quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Debutando no sertão

Guerreiros do sertão
Sargento Lago com a equipe comandada pelo Tenente Fabrício
Tenente Oliveira, CMT Fundador Pel Caatinga

Confesso que o remédio que tomei para gripe contribui para que eu dormisse, caso contrário nem teria pregado os olhos, tamanha a vontade que eu estava de conhecer o sertão.

Na semana anterior fui ao Quartel do Comando Geral com a bolsa, pronto para viajar, mas não conseguiram arrumar um transporte disponível. Contudo nessa quarta-feira, dia 29/12, deu tudo certo.

Cheguei por volta das 9h00 e a minha espera já estava o tenente Oliveira, comandante fundador do Pelotão de Caatinga. Como tinha que despachar com o comandante geral, veio à capital e no retorno me daria carona.

Brincalhão, riu do meu “cantil”, que na verdade era uma garrafa térmica, verde, que comprei no supermercado, no dia anterior, e trazia pendurado ao cinto da calça, cheio de água gelada, seguindo a orientação que recebi da tenente Manuela, da Comunicação Social.

Logo que resolveu seus afazeres saímos em direção ao sertão.

No caminho veio me contando sobre como foi a criação do pelotão, a aceitação dos comandantes e autoridades do estado.

Disse que o curso foi ministrado por policiais da Bahia aqui no Sergipe. E a primeira turma formou o primeiro pelotão.

Hoje, Após três anos, o Pelotão de Caatinga da Polícia Militar de Sergipe já oferece cursos e as vagas são disputadas inclusive por policiais do BOPE do RJ.

Na medida em que avançávamos em direção ao interior do estado, fui sentindo o aumento da temperatura e com meia hora de viagem já fiz a primeira utilização do “cantil”.

No meio do caminho fizemos uma parada num quiosque e, sedento, fui a uma garrafa de água gelada, enquanto o tenente Oliveira pedia um cafezinho quente, saindo fumaça, por voltas das 10h00 e sob sol escaldante.

Cerca de uma hora e meia depois chegamos ao Pelotão de Caatinga, num vilarejo por nome de Vaca Cerrada.

Como já estava perto do horário do almoço, aceitei o convite e me alimentei com os demais companheiros de serviço.

Fui apresentado ao tenente Fabrício, subcomandante, também fundador do Pelotão de Caatinga, que ficou incumbido de levar-me ao Tenente Coronel Romeu, comandante do 4º Batalhão de Canindé, que me aguardava, e posteriormente sairíamos para o patrulhamento.

Fomos em duas viaturas. Na frente o tenente ia com dois policiais e atrás eu estava com outros dois.

Após ser gentilmente recebido pelo comandante, deixei minha mala de roupas no alojamento e seguimos para a Caatinga.

Ao sairmos da zona urbana de Canindé, percorremos cerca de vinte quilômetros na zona rural, que é onde recebe a denominação de Caatinga, devido a predominância de uma árvore do mesmo nome.

Durante o trajeto percebi que o cabo Bispo, policial veterano, moreno, com boa disposição física, ia a frente, ao lado do motorista da viatura, cantarolando baixinho canções militares utilizadas em marchas, sempre fazendo alusão aos policiais da Caatinga.

Antes mesmo de ter contato com ele, conversando com um sargento lá no pelotão, fiquei sabendo que, apesar dos seus 42 anos de idade, treina pelo menos duas vezes por semana, correndo dez quilômetros, por volta das 10h30, quando o sol está mais alto. “Quem pode o mais pode o menos”, disse-me o tenente Oliveira, durante a viagem, referindo-se ao bom condicionamento físico da sua tropa que, por treinar sob o sol do sertão, não encontra dificuldades quando a missão é na Capital, com clima mais ameno.

Paramos quando atingimos determinado ponto.

Com a gentileza e o orgulho de fazer o que faz, o tenente Fabrício trazia muitas informações sobre as características do trabalho.

Como manifestei interesse em conhecer a vegetação local, o cabo Bispo entrou comigo um pouco pra dentro da mata, enquanto os demais ficavam atentos as possíveis pessoas que poderiam trafegar por lá, e começou mostrar-me cada planta. Chapéu de frade, Macambira, Mandacaru, Chique-Chique, Mandacaru Facheiro, Pinhão, Quipá etc. O que me surpreendeu foi quando ao me mostrar uma erva denominada Cansanção, que é uma espécie de urtiga, que provoca queimação e irritação ao ter contato com a pele, conforme me explicava, esfregou a sua própria para que eu visse a reação que provocaria e, claro, em pouco tempo ficou inchada e com vergões.

Provei de algumas plantas e não gostei muito, mas notei que em condições adversas realmente contribuem para a sobrevivência dos policiais do sertão.

Parados naquele ponto estratégico, enquanto aguardávamos que pessoas passassem por lá para serem abordadas, continuei recebendo orientações.

Os policiais me falaram que a região do sertão já foi mais violenta, mas que com a criação do pelotão o índice de criminalidade havia caído em quase 80%.

Os de maior incidência eram os roubos de gado. As vítimas permaneciam caladas, pois os ladrões também são pistoleiros e, uma vez denunciados, voltavam para matar.

No final da tarde, começaram a surgir pessoas trafegando com motos, que já são apelidadas de cavalo do sertanejo. Foram feitas cerca de seis abordagens e em todas constatadas irregularidades de trânsito. Falta de utilização do capacete e de habilitação, as mais freqüentes. “Se nós formos atuar como fiscalizadores de trânsito fugiremos da nossa atividade fim. Imagine você, se na primeira tivéssemos retornado à cidade para apreensão, perderíamos muito tempo”, justificou o oficial, após liberar todos abordados.

Ao início do cair do sol, solicitei uma pose da equipe para uma foto, antes de voltarmos para a cidade.

No retorno, confesso que a minha resistência estava minada. Embora bebendo toda a minha reserva e parte da disponível na viatura, me sentia sucumbindo ao calor. Porém, com a mesma disposição do início do trabalho, o cabo Bispo vinha cantarolando uma das canções militares de sua autoria, feita aos policiais do BOPE que terminaram o curso aqui no Sergipe, na semana passada. “Caveirão, o que aqui veio fazer?/ Veio zombar de mim ou usurpar do meu brevê?/ Caveirão, uma missão eu vou te dar/ Vou te jogar dentro da caatinga, você tem que se virar/ Caveirão, volte lá pro Alemão/ Voce está confundindo a favela com o sertão/ Na suas praias os caatingueiros vão morar/Mas o calor do meu sertão você não vai agüentar...

O sol já estava totalmente escondido e a noite anunciada, quando me trouxeram de volta a base do 4º Batalhão. Agradeci individualmente a todos pela rica oportunidade de conhecer aquele trabalho e externei os meus parabéns aos nossos guerreiros, heróis do sertão.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Faca na caveira, nada na carteira

No filme Tropa de Elite tem uma fala de um soldado convencional que chamou a atenção: "Faca na caveira, nada na carteira", referindo-se ao idealismo do policial do BOPE que dedicava-se a fazer o seu trabalho sem preocupar-se em ganhar dinheiro. No caso citado a referência era feita ao dinheiro vindo da corrupção.

Tenho surpreendido as pessoas por onde pass0 pelo fato de fazer o trabalho que faço sem incentivo financeiro. Claro, deve parecer no mínimo estranho alguém dedicar-se a fazer algo em benefício de uma categoria, investindo o próprio dinheiro sem ter outra intenção que não seja a satisfação própria.

Como quase tudo que é feito tem segundas intenções, passei a minha vida sob a desconfiança de que escondia alguma, mas os anos se passaram e eu continuo na mesma caminhada.

Embora para alguns possa parecer insano, meu compartamento tem origem. Meu falecido pai, José sebastião de Souza (foto), apesar de 14 filhos, foi um pastor protestante que dedicou o seu tempo e o seu salário de militar reformado do Exército Brasileiro em prol da evangelização e das assistencias sociais.

Antes mesmo de adquirir uma casa própria, empenhou-se em comprar um terreno e construir um asilo que funciona há quase 30 anos no Vale do Paraíba, na cidade de Areias/SP.

Isso dava prazer a ele. Isso me dá prazer.

Quando não tenho o recurso, busco empréstimo para realizá-lo e às vezes conto com a ajuda de amigos na mão de obra.

Difícil é quanto tenho que convencer as pessoas que me cercam que esse investimento é tão importante pra mim quanto é para eles os bens que adquirem. Felizmente hoje não preciso dar tantas explicações.

Engana-se quem pensa que tenho algum retorno.

Escrevi esse texto porque fiquei sabendo que um oficial da PMBA ficou admirado que eu tenha pago a gravação da música que fiz pra eles, mas saber que eles ficaram felizes com a homenagem me incentiva ainda mais a continuar nessa missão. Como as pessoas que se realizam com suas aquisições, isso me deixa estado de graça.

Há quem tenha o dom de juntar dinheiro, o meu é de ser idealista.

PS. Ao final do texto descobri que também tenho sim uma intenção: a de um dia poder fazer o que faço com um patrocínio, o que me permitiria investir o meu salário em outras coisas...

sábado, 25 de dezembro de 2010

Agenda do Projeto Polícias Militares do Brasil

Estou divulgando a agenda do PPMB para permitir que os policiais dos Estados que visitarei possam saber quando estarei por lá para interagirmos.

Serão a partir desses contatos, além do contato formal com cada corporação, naturalmente, que poderei saber em detalhes cada peculiariedade.

Vale lembrar que o projeto terá como foco principal o profissional, o ser humano que exerce a atividade de segurança pública e como pano de fundo as tecnologias, armas, modalidades de policiamento, características, festas e culinária regionais etc.

Aliás, deixo aqui uma sugestão para que enviem suas curiosidades e irei descobrindo para informá-los posteriormente .

Ficarei nas capitais de cada Estado e vistarei algumas cidades do interior.

O diferencial desse documentário será a minha vivência de policial militar e de jornalista. É só aguardar para ver.



Bahia: de 15/10 a 14/12/2010



Sergipe: de 14/12 a 13/1/2011



Alagoas: de 13/1 a 12/2/2011



Pernambuco: de 22/2 a 14/3/2011



Paraíba: de 14/3 a 13/4/2011



Rio Grande do Norte: de 13/4 a 28/4/2011



Ceará: de 28/4 a 13/5/2011



Piauí: de 13/5 a 28/5/2011



Maranhão: de 28/5 a 16/6/2011



Amazonas: de 16/6 a 16/7/2011



Roraima: de 16/7/ a 15/8/2011




Rio Grande do Sul: de 31/7 a 10/8/2011




Santa Catarina: de 11/8 a 20/8/2011




Paraná: de 21/8 a 30/9/2011



Mato Grosso do Sul: de 8/9 a 15/9/2011





Mato Grosso: de 16/9 a 23/9/2012




Rondônia: de 24/9 a 27/9/2011



Acre: de 28/9 a 30/9/2011



Pará: de 1/10 a 14/10/2011




Amapá: de 15/10 a 20/10/2011




Tocantins: de 16/10 a 20/10/2011




Distrito Federal: de 21/10 a 24/10/2011




Goiás: de 24/10 a 29/10/2011




Minas Gerais: 30/10 a 5/11/2011



Espírito Santo: de 6/11 a 10/11/2011




Rio de Janeiro: de 11/11 a 23/11/2011




Chego a São Paulo com a missão cumprida no dia 24 de novembro de 2011, se Deus quiser.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Projeto Polícias Militares do Brasil

Estava em Salvador/BA quando decidi iniciar um novo projeto em minha vida. Conhecer a realidade de todas as PMs do Brasil e produzir um documentário, será o meu novo desafio. Com direito a música do Sargento Lago para homenagear especificamente cada estado.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

AFAM: solidariedade?


Ainda falarei da atuação das entidades que associam os policiais militares do Estado de São Paulo, mas hoje quero especificar apenas a Associação Fundo de Auxílio Mútuo dos Militares do Estado de São Paulo AFAM - que é a que motiva minha prioridade.

Quando entrei na corporação, em 1981, veio descontado no holerith a contribuição para o que se chamava de FAM (Fundo de Auxílio Mútuo). A sede ficava numa sala do Centro Administrativo (Panelão). Tempos depois, coincidentemente, junto a boatos de escândalo, houve a troca de nome para associação e mudaram para um prédio particular.

O carro-chefe da AFAM sempre foi o preço dos remédios mais baratos. Também, como em outras associações, a ajuda financeira para casos específicos: acidente em serviço, natalidade, funeral etc.

Também iniciou um projeto na área de ensino, promovendo cursos preparatórios de excelente qualidade. Mas, para esse caso, nem é preciso ser sócio para freqüentá-lo; mas sê-lo garante um pequeno desconto.

Com o surgimento das farmácias populares e dos remédios genéricos, começou-se a encontrar os produtos com o mesmo preço praticado na AFAM. Logo, perdeu-se seu maior diferencial.

Como recentemente vim desenvolver um projeto na cidade de Salvador/BA, por tempo indeterminado, decidi pedir desligamento do quadro de associados. Para isto, enviei um e-mail para a entidade fazendo a solicitação.

Gentilmente me ligou a funcionária Elisângela, que ficou comigo ao telefone por quase meia hora, embora estivesse fazendo uma ligação interurbana, tentando demover-me da idéia. Como eu argumentei que não iria usufruir dos benefícios por estar fora do Estado , ela passou a dizer que a minha contribuição (em torno de R$ 70,00 mensais) também serviria para ser solidário aos demais companheiros que utilizam.

Depois de muito falar, percebeu que não tinha me convencido e então disse que eu deveria enviar uma correspondência com firma reconhecida para que fosse efetivado o desligamento. Indignado, perguntei se já não bastasse como documento da minha vontade o e-mail enviado, uma vez que a maioria das grandes s empresas se utilizam desse recurso para decisões até mais importantes que aquela que tomava. Sem contar que estava sendo ratificada com aquela ligação.

Como não houve acordo, transferiu-me para falar com o chefe dela, tenente Proença, que repetiu todo o mesmo discurso e depois finalizou que era estatutário, mas que ainda assim levaria ao conhecimento da presidência e me informaria por e-mail a seguir..

Como a resposta não veio, solicitei novamente e, aí sim, fui informado nos moldes que fazem a maioria das empresas que não tem respeito ao seu cliente. Citou friamente o que está no estatuto e, em outras palavras, determinou: “cumpra-se”.

Confesso que me indignei, mas conforme o dito popular “Contra a força não há resistência”, então compete-me a obrigação de cumprir o estatudo. Todavia, como aqui em Salvador abre-se firma em um cartório e no dia seguinte deve-se ir a outro cartório para fazer o reconhecimento de asinatura, tudo isso associado ao sol escaldante da cidade e outros inconvenientes, ainda não fui providenciar o documento e por isso a AFAM continua recebendo impiedosamente meu suado dinheirinho, que ajuda garantir o emprego do nosso coronel presidente e da sua diretoria.

Não foram levados em conta os quase 30 anos de contribuição. Os R$ 25,200,00 (vinte e cinco mil e duzentos reais pagos parcelados fiel e mensalmente. Nada contou.

Dos benefícios que usufruí nesses anos, posso imaginar que não chegaram em dez por cento do contribuído. Mas a AFAM está indo muito bem. Pelo que podemos perceber tem mais receita que despesas. Inauguraram inclusive um colégio, que vai garantir mais renda para a entidade. Mas o que foi feito em benéfico dos associados nesses anos todos?

Temos a cultura do silêncio ou de falar para quem não decide nada. Afinal, quantos se dedicariam a externar a sua decepção?

Este texto é para você que é sócio refletir sobre como é gerido o seu dinheiro e o quanto você é importante para AFAM.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Música para a PM da Bahia

Hoje estive reunido com o comandante geral da PM da Bahia, Coronel Nilton Mascarenhas e o diretor do Departamento de Comunicação Social, Tenente Coronel Sérgio Luiz Baqueiro dos Santos.

Acertamos a gravação de uma música que fiz para a corporação baiana e a minha participação no show de final de ano.

Estou vibrando com as possibilidades que estão se apresentando. A identidade com a Bahia tem sido tão grande que já me declarei um "soteropaulistano".

Coronel Mascarenhas - Cmt Geral da PMBA

Ten Cel Baqueiro - Diretor do Departamento de Comunicação Social

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Projeto Bahia

Sargento Lago e Major PM Lázaro, comandante do Graer

O sonho não acaba e o ideal não morre. É por isso que aceitei o convite de um amigo para transferir-me para Salvador/BA e desenvolver alguns projetos que estão alinhados com meus ideais: a segurança pública.

Cheguei na última sexta-feira, dia 15/10, e fui calorosamente recebido por muitos amigos. A identificação foi imediata, pois a missão é a mesma, só muda o sotaque.

Estou fazendo visitas as unidades da Polícia Militar e da Polícia Civil para saber um pouco mais do trabalho dos nossos heróis baianos. Hoje, inclusive, fui numa operação na região periférica para ver de perto as incursões feitas em conjunto entre as duas polícias. A experiência está sendo bem gratificante.

Em breve postarei novidades dos projetos que iremos desenvolver.



Leia matéria publicada no site Anjos Guardiões sobre a minha chegada aqui.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O sonho não vai acabar

Acabou a campanha. O resultado das urnas mostraram que a candidatura do soldado Queiroz não foi suficientemente impactante para estimular a solidariedade dos companheiros Praças da Polícia Militar.

Contudo, durante o contato pessoal com vários policiais, a mensagem que eles transmitiram é de que exigem um representante. Que não aceitam mais serem conduzidos por quem não tem compromisso com suas reivindicações.

O soldado Queiroz cumpriu o seu papel. Teve coragem de lutar por um sonho. De trazer a reflexão os temas que são importantes e necessários para sua categoria. O resultado das urnas foi um mero detalhe. A mudança que sua candidatura propôs já foi semeada. Colher é uma questão de tempo. Basta apenas saber quem fará.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Por que eu voto no Soldado Queiroz


A decisão pelo voto é muito importante. Não dá apenas para escolher o mais simpático, o que fez a melhor promessa ou o que tem mais dinheiro pra gastar na campanha. Deve ser tomada pela vontade do candidato em fazer algo pela sociedade e, no caso dos profissionais de segurança, que o mesmo tenha comprometimento com a categoria.

A Polícia Militar do Estado de São Paulo carece há anos de um representante dos Praças. Não de um que se auto-entitule, mas que seja autêntico.

Encerrei meus trinta anos de serviço, estou há quase vinte compondo e cantando canções sobre a nossa rotina policial, mas nunca apoiei publicamente um candidato, porque nunca acreditei nos projetos dos que me pediram apoio, e isso para mim é fundamental.

Tomo essa decisão inédita nessas eleições em favor da candidatura do soldado Queiroz, por alguns motivos:

1) Ele é “sangue vermelho”, como eu.


2) Não pertence ao ninho das águias, mas dos pardais.


3) Não se assenta a mesa com os senhores, mas come das migalhas que dela caem.


4) Consegue ser uma pessoa alegre e feliz, embora seja uma vítima da nossa sociedade, entre milhares, por não ter acesso a benefícios básicos para uma vida digna.


5) Como soldado há 22 anos, conhece a necessidade dos menos graduados. Cuidando do interesse destes, naturalmente todos os demais serão contemplados.


6) Conseguiu em menos de 30 segundos, apenas dançando, conquistar centenas de milhares de simpatizantes para a polícia, o que comandantes competentes, realizando trabalhos de diminuição de índice de criminalidade, não conseguem em anos, séculos.


7) Devido a sua popularidade, as chances de vitória aumentam. Assim, enviar um soldado à Brasília, pela primeira vez, para ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados, será um grande acontecimento na história da PMESP.


8) Com status de celebridade, Queiroz faz a sua campanha em bairros pobres e ricos. Em ambos é reconhecido, tira fotos, dá autógrafos e pedem que ele dance. É a ocasião que tem aproveitado para mostrar que não entrou nesse pleito para brincar, mas com propósitos sérios.


9) Sua campanha decolou e o seu nome apareceu em primeiro lugar na intenção de votos, numa pesquisa extraoficial, realizada pelo Twitter, deixando para trás nomes famosos. Veja AQUI.


10) Minha decisão em favor do Queiroz, sobretudo é um voto de protesto. Com ele estarei dizendo para a minoria dominante na nossa corporação que não aceito mais ver sempre as mesmas pessoas, nos mesmos lugares, com as mesmas posturas, e a situação piorando ao longo dos anos, sem que alguém tome alguma providência em nosso favor.


Os Praças precisam dar o brado de protesto em busca da sua vitória, nessas eleições ele se chama Queiroz Periquita, Deputado Federal 2042.
Se tiver interesse em saber mais sobre o Soldado Queiroz, visite seu blog: www.soldadoqueiroz.blogspot.com

domingo, 22 de agosto de 2010

Carta aberta a Geraldo Vandré

Prezado amigo Geraldo Vandré,

Devo confessar que estou com saudades do amigo e lamento a escassez de oportunidade para dividirmos o convívio. Contudo, não é esse o motivo dessa mensagem.

Após a sua aparição no meu show do Bixiga, tenho sido procurado, com frequência, para falar sobre a nossa amizade, o que não recuso. Acredito que não se incomoda que saibam dela, pois deu mostras carinhosas públicas em diversas ocasiões, inclusive no show citado.

Porém, embora tenha feito uma vez, a postura que adotei com jornalistas e alunos de faculdade que têm a sua brilhante carreira como tema é a de não me expressar sobre você, pois, se fosse do seu interesse, não haveria ninguém melhor do que você mesmo para fazê-lo.

Fui procurado recentemente pela jornalista Nina Lemos, da revista Trip, que conseguira o número do meu telefone com uma terceira pessoa que havia me entrevistado para usar em laboratório de um filme policial e, durante a conversa, confessara que o vira no meu show.

A jornalista, após apresentar-se e dizer como chegou até mim, ouviu a minha afirmativa de que não concedia entrevistas sobre Geraldo Vandré, pelos motivos já expostos. Disse: “Se ele quisesse notícias sobre si, o próprio falaria”. Entretanto, disse também que de fato éramos amigos e não gostaria de uma “entrevista do Sargento Lago falando do Geraldo Vandré”, mesmo porque, já que você não costuma conceder entrevistas, ia vir um batalhão de pessoas a minha procura para repetir incansavelmente as mesmas coisas.

A moça pareceu entender a minha solicitação, mas o conteúdo da Trip 191 (agosto 2010) não confirmou isso. Ela não só escreveu tudo que queria, mas também, à revelia da minha vontade, abriu aspas para expressar algumas palavras que de fato falei, mas cuja publicação não autorizei. Serviria apenas de subsídio para a sua matéria.

Ao longo dos anos, aprendi a conviver com muitas pessoas. Conquistei muitas amizades. Várias delas com artistas renomados, como você. Mas sempre as respeitei. Todas elas. Desde o percussionista que mora na comunidade e que conheci na noite, prestigiando os shows desses amigos, até os célebres. Porém, uma coisa ainda não aprendi, e tenho certeza de que nunca aprenderei: conviver com a falha de caráter. Entristece-me saber que há esse tipo de gente em nosso meio que, a despeito de uma situação, lança seus valores no ralo.

Como policial, aprendi identificar fontes e, como jornalista, respeitá-las; sobretudo preservá-las.

Embora nunca me tenha proibido de falar sobre a nossa amizade, quero deixar registrada aqui a minha indignação, para que futuros interessados em notícias suas saibam que dignidade e respeito ao próximo são bens indisponíveis, mesmo que seja para garantir um emprego.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Dignidade, respeito e honra

Acabo de assistir o filme "O Retorno de um Herói", que relata uma história real, sobre a morte do jovem fuzileiro naval americano Chance Phelps, no Iraque, em 2004.

É um filme emocionante, recomendo.

Uma fala em especial chamou a minha atenção, quando o coronel, voluntário para escoltar o corpo do herói até a sua cidade de origem, disse aos seus familiares: "Antes de qualquer coisa, gostaria que soubessem que, ao longo da viagem, Chance foi tratado com dignidade, respeito e honra".

O comandante se referia ao aparato que foi dispensado aos restos mortais, desde o banho, cuidado com seus pertences, até a posição em que deveria estar o corpo. E também as manifestações de solidariedade da população com a morte daquele jovem militar.

Lembrei-me que certa vez, nos anos 90, também tive uma missão parecida.

Era por volta das 21h45, de um dia rotineiro como outro. Fazia a preleção para o meu pelotão, antes de iniciarmos o serviço de policiamento no bairro de Pinheiros. De repente, ouvimos o COPOM informar uma troca de tiros próximo ao Largo de Pinheiros, com um policial que estava finalizando o seu turno.

Chegamos rapidamente ao local. O PM estava caído ao chão, ferido. Foi, inclusive, socorrido pela minha viatura ao Hospital das Clínicas.

Permanecemos no HC acompanhando a sua situação, mas no início da madrugada veio a notícia: ele havia falecido.

Também foi minha a missão de anunciar a fatalidade aos seus familiares.

O dia começava a amanhecer quando, entre os latidos dos cães, sua irmã atendeu as palmas que anunciavam nossa presença, numa casa humilde de um bairro pobre da zona sul da cidade.

O filme que acabei de assistir me fez lembrar esse episódio dolorido da minha carreira, mas o que lamento é que não pude, e ainda hoje não se pode dizer aos familiares dos policiais: O policial militar é tratado com dignidade, respeito e honra.