, principalmente em função dos riscos que todos vocês passam diariamente.

Foi justamente por acreditar que vocês, policiais, merecem a solidariedade da população, que escrevi essa crônica. A atitude de qualquer pessoa no cotidiano, cada pequeno gesto, às vezes é mais importante para construir uma imagem do que, muitas vezes, os grandes atos. Acredito firmemente que você não teve má intenção. Mas também acredito que teria sido mais correto você ter perguntado o preço do trabalho. Certamente, o garoto teria dito que não era nada. Mas todos nós teríamos nos sentido muito melhor.

Entretanto, ninguém é perfeito. Você mesmo explicou que estava em um dia terrível. E eu sou, sim, do tipo que mete o nariz onde não é chamado. Ou então, como poderia ser escritor?

Não poderia deixar de respeitar sua atitude, ao me escrever. Foi um gesto bonito e admirável em um mundo onde a maior parte das pessoas evita admitir qualquer problema. Parabéns!

UM FORTE ABRAÇO

WALCYR CARRASCO

PS - Por falar nisso, você tem jeito pra escrever. Porque não usa algumas horas livres e escreve suas memórias como policial? Pode ser bem bacana.

O dia que encontrei Walcyr Carrasco, sem saber.

Era manhã de domingo, acho que umas sete e meia. Tinha acabado de chegar do meu plantão noturno. Aliás, uma rotina sem rotina nos últimos vinte e dois anos. Enquanto minha mulher começa a preparar um café, ainda com a cara amassada de uma noite mal dormida – é sempre assim, quando estou trabalhando não consegue dormir – sentado no sofá, começo assistir o filme das últimas 15 horas da minha vida...

...Passava das dezesseis e trinta. Ainda estava no ponto de ônibus. Morador de periferia vira e mexe tem esses contratempos. Esse atraso acabou custando uma bronca no quartel. O tenente estava azedo. Esbocei dar uma justificativa quando, manuseando sua pistola ponto 40, disse para me apressar em colocar a farda e evitar mais atrasos.

Pouco tempo depois, já estava na rua. O rádio da viatura estava impossível. O COPOM tinha mais ocorrências a serem transmitidas que patrulhas para atendê-las. Uma desinteligência aqui, um auxílio ao público ali, tudo sendo feito dentro daquele turbilhão de acontecimentos.

Às 4h30, estava com muita fome. Como finalmente tinha sido “esquecido” pelo COPOM, decidi parar numa padaria e lanchar. Para minha infelicidade, na hora que fui dar a primeira mordida no pão com salsicha que o Tiririca caprichosamente preparou, acrescentando um pouco mais de molho com pimentão, pelo rádio portátil - conhecido como HT - recebi ordens para ir rapidamente para um cortiço próximo dali. Um nordestino embriagado esfaqueou sua companheira por não lhe servir o jantar. Com muito pesar abandonei o lanche sobre o balcão e, apressadamente, me dirigi ao local. De longe, ainda ouvi o Tiririca gritar: “se você voltar, eu faço outro”, alertando-me de que outro felizardo degustaria aquele banquete.

Quando cheguei ao local da ocorrência, socorri a mulher ferida. Avisei para o colega que veio em apoio para verificar os fundos do cortiço. O agressor poderia estar lá.

No hospital, enquanto a senhora era atendida, aproveitei para tomar um antiácido. Pegava a papeleta de identificação de socorro prestado, quando apareceu o tenente. Com o mesmo mau-humor, antes de qualquer coisa, disse que meus sapatos estavam sujos. Tentei argumentar que foi devido ao excesso de atendimentos durante a noite. Saindo, e já de costas pra mim, disse: “Daqui a pouco quero que se apresente a mim com eles limpos”.

Aborrecido, cansado e com fome, fiquei imaginando onde poderia encontrar uma escova naquela hora para limpá-los. De repente, passando em frente à uma banca de jornal, vi um garoto com uma caixa de sapateiro. Sem pestanejar, dirigi-me à ele. Naquele momento, sequer passou pela minha cabeça que não era hora de um menino estar na rua. Ele representava para mim uma dor de cabeça a menos. Estendi-lhe o pé, impondo-lhe minha autoridade – aliás, são raros os momentos que tenho essa sensação – e, de imediato apareceu um senhor, desses que se intrometem em assunto alheio, vindo em defesa do garoto.

Ah... Que noite! Foi interrompido meu pensamento. Surge minha mulher, adivinhem com quê? Um pão com salsichas com muito molho e pimentões. Faminto, comia como um louco quando, de soslaio, percebi que sobre a mesa tinha uma revista. Ameacei folhá-la, mas, sem ânimo, virei apenas a contra capa que me revelou um texto do Walcir contando, sob sua ótica, uma história com o título “Pequenos abusos”.

Crônica enviada a redação da revista Veja São Paulo que encaminhou ao Walcyr Carrasco.

Pequenos abusos


CRÔNICA

Pequenos abusos

O encontro entre o policial e o
engraxate na banca de revistas

Walcyr Carrasco


Aconteceu em um sábado, à 1 da manhã. Eu havia saído com alguns amigos. Vim de carona até a frente do meu prédio, onde há uma banca de revistas. Estava aberta. Aproveitei para entrar. É uma banca grande, com caixa e máquina que preenche cheque. Espantei-me ao ver, espalhados sobre o balcão, vários montinhos de dinheiro, alguns de moedas. Troco pequeno: notas de 1, de 2 reais. O caixa contava o total. Ao lado, um engraxate. Moleque. Na idade em que já deveria estar em casa, e não solto pelas ruas do centro da cidade. Trouxera a féria do dia, em dinheiro picadinho, para trocar por notas de maior valor.

Nesse instante, um policial entrou na banca. Alto, fardado. Olhou para o garoto. Estendeu o pé, mostrando o sapato. O garoto quis explicar.

.Estou sem material para engraxar.

.Lustre – ordenou o policial.

Confesso que fiquei chocado. Ninguém é obrigado a trabalhar à 1 hora da manhã. Ainda mais de graça. Obviamente, o policial nem sequer cogitava pagar. Também, confesso, fiquei sem ação. O garoto, já acostumado à dura vida na rua, ajoelhou-se. Tirou um pano da caixa de engraxate. Lustrou ambos os sapatos. Quando ele abriu a caixa, subiu um cheiro no ar.

.É cola? – perguntou o policial.

Percebi uma acusação a caminho. Lembrei-me dos meus tempos de criança, quando havia um sapateiro perto de casa. Às vezes a sola do meu sapato soltava, e ele colava novamente. Não sou ingênuo a ponto de achar que o garoto fosse completamente inocente. Mas, segundo acredito, até qualquer prova em contrário, ninguém é culpado. Talvez, carregar cola fosse normal para um engraxate. Comentei:

.A cola pode servir para consertar uma sola solta, por exemplo.

O policial me encarou e não respondeu. Olhou o garoto, ameaçador. Decidi permanecer na banca. A vítima, ali, era o garoto. Por que motivo um policial acha que tem o direito de usufruir trabalho gratuito? Ainda mais de madrugada? Já vi isso acontecer várias vezes. É comum um policial entrar em um bar e consumir sem botar a mão no bolso. Não acho correto. E o mais interessante é que estou do lado dos policiais. São mais do que necessários, com a violência de hoje em dia. Não têm vida fácil, não. O salário é baixo. Pequeno, para o risco que correm diariamente. Uma vez conversei com um policial e ele desabafou:

.Imagine o que é sair para trabalhar todo dia sem saber se vou voltar vivo para casa.

Além de ganharem pouco, muitos escondem a profissão para não sofrer hostilidades na vizinhança. Justamente por isso sua atitude deveria ser completamente outra. É preciso que o policial seja visto como um amigo. Por todos nós. E fundamentalmente pelos mais pobres, mais carentes, que só têm a eles para recorrer. Pequenos abusos, como espichar o pé para lustrar o sapato de madrugada, levam à desconfiança. Ao medo. À perda de confiança necessária para fazer denúncias. A polícia precisa do apoio da população. Como conquistá-lo com atitudes nesse estilo?

Certamente, o pequeno engraxate estava apavorado. A presença da cola na caixa de trabalho poderia merecer uma conversa. Um encaminhamento. É possível que eu estivesse errado em sair tão prontamente em sua defesa. Mas o que havia lá era apenas ameaça. Terror.

O rapaz da banca terminou de contar o dinheiro e deu duas notas de 10 reais ao garoto. Seu faturamento no dia, provavelmente. Ele partiu. O policial saiu em seguida. Voltei para meu prédio sentindo uma grande tristeza. Enquanto continuarem os pequenos abusos, muita coisa grande vai ficar sem solução.

Publicado na Veja São Paulo – 14/8/2002

Walcyr Carrasco é autor de novelas da Globo e cronista da revista Veja São Paulo

terça-feira, 18 de março de 2008

No farol, buscando uma luz

Terça-feira, 07:17h. Saindo de casa para o trabalho, vi uma cena que me trouxe recordações durante o trajeto até chegar ao quartel.

Quando parei no primeiro farol, um garoto de uns 13 anos mais ou menos pegou três bolinhas de tênis e começou fazer malabarismos, com a intenção de ganhar alguns trocados.

O dia hoje amanheceu friozinho. Ele acusava sentir a baixa temperatura, mas estava de shorts e andava entre os carros como quem tinha acabado de acordar. Logo o farol abriu e segui minha viagem.

Imaginei a dificuldade que a família daquele garoto poderia estar passando, motivando-o estar tão cedo na rua. Isso me fez lembrar o início do ano de 1975.

Eram dias difíceis. Tínhamos acabado de chegar a São Paulo, vindos de Angra dos Reis/RJ. Pai, mãe e 14 irmãos. Fomos morar numa casa na Vila Bertioga, Zona Leste da cidade. O espaço era pequeno para tanta gente, então, uma cama teria que comportar duas pessoas. Era um festival de beliches e bi camas para todos os lados e ainda tinha que utilizar o sofá da sala para dormir.

Minha irmã mais velha tinha 20 anos e a mais nova alguns meses. Ninguém ainda tinha conseguido emprego e a renda era apenas o salário de ex-combatente da FEB que meu pai recebia.

Meu irmão mais novo (com 13 anos, idade aparente do garoto que vi), arrumou um carrinho de rolimã (muito utilizado naquela época e que caiu em desuso) e fazia entregas na feira livre do bairro.

No final do dia, além dos trocados que recebi de gorjeta, ainda trazia algumas coisas para comer. E assim, fomos superando aquelas dificuldades que, se ao lembrar dá um pouco de tristeza, também dá orgulho de saber que minha mãe sempre esteve com um sorriso carinhoso nos lábios, meu pai, apesar do silêncio, buscava soluções e todos os filhos mantiveram condutas corretas, conforme a educação que receberam.

Hoje em dia as pessoas entraram nessa onda do politicamente correto e, com isso, não têm coragem de dizer que são contrárias as distorções da nossa sociedade. Então, dizem “respeitar” quem prostitui, entre outras coisas, quando realizada como um meio de sobrevivência.

Dos 14 irmãos da família Lago, nenhum dos homens foi se utilizar de práticas ilícitas, nem as mulheres fazerem ensaios fotográficos sensuais, tão em moda, com a justificativa de que a família estava passando necessidades.

Aquele garoto na rua, ainda que sonolento, buscava entreter os também sonolentos motoristas. Foi a forma mais digna que ele encontrou para ajudar a sua família. Ou seja, alguma solução a gente sempre encontra, basta querer.

Isto não exima de culpa os responsáveis por esta situação. Mas, com fé, trabalho e honestidade dias melhores virão. Veio para a minha família, virá para a família daquele garoto.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Quer ouvir a música Profissão Coragem?

Ouça aqui: http://www.myspace.com/sgtlago

Repercussão da música PROFISSÃO CORAGEM 02

O investigador Luiz, do GOE, também dá uma moral.

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Repercussão da música PROFISSÃO CORAGEM 01

Algumas pessoas que tiveram a oportunidade de ouvir a nova música "Profissão Coragem", que também dará título ao novo CD que lançarei em maio, fizeram comentários.

Nesse vídeo o Classe Distinta Matos, da Guarda Civil Metropolitana e presidente do Sindicato dos Guardas Civis do Estado de São Paulo, demonstra a sua satisfação pelo fato de ter sido mencionado o nome dos guardas municipais.

video

Nascendo uma marca


Há anos que busco uma identidade visual para o meu trabalho. Isso não é coisa muito fácil, mas se tiver uma grana pra pagar um publicitário fica fácil.

Como o vil metal tem atendido apenas minhas necessidades básicas, não posso me dar ao luxo de fazer tal investimento.

Há anos que penso numa solução. Mas acho que encontrei, ou estou perto de encontrar.

A idéia de colocar as algemas nos "Os" de Sargento Lago era minha, mas quando o Marco Tancreda (publicitário que fez capa e encarte do meu novo CD) finalizou a arte, encaixando o título do CD "Profissão Coragem" no nome "Sargento Lago", achei tão interessante que em casa fiquei olhando, olhando e decidi fazer as divisas de sargento estilizada, e deu nisso. Gostei.

domingo, 16 de março de 2008

Cardápio desse domingo

Sabe, tem horas que a gente fica mais introspectivo, basta acontecer algo.

Me pergunto: por qual motivo pessoas investem tanto na destruição? E o pior, quase sempre fazem em prol de algo que julgam ser um bem para eles!

Bom seria se todos vivessem em harmonia. Que as diferenças ideológicas não fossem motivos para guerras. Que a exposição de idéias, ainda que contrárias as suas, servisse para um amadurecimento. E, no pior das hipóteses, que a represália fosse no mesmo viés, não com armas diferentes das quais alguém eventualmente se sentiu incomodado. Enfim, que houvesse um pouco mais de justiça entre as pessoas.

sábado, 15 de março de 2008

Pra não dizer que não tem notícia boa


Apesar de tudo, enfim, uma excelente notícia. Definitivamente, meu cd está ficando pronto.

Dessa vez foi a capa. Já está prontinha a arte. Faltam apenas 2 músicas serem ficnalizadas e ja mandarei para a reprodução. Só aguardar mais um pouquinho.

Deu zebra

Parece que a novela está longe de chegar ao seu final.

Relatei nas postagens "Atitude e Estilo, Atitude e Estilo 2, e Luz no fim do túnel" sobre a minha saga de conseguir um parceiro rapper para desenvolver um projeto que possibilite a polícia e a perifiria terem um melhor entendimento. Quando pensei que havia conseguido os parceiros, chegando a relatar a visita deles no quartel e tudo, a coisa retornou a estaca zero, Eles recuaram. O mais grave foi que desistiram por temer represálias.

Depois da explicação que o rapaz me deu, vim aqui no blog rapidamente tirar as informações que pudesem identificá-los. O negócio é sério. Eles vivem lá na periferia. Enfim... o projeto estacionou de novo.

Logo que eu tiver notícias informo.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Aconteceu na madrugada anterior


Meus dias têm sido cansativos. As atividades e compromissos a serem cumpridos estão me levando a exaustão. Acho que está na hora de tomar um “Forten” para me revitalizar.

Madrugada de quarta-feira, dia 12 (ontem). O relógio marcava 05h25min quando tocou o telefone. Confesso que não gosto de manter um aparelho no quarto. Por ser um local de repouso, por mais baixo que esteja ao tocar, sempre provoca sobressalto. Ainda sonolenta, minha mulher tateou no escuro e, ao localizar o telefone, atendeu a chamada. Era a cobrar. Também acordado, devido ao silêncio, mesmo não estando com o ouvido colado ao fone, conseguia ouvir a musiquinha. Fiquei ansioso para saber quem era. A música, que dura apenas alguns segundos, parecia durar uma eternidade. Enquanto isso, minha mente voou para todas as possibilidades de doença ou até mesmo morte de algum ente querido.

Quem estaria ligando naquele horário?

Tão logo completou chamada uma voz feminina começou a gritar do outro lado. Mais preocupado ainda, pensei: O que será que houve? Em seguida minha mulher encheu o pulmão e fez um desabafo em duas palavras: ___ ___!!!! Desligou o aparelho e disse aliviada: graças a Deus a nossa filha está no quarto dela. Era o famigerado “golpe do falso seqüestro”.

Se a ligação não conseguiu nos tirar a tranqüilidade pela tentativa de extorsão, conseguiu tirar nosso sono e antecipar o horário de levantar da cama. Isso, porque eu estava de folga e queria dormir um pouco mais e recuperar as energias, enquanto não tomo o “Forten”.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Fui notícia na faculdade que estudei


Leia abaixo a matéria de uma entrevista que concedi a estudande de jornalismo Claudia Eliane de Souza, das Faculdades Integradas Alcântara Machado - FIAM, onde estudei.

Comunicação e Arte - ( 26/02/2008 )

Militar, cantor e jornalista
Ex-aluno da Fiam trabalha na assessoria de imprensa da PM


Policial militar, Samuel do Lago cursou jornalismo na FIAM. Versátil, concilia sua vida profissional à atividade de cantor. Atualmente, trabalha na assessoria de imprensa da polícia, mas já era policial há 15 anos quando resolveu fazer jornalismo. O jornalismo era um sonho de infância que ficou em segundo plano, em decorrência de sua situação financeira. Lago vem de uma família de 14 irmãos, onde a única renda era a aposentadoria de seu pai, ex-combatente da Segunda Guerra Mundial. Herdou de seus pais o gosto pela leitura e o desejo de estar sempre aprendendo. Entrou na faculdade pela primeira vez em 1988, em Mogi das Cruzes. Na época, trabalhava na ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), então com 28 anos de idade e 8 de polícia. A faculdade não atendeu suas expectativas, fazendo com que desistisse de continuar o curso. Em 1994 entrou na FIAM, quando já estava na assessoria de imprensa da PM, atendendo jornalistas e produzindo documentários em vídeo, sempre intercalando entre os serviços administrativos e o serviço de rua. Também produzia textos para o site da PM e elaborava o jornal “Legião de Idealistas”, que tratava de assuntos corporativos e era dirigido para o público interno . Lago comentou que um fato curioso ocorrido na assessoria da PM foi quando atendeu uma ligação do jornalista Claudio Tognolli que, pouco tolerante, não entendeu que não seria possível falar com o comandante. Pouco mais tarde, Tognolli foi seu professor. Como policial não gostou da atitude do jornalista, mas como aluno admirou o professor e jornalista. E a arte imita a vida. Assim como o soldado André Matias, o zero-dois de "Tropa de Elite", Lago confessa que, apesar de seu bom relacionamento com colegas e professores, omitiu sua condição de policial temendo sofrer discriminação ou ter que debater assuntos polêmicos decorrentes de sua profissão. Se formar em jornalismo realmente foi mais que um sonho, foi uma meta da qual Lago não abriu mão, mesmo com todas as dificuldades pelas quais passou até receber o diploma. No período da faculdade trabalhava na 14ª DP em Pinheiros, estudava até às 22h30 no Morumbi e, em seguida, ia direto para o policiamento noturno. Durante o dia fazia cursos no CFAP (Centro de Formação de Aperfeiçoamento de Praças) no bairro do Tatuapé e se dedicava também aos trabalhos “que não eram poucos”. Mesmo assim o momento mais difícil foi o da conclusão, ainda estava se conformando com a morte do seu pai em 1996 e no ano da sua formatura, 1997 perdeu sua mãe. Quase desistiu, mas o incentivo dos colegas de classe - que mandaram flores com um cartão que dizia “não desista” - foi fundamental para ir até o fim. “A faculdade de jornalismo me capacitou a ter uma visão muito mais crítica dos problemas sociais. Tenho muito orgulho de ter passado pela FIAM”, diz Lago. E o nosso ex-colega, além de PM e jornalista, exerce outra atividade: a de músico. Está lançando seu terceiro CD, com canções que falam sobre a rotina policial. Ainda encontra tempo para fazer shows em São Paulo e outros estados, onde sempre se apresenta fardado. Seu site http://www.sargentolago.com.br/ traz um pouco mais de sua vida e carreira. Autor: CLAUDIA ELIANE DE SOUZA

Para ler direto no site da FIAM clique link abaixo.
http://www.fiamfaam.br/mol/ler.asp?id_news=669&cont=LerMateria

segunda-feira, 10 de março de 2008

Caminhando sem cantar

Em 1968 eu tinha apenas 8 anos, como já disse no texto “Estrela Solitária”, onde recordei que foi quando comecei torcer pelo Botafogo.

Embora esse ano me traga a infantil memória da escolha do time, ele foi marcado por tantas outras recordações nada suaves. Uma delas, talvez a mais problemática para aquela geração, foi o A.I-5.

Antes de anunciarem o Ato Institucional nº 5, aconteceu o III Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro. Nele Vandré defendia a música de sua autoria “Pra não dizer que não falei da flores”, considerada como sendo o hino da resistência ao regime militar.

Muita gente conhece a história, ou pelo menos pensa que conhece. Eu também estou entre os que acham que sabem.

Vandré foi exilado e retornou ao Brasil em 1973. A grande dúvida resiste entre saber se ele foi ou não torturado. Todos dizem que sim, ele nega.

No início dos anos 90 fui transferido para trabalhar no Quartel do Comando geral da PM paulista. Foi quando vi um senhor de cabelos grisalhos andando acelerado de um lado para o outro, intercalando com pequenos trotes e batendo palmas. Era Geraldo Vandré, ou melhor, Geraldo Pedrosa de Araújo Dias.

Em 1995 decidi participar de um concurso literário, promovido pelo jornal “O Estado de São Paulo”, sobre o tema “20 anos sem Vladimir Herzog”. Comecei escrever, mas ao final tinha acabado de fazer uma canção que homenageava Vandré.

Localizei o cantor e convidei-o para ir ao estúdio comigo, onde seria a gravação. Acompanhou-me e pareceu estar curtindo a homenagem. (foto acima)

Fiquei um tempo sem encontrar com ele até que em 2005 nos reencontramos. De lá para cá mantemos contatos freqüentes.

Quando disse a ele que aquela música que eu fiz em sua homenagem estaria no CD que lanço em Maio deste ano, foi taxativo: “Não gosto de homenagens e nem de músicas de homenagem”. Esse é o Vandré.

Sobre a sua possível loucura, acho que ele é tão louco quanto foi Bob Marley. Mas, até onde eu sei Bob Marley não foi torturado.

Ele segue caminhando, porém sem cantar. E, de preferência, sem homenagens.

domingo, 9 de março de 2008

Tardes de domingo


O tempo, como dizem, é o senhor da razão.

Após o almoço, antes que desse um soninho, peguei o violão e comecei a cantarolar alguma coisa - no silêncio da minha sala de estar - enquanto lá fora o céu escurecia e a chuva começava a cair.

Ao me ver naquele cenário, minha filha discretamente me fotografou. Depois, vendo a foto, fiquei pensando no contraste da cena com os anos anteriores, quando as tardes de domingo eram continuação das badalações que se iniciavam na sexta-feira a noite.

O tempo voa, por isso devemos ter atitudes sensatas e corretas.

Pra quem está vivendo tardes de domingo ainda muito agitadas, que as tenha com equilíbrio e moderação, para que haja tardes tranqüilas no futuro.

sábado, 8 de março de 2008

Amigo é coisa pra se guardar


Tenho travado uma amizade virtual com um colega policial do Estado de Goiás. Seu nome é Niedson. Jovem ainda, apenas 5 anos naquela corporação. Porém, muito inteligente, culto e engajado nas questões inerentes a segurança pública.

O contato se iniciou devido ao seu blog, que dá notícias sobre as polícias de todo o Brasil. Então, logo se interessou na divulgação do meu trabalho musical e, assim, fomos mantendo a relação.

O meu repentino interesse nessa atividade de escrever em blog deveu-se ao incentivo que ele me deu.

Estou fazendo a capa do CD “Profissão Coragem” e alimentava a idéia de fazer umas coisas na linha do grafite. Cheguei a ter um piloto, mas fui desencorajado por outro parceiro meu aqui de São Paulo. Contudo, não abri mão de colocar uma foto vetorizada.

Para minha grata satisfação, atendendo ao meu pedido, o amigo Niedson me presenteou com a obra abaixo.

Caso queira conhecer um pouco do talento desse policial, visite seu blog. Eu recomendo, pelo bom gosto e pelo profissionalismo com que ele trata as coisas que se propõe a fazer.

Diário do Stive

http://blog.stive.com.br/


A noite é uma criança e tem sono cedo

Toda sexta-feira faço alguma programação com a minha mulher, aliás, damos o título de "Sexta-feira romântica".

Acabamos de chegar do Bexiga, região boêmia de São Paulo. Fomos visitar um amigo de tempos que, de tanto frequentar o dos outros, resolveu ter o seu próprio bar. O amigo é o Hernesto Doset, seu bar "Lua Nova Arte e Bar".

Em parceria com Beto Batera, Hernesto apresentou o show "Dois no samba". O repertório privilegia a fina flor do samba. Cartola, Nelson Cavaquinho, Nelsom Sargento, Paulinho da Viola, João Nogueira entre tantos outros.

O local agradou, não só pelo show em si, mas pelo espaço também, então, aceitando o convite dele, decidi que será lá onde farei o show de lançamento do meu CD "Profissão Coragem", em maio.

Como a noite é uma criança e tem sono cedo, fomos e voltamos cedo, mas foi uma noite maravilhosa.

video

PS. Caso tenha interesse em saber mais sobre a casa, verifique no site: www.barluanova.com.br

quinta-feira, 6 de março de 2008

Luz no fim do túnel

Quando eu imaginava que teria que fazer parceria comigo mesmo, no projeto "Rap da Paz - Muito Mais Periferia", apareceu uma solução.

O primeiro representante da periferia que decidiu engajar no projeto foi Nelson Triunfo. Ele é o precursor do movimento hip hop no Brasil. Mas a parte dele é de dança (chamado de B Boys).

Faltavam os MCs, que são os cantores. E aí tem aquela novela toda que eu já relatei. Ninguém queria se envolver.

Confidenciei a minha dificuldade ao Nelsão e ele prometeu arrumar uma rapaziada capaz de participar e com muita qualidade.

Para a minha felicidade, hoje recebi no quartel a visita dos novos parceiros: O xxxxxx. Um grupo de seis rapazaes, com filosofia totalmente diferenciada da maioria do movimento. Eles aproveitam a batida do rap para xxxxxxxxxx, sem perder a característica da linguagem periférica.. Muito bom mesmo!!! Se quiserem conferir, vale a pena: www.xxxxxxxx.com.br

Na foto acima, dois deles: xxx(camisa azul) e xxxx(camiseta branca).

PS. Esse texto foi censurado por motivos que explico na postagem Deu Zebra

Essa já esta na data certa. A partir de agora as postagens voltam a normalidade.

Estrela Solitária


Ainda sobre o fime do Cartola, fiquei dividido entre revê-lo - uma vez que já tinha assistido no cinema - a assistir o jogo entre Corinthians e Palmeiras. Na dúvida, fiquei com um olho em cada canal.

Como Corintiano, não gostei de ver mais essa derrota do timão, porém, não me aborreço mais com os fracassos dos meus times. Afinal, além da equipe de Parque São Jorge, torço para a Ponte Preta e, antes de todos, para o Botafogo Carioca.

Eu tinha 8 anos quando comecei torcer pro Fogão. Foi em 1968, ano do Bicampeonato Carioca. Morava na cidade de Resende/RJ. Recordo-me de ter visto um rapaz enrolado em uma bandeira alvinegra. Fiz ali minha decisão.

Quando o Souza, atacante do Flamengo, comemorou o seu gol contra o Cienciano do Peru, pela Taça Libertadores, e fez alusão ao choro dos botafoguenses após a polêmica final da Taça Guanabara deste ano - que, para minha insatisfação, tive que ver o Valdívia repetir o gesto contra o Corinthians - comecei lembrar de algumas partidas que "em tese" o Botafogo foi prejudicado.

Em 27 de junho de 1971, mais de 140 mil torcedores estavam no Maracanã para assistirem a final do Campeonato Carioca entre Botafogo e Fluminense. Por ter a melhor campanha, a equipe da Estrela Solitária jogava pelo empate. O jogo estava 0x0. Porém, aos 44 minutos do segundo tempo, o árbitro José Marçal Filho deixou de marcar uma falta clara e acabou saindo o gol Tricolor.

O jogador Silveira disputou a bola no alto com o goleiro Ubirajara e fez a carga no botafoguense. O lance aconteceu na pequena área. Na sobra, Lula tocou para as redes e decretou o título para o time das Laranjeiras.

O outro jogo, que me causa mais indignação ainda, é o do Campeonato Brasileiro de 1981. Coincidência ou não, 10 anos depois.

Na semi-final, o Botafogo jogava novamente pelo empate contra o São Paulo, na capital paulista. Havia vencido o primeiro no Rio por 1x0.

Eu já morava em Sampa, mas no dia do jogo estava em Resende/RJ.

No início da tarde fui dar um passeio pela cidade e, não sei por qual motivo, me atrasei para assitir o início do jogo. Andava apressado pelo bairro dos Campos Elíseos quando ouvi muita comemoração de torcedores. Imaginei que fosse pelo início da partida. Logo depois, nova comemoração me fez ter a curiosidade de parar num bar e olhar a TV. Para a minha surpresa, com apenas 18 minutos de jogo, o placar já assinalava 2x0 para o Fogão.

Asselerei ainda mais o meu passo e pouco tempo depois estava na casa dos amigos que me hospedavam. Ainda deu tempo de ver o São Paulo diminuir, com um gol de pênalti convertido por Serginho Chulapa. No intervalo, seguranças do time paulista cercaram em tom de ameaça o árbitro Bráulio Zannoto. No segundo tempo, o São Paulo conseguiu virar a partida para 3x2. Anos após o jogo, Bráulio declarou ter sido agredido no vestiário por homens armados, e admitiu ter errado ao não paralisar o jogo ou ao menos relatar o ocorrido na súmula. A verdade é que o cara amarelou no segundo tempo do jogo e os tricolores fizeram o que quiseram em campo.

Nem quero lembrar os casos mais recentes, isso já é o bastante para aborrecer qualquer torcedor ainda que não seja fanático, como é o meu caso. E, assim, vemos nosso time ficar cada vez mais como uma Estrela solitária na hora das comemorações.

4/3/08

Se não ama, porque chama?


Hoje estive fazendo uma pesquisa sobre artistas e atletas que são ou foram militares.

O motivo do interesse ocorreu ontem, enquanto assistia no Canal Brasil ao filme "Cartola - Música para os Olhos".

Nele, foi mencionado que Nelson Cavaquinho era policial militar, da cavalaria. Inclusive relata uma história interessante em que o referido militar certa vez foi visitar o seu amigo Cartola, no Morro da Mangueira, em horário de serviço. Deixou o cavalo - talvez, comendo algum matinho perto do bar - e entrou para prosear com o compositor. A conversa foi tão animada, regada a biritas, que, lá pelas tantas, quando resolveu voltar para o quartel, não achou seu cavalo onde havia deixado. Como não conseguiu localiza-lo, foi embora a pé. Ao chegar na caserna, para sua surpresa, o quadrúpede estava lá.

Como dizia, o filme me vez ter curiosidade sobre personalidades conhecidas do público que já vistiram uma farda. Antes mesmo da pesquisa, comecei relacionar os que eu sabia. Além do Nelson Cavaquinho, que desacobri, sabia de Martinho da Vila, Nelson Sargento e Oswaldinho da Cuíca.

Numa pesquisa rápida, descobri que na Bahia tem um soldado da PM que está fazendo muito sucesso lá. É Márcio Moreno, que tem o título de "Rei do Arrocha" .

Mas, a surpresa maior estava por vir. Não sei se é novidade pra vocês, pra mim foi: Jamelão ( o intérprete de samba enredo da Mangueira) foi policial militar no Rio de Janeiro.

Lendo uma entrevista que o cantor concedeu ao repórter Julio Maria, Entrevista publicada no Jornal da Tarde (30/1/06), descobri, inclusive, que ele quer esquecer essa fase. Disse que teve muitos problemas com isso, mas lembra que ele nem saía para o serviço de rua, apenas ficava na delegacia.

Segunto Jamelão, a profissão de policial é muito ingrata, "ninguém gosta da polícia, mas na hora "H" nêgo grita "polícia, socorro!" Se não gosta, porque chama?" - Sábio Jamelão.

postado em 3/3/08

Estilo e atitude 2

Então... Recebi a resposta daquele rapper que eu havia falado. O cara é bem famoso por aqui. Como não recebi a ligação imediata conforme prometeu o seu produtor, liguei novamente. A resposta foi.... (suspense) ..... "não".

Nuca comemorei tanto um "não" como esse. Não que eu quisesse essa resposta. Claro, ela já era esperada, mas não da forma que foi dada. Primeiro, o cara teve a coragem de dizer não, o que ja foi uma evolução em relação aos casos anteriores. Segundo, ele foi bem claro na explicação do motivo pelo qual ele não iria aceitar.

Disse que o projeto era legal e que adoraria participar, mas que, pelo fato de fazer shows na periferia e quase sempre sem segurança alguma, poderia ser mal compreendido por algum fã - que leva vida em atividades duvidosas - e, com isso, ter consequências que pudessem colocar a sua segurança em risco. Então, compreendi a sua situação e fiz questão de parabenizá-lo. Para mim ele teve atitude... com muito estilo.

Como a informação de tudo que escrevi acima veio por meio de seu produtor e eu, realmente, fiquei comovido com a postura do artista, solicitei ao seu interlocutor que me colocasse em contato com o próprio para que eu pudesse agradecer a atenção e elogiar a sua postura diretamente. O Produtor pediu para eu retornar a ligação em minutos para que ele pudesse solicitar a permissão do artista para eu entrar em contato com ele. Alguns minutos depois liguei para o produtor novamente e ele me informou que o celuar do artista estava ocupado, mas que assim que desocupasse ele me daria um retorno., Mas isso não aconteceu. Cheguei a outra conclusão: Os rappers falam muito ao telefone.

2/3/08

Estilo e atitude

Estou nessa caminhada de fazer música há algum tempo. No próximo CD, que lanço em maio desse ano, terei a participação de vários artistas. Tem alguns renomados de muito sucesso, outros, também com sucesso, contudo, sem o mesmo peso no nome. Mas todos foram de uma gentileza incomum quando receberam o convite para participar do meu projeto. Alguns viraram amigos mesmo, de frequentar a casa e tudo o mais.

Recentemente tivemos a Virada Cultural aqui em São Paulo. Nela a Polícia Militar teve alguns problemas com os frequentadores de um show de rap. No dia seguinte as manchetes dos jornais evidenciaram a atuação da PM de forma negativa, como é comum nesses casos. Ouvidos, alguns rappers repetiram o velho discurso de que existe preconceito contra a periferia.

Estava trabalhando na Diretoria de Ensino quando recebi a determinação para elaborar um trabalho que possibilitasse o estreitamento das relações entre as duas partes.

Aproveitando a sugestão que um conhecido cantor de rap deu na televisão, para estarmos juntos e sem conflitos, procurei o referido e fiz a proposta para acharmos juntos a solução. Nada melhor do que eles para nos dizer o que lhes afeta e, assim, chegarmos ao entendimento, com atitudes de colaboração das duas partes. A proposta de fato foi feita ao seu assessor que se encarregou de informá-lo. Para mim estava muito claro que seria mole resolver a questão, uma vez que as duas partes estavam com interesses comum. Porém, foi inocência minha. Nem o cantor e muito menos seu assessor me deram uma resposta.

Inconformado, procurei um primo do rapper (artista também e meu amigo) para que intermediasse e explicasse melhor quais eram as intenções, mas ainda assim não quis me receber.

De repente aquela pessoa não estava interesada em ajudar, embora tivese falado num extenso programa de TV sugerindo algumas soluções superficialmente. Então, saí a procura de outro representante da periferia para que me auxiliasse nessa tarefa.

Cheguei ao nome de um conhecido poeta, que fez carreira retratando o povo da sua comunidade. Quem me sugeriu e "garantiu" que se tratava de uma pessoa arejada e que certamente deveria aceitar foi uma cineasta, que conheci quando lhe prestei uma assessoria tecnica para um filme que estava produzindo. Ela já havia me dado o número do telefone do poeta quando achou mais prudente avisá-lo que eu ligaria. Pouco tempo depois, muito constrangida, disse que não deveria ligar, sem, contudo, se estender na explicação da negativa.

Mas sou brasileiro, não desisto. Recorri a um jovem cantor de rap que eu havia dividido o palco com ele num show que fizemos para a ONG "Sou da Paz". Depois daquele evento fiquei impressionado com a sua postura serena, cantando coisas de amor e falando dos problemas sociais sem a agressividade costumeira nessas músicas e até fiquei acompanhando a sua trajetória pela internet. Liguei para ele, disse que admirava o seu trabalho e expliquei o projeto. Prontamente agradeceu o convite e se comprometeu a participar. Para minha desilusão, apesar de ligar um dia antes para confirmar o compromisso e no próprio dia para certificar se ele sabia o endereço, não apareceu. Pior, recusou-se a atender todas as ligações que eu fiz para o seu celular e um telefone fixo. Apenas respondeu meu e-mail quando, dois dias depois, escrevi dizendo meu desapontamento. Isso porque ele deve ter se sentido ofendido. Eu disse que não adiantaria ter mensagens de porotestos nas letras se no dia-a-dia a postura fosse incoerente com as mensagens. Seriam palavras vazias jogadas ao vento. Disse exatamente isso: "O estilo não é nada se não houver atitude".

Frustrado, mas sem desistir, achei o site de outro rapper. Já falei com o assessor dele que ficou de me dar uma resposta de imediato. Já se passaram 4 dias, mas como não sei qual o seu conceito de imediato, vou dar mais uma ligadinha e saber o que houve. Depois conto o desfecho.

Uma coisa eu já sei, ou melhor, estou concluindo: Se acabar a polícia também acaba o rap, pois o que os mantém em atividde é a crítica destinada a nossa corporação.

29/2/08

Decidindo

Quando criei esse blog, não tinha em mente exatamente qual era o propósito dele, mas agora ja sei.

Como adolescentes que possuem diários, acho que ter um virtual seria bom para deixar registrado algumas experiências.

Sempre que tenho alguma situação que me conduz a reflexão escrevo em algum lugar. Depois, fica esquecido e não me recordo onde coloquei. Na verdade, nem tenho mesmo interesse de rever aquele escrito. É apenas um desabafo mesmo. Penso escrevendo, ou escrevo pensando, sei lá.

O que motivou o meu retorno nesse blog foi o fato de estar vendo TV (canal Brasil - na NET) e assistir o Menescal e o Oswaldo Montenegro fazendo um som. Era Benjor, País tropical! Estava tão gostoso o som deles que imaginei.. poxa, eu deveria ter me dedicado mais a tocar violão. Sempre fui tão paixonado, porque não fui mais aplicado no aprendizado?

Pois é, esses questionamentos sempre remetem a uma série de desculpas. Se a gente der vasão a eles, começa a achar que tivemos menos chance que os demais, que somos vitimas de alguma coisa etc e tal.

Mas, não que eu queria somente, no fundo, posso sim me justificar.

Sempre fui guerreiro nos meus ideais e convicto de minhas atitudes. A minha bandeira de guerra sempre esteve hasteada quando era para defender as coisas que acredito. Trabalhei muito para isso, aliás, ainda continuo trabalhando. Sem pieguice, pq acaba parecendo, mas o pouco que acho que posso oferecer, sempre ofereci. Pouco no contexto universal, para mim era o meu muito. As vezes, com custo de sacrfícios.

Me recordo que em 1996 fui para a colônia de férias dos Cabos e Soldados em Itanhaem. Foi uma recomendção médica: "Meu filho, fique alguns dias caminhando pela areia e relaxe o máximo que você puder." Estava estressadissimo. Então, peguei algumas roupas, um gravador de mão, o violão, uma garrafa de conhaque e fui cuidar de mim.

Cheguei no final da tarde. Me condiuziram ao apartamento e passaram as orientações do local em relação a horário de silêncio, refeições etc. Tomei um banho, deitei na cama e abria garrafa de conhaque. Fui dando umas talagadas (confesso que não sou apreciador da bebida, mas, quando fui comprar, era a que o meu dinheiro poderia levar) peguei o gravador e comecei a falar. Não me recordo exatamente quanto tempo fiquei falando, apenas lembro que acordei no dia seguinte com metade da garrafa vazia, a bateria do gravador ( que estava ligado) bem fraca e uma baita dor de cabeça e sede. Então tomei um banho, abri porta do apartamento e dei de cara com a pessoa mais maravilhosa que poderia naquele momento. por uma incrívl coincidência o pai do capitão rivaldo, meu aprceiro, estava hospedado no apt da frente com sua esposa, dona Alice. Então, Sr Luiz foi meu terapeuta naqueles dias. Voltei de lá remoçado.

Bem, mas essa história toda foi porque não consigo tempo para me dedicar ao violão e a outras coisas que gostaria.

O trabalho no quartel e outras atividades que desenvolvo tem cosumido meu tempo... e isso as vezes me deixa com a sensação que o tempo passa e não estou fazendo as coisas simples que me dão tanto prazer tanto quanto as outras.... mas aí eu escrevo e me conforto....

postado originariamente em 7/11/07

Salve! Salve!


Estou migrando de outro Blog para este. Como era novo no outro, tenho pouca coisa pra transferir. então, não repare pq os assuntos de dias estarão postados como sendo num mesmo dia... depois a coisa vai mudar. Grande abraço a todos.