quarta-feira, 24 de maio de 2017

Os ensinos de Belém


 Há quase três meses não escrevo. Exatamente o período em que deixei São Paulo para percorrer o Nordeste, até chegar ao Norte. Precisamente a Belém, no Pará.

Envolto por tantas novas imagens que surgiam a minha frente a cada momento, dediquei-me aos registros em foto e vídeo. Todavia, na capital de todos paraenses, fui impelido às escritas.

Em razão da contenção de despesas, recorri inicialmente à hospedagem no quartel. Como sempre, fui muito bem tratado e alvo das atenções de todos, em razão da curiosidade do trabalho que realizo conhecendo as polícias militares do Brasil. Confesso que minha carência de atenção fica preenchida nessas ocasiões, motivo pelo qual sempre necessito, no momento seguinte, de um retiro, solitariamente confabulando com os meus pensamentos. Por isso decidi que, após três dias, era hora de procurar um hotel.

Não foram três dias, mas quase três meses de minha viagem, durante os quais fiquei em ambientes militares. Finalmente, optei pelo hotel que havia me hospedado há seis anos, quando aqui estive. Juntei minhas coisas, sempre espalhadas por onde passo, que, por representarem unidade especializada, chamavam mais a atenção dos meus anfitriões, e segui para o endereço no centro de Belém.

Havia esquecido que teria de subir dois andares, com quatro lances de escada, sob calor intenso e muita bagagem para arrastar. Todavia estava feliz pelo retiro, que durou pouco.

O cheiro forte de cigarro; o chuveiro - que parecia um chafariz entorpecido, que molhava todo o banheiro, mas se esquivava de cair sobre minha cabeça- e o wi-fi prometido que nem sequer aceitava a senha anunciada pela recepção, foram suficientes para me arrepender de ter saído de onde vim. Em razão do anoitecer que se pronunciava, resolvi ir ao sacrifício. Sim, sentia-me nessa condição.

Logo que amanheceu, saí à rua com alguns endereços de hotéis e fui verificar in loco. Andei muito. A camiseta ficou encharcada. Nos dois primeiros endereços, escolhidos por serem os melhores para o orçamento que dispunha, nem sequer entrei nos hotéis, pela localização. “Aqui é trash!” Informou-me uma pessoa ao consultá-la.

Depois de muito andar, decidi falar com uma dupla de policiais que fazia o policiamento ostensivo a pé. E dessa conversa cheguei a um hotel na avenida Presidente Vargas. Gostei, busquei as malas e aqui estou. A surpresa é que com apenas dez reais a mais eu tenho um serviço muito superior ao que tinha no outro. Ar-condicionado e internet funcionam, sem odor inconveniente, de qualquer natureza, e com elevador. Com o plus de uma melhor localização.

Perto do almoço, descobri que numa rua lateral havia um bom restaurante. Quase sempre sou levado à economia, em razão das altas despesas que uma viagem produz, mas também não economizo quando estou com a autoestima abalada. Assim se deu a confluência de nossos interesses. Tudo agradável além de uma ótima comida. O preço nem era tão fora da realidade.

Da minha mesa, enquanto degustava um drink antes da refeição, fiquei a observar as pessoas. E, entretido em pensamentos de como seria o viver de cada um naquela cidade, decidi que era hora de comer. Havia lido na internet que o salmão grelhado era um atrativo à parte, por isso fui compelido a experimentá-lo.

Quando retornei com meu prato e iniciei a refeição, não sei por qual motivo, meu olhar foi conduzido para o lado de fora do restaurante. Minha mesa tinha uma posição privilegiada e podia observar tudo lá fora. Vi que do outro lado da rua, sentada na calçada, uma mulher, aparentando uns vinte e poucos anos, magra e com semblante parecido aos usuários de drogas que perambulam pela cidade, se alimentava com uma quentinha. Pensei em fazer uma imagem mostrando esse contraponto do local em que estava, com ar-condicionado, e aquela mulher, no calor e naquela situação desfavorável. Mas confesso que meu apetite não me permitia interromper a refeição. De fato aquele salmão era maravilhoso. Todavia fiquei trocando olhares com a cena da mulher, e sua quentinha, e o meu salmão. Quando finalizei meu almoço, crente de que teria tempo de fazer a imagem, ela amassava o alumínio. Na olhada seguinte, já havia desaparecido.

Retornei rapidamente ao hotel buscando acolhimento no ar-condicionado e me pus a escrever. Senti apossar de mim a sensação de um privilégio, desta dádiva de se apoderar do momento e tatuar na alma o semelhante muito além de sua imagem. O humano com suas lições de eternidade.

Num tempo em que a selfie é quase uma obrigação e o registro do instante, ostentação, voltei às letras e captei o átimo pungente e gratificante. A dor com que aquela mulher digeriu o meu salmão em minhas entranhas ofertou-me uma compreensão do meu mundo que eu não esperava até então: as diferenças são grandes e convivem lado a lado. O que é pobre, o que é rico depende da forma com que queremos olhar para o tudo. Foi assim que percebi que naquele quentinha cabe o mundo, porque aqueceu meu coração.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Rio Grande do Norte - O RETORNO

PARAÍBA O retorno

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Conheça o 1º Batalhão da PM da Paraíba

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Sargento Lago atende ocorrência na Paraíba

Foi em João Pessoa. No deslocamento do Centro de Educação da PM, no bairro de Mangabeira, para o 1 Batalhão, no Centro, houve a solicitação de uma senhora desesperada. Assista até o final e veja a forma que ela encontrou para expressar a sua gratidão. 


domingo, 16 de abril de 2017

Alagoas - O retorno

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Bom humor a serviço da PM de Alagoas

quarta-feira, 12 de abril de 2017

A viagem pelas PMs do Brasil


PM de Sergipe - O retorno

segunda-feira, 13 de março de 2017

VIAJAR é PRECISO

Olá, pessoal. Estou iniciando uma nova viagem a partir do dia 16/3 e postei um vídeo no meu canal do Youtube para falar sobre esse novo projeto.








sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Não é a negra, nem a mulher. É Helena.

Foto: Luis Blanco
Não é a negra, nem a mulher. É Helena.

Helena tem a doçura da canção Acalanto, que seu ídolo Chico Buarque compôs para ninar a filha dele de igual nome. Porém, ao contrário da sugestão da letra de que “não vale a pena despertar”, a menina Helena dos Santos Reis, nascida e criada na zona rural de São José do Rio Preto, onde a diversão com seus cinco irmãos era a interação permanente com a natureza, despertou aos dezoito anos para ingressar na Polícia Militar do Estado de São Paulo  e fazer história.
Chegou ao posto máximo da carreira, e aos 47 anos a coronel Helena acaba de ser designada pelo governador Geraldo Alckmin para ocupar a chefia da Casa Militar e a coordenação estadual da Defesa Civil.
A Casa Militar, além do prédio do Palácio dos Bandeirantes, também é responsável pela segurança do governador e das demais autoridades.
A Coordenadoria Estadual da Defesa Civil atua incentivando a prevenção e fomentando a estruturação da Defesa Civil, apoiando os municípios em caso de desastres e calamidades quando extrapole a sua ação e reação.
A coronel Helena disse que tem metas ambiciosas de melhorar principalmente o aspecto preventivo. Para isso, já começou percorrer o estado proferindo palestras e incentivando os municípios a estruturarem suas defesas civis.
Por ser a primeira negra a ocupar o cargo de chefe da Casa Militar, numa função que existe há quase um século,  pode parecer, em tempos inclusivos, que a indicação foi meramente política; entretanto, ao conversar com a oficial, também fica patente o seu potencial intelectual e notável conhecimento acadêmico. O doutorado em ciências policiais de segurança pública e a experiência profissional adquirida em patrulhamentos de rua, atuando em áreas de degradação social, como a Cracolândia, lhe forjaram para exercer a chefia a que acaba de ser nomeada.


Foto: Sargento Lago
Não se esquiva de responder sobre questões polêmicas. Sobre racismo e preconceito de gênero na profissão, disse que a disciplina militar ajuda evitar que haja preconceito aberto, porque existe a consequência disciplinar. Acrescenta que sempre busca fazer um algo a mais, por saber da desconfiança que paira sobre as mulheres, mas lamenta o fato de que em 2017 negros e mulheres brasileiros ainda tenham que celebrar a nomeação de um cargo da relevância.
Helena é favorável à redução da maioridade penal pelo efeito que gera o medo da punição, contudo acredita que não é uma solução mágica, e enfatiza a necessidade da aplicação efetiva das penas. Por si só, segundo ela, a redução da criminalidade não vai ter o efeito que a sociedade pensa, todavia é uma forma de acabar com essa sensação de impunidade entre os adolescentes cooptados pelo crime, desde que a medida venha acompanhada da garantia de uma série de direitos civis e discernimento.
Também é favorável ao ciclo completo da PM, da prisão à condução do inquérito, para acelerar o trabalho e não desperdiçar tempo.
“O Brasil é um dos únicos países do mundo que mantêm essa separação entre uma polícia administrativa e outra judiciária. Os Estados Unidos têm a polícia municipal, do condado, estadual e federal. Todas com ciclo completo”, afirma.
Um drama surpreendeu sua família em 2001 quando seu irmão, sargento da PM, foi assassinado 16 dias antes de se casar. Ele voltava para casa, após sair do trabalho. Apesar da dor causada que faz Helena lembrar do irmão todos os dias, ainda assim não alimentou o desejo de vingança e da justiça com as próprias mãos. Busca entender a situação para não morrer espiritualmente, “porque a mágoa envenena”, disse.
Mas não se enganem com a doçura de Helena em seu 1,60, voz tranquila e semblante dócil. Ao transpor barreiras profissionais e chegar ao posto máximo da carreira, participando de um grupo seleto, tão cobiçado por todos e conquistado por uma minoria, que a conduziu à indicação do cargo de secretária de estado, aprendeu fazer uso da energia se for preciso, para que a lei seja cumprida.  
Restou a certeza de que o governador do estado confiou a sua segurança não a uma negra nem para uma mulher, mas à Helena.


Segurança Pública: Nós temos a solução para tudo



Criticamos o corte de cabelo alheio com um “não sei se ficou bom”, quando não falamos cruelmente “do outro jeito estava melhor”. As decisões dos amigos, a demora na fila do banco, os gostos, as atitudes, as opções e orientações das pessoas, para quase tudo temos uma opinião formada.

Não estudamos medicina; contudo, se a mídia divulga com alguma frequência o drama de determinado paciente, no momento seguinte, já começamos opinar se devem ou não tirá-lo do coma induzido. No futebol, o gol perdido “até a minha avó faria”. O final da novela sempre seria melhor se fosse seguido o roteiro que imaginamos. Ignorando a distinção da linguagem, sempre achamos que “o livro é muito melhor que o filme”. Em acidentes aéreos, decoramos os termos mais utilizados e reproduzimos como se especialistas fôssemos: “O problema foi o transponder desligado”.

Agora, quando o assunto é segurança pública, aí sim, falamos com mais propriedade porque desse assunto entendemos. Mesmo que a minha graduação seja em gastronomia e tenha perdido mais tempo em degustação de cervejas no boteco ao lado da faculdade, terei sempre uma opinião “embasada” para apontar as falhas nesse complexo sistema de segurança pública do país.

A paralisação dos policiais militares do Espírito Santo, infelizmente, veio para desmitificar todas as opiniões que temos formadas sobre tudo. As soluções fáceis que arrumamos para cada novo tiroteio no Rio de janeiro ou chacina em São Paulo mostra que, ao longo dos anos, nos iludimos. A nossa sociedade não pode prescindir dessa polícia que aí está. Neste momento, é isso que merecemos.

Teríamos provado ao contrário se não houvéssemos saqueado as lojas, saído às ruas assaltando e matando e mantido a população prisioneira dentro de sua própria casa.

Outra coisa, ainda que muitas críticas sejam cabíveis, a ignorância popular não permitiu que se observasse que o soldado é o menos responsável pelos problemas na segurança. Ao contrário, também é vítima dela. A máxima é esta, soldado debilitado é igual a sociedade fragilizada. Esse episódio do Espírito Santo é uma comprovação disso.

Pois é, nós temos a solução para tudo, porém somente iremos viver como cidadãos evoluídos quando começarmos a tê-las para nossas próprias arrogâncias e também humildade suficiente para, em vez de de vociferar soluções fenomenais, unir forças para encontrar, de forma bem intencionada, uma maneira de construir um país mais justo.

*Publicado originariamente na coluna do Sargento Lago no Portal Stive, de Brasília.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Quer ganhar o livro Papa Mike?

Clique na foto e participe do sorteio pelo Facebook


sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A esperança que me conduz

Foto: SlidePlayer.com.br

A esperança que me conduz

O mundo em que vivemos está à beira do caos. A situação está insustentável. Existe pressão em todos os lados. A sociedade sente o colapso iminente, e a população, pânico. As notícias dão conta de que o pessimismo já não é apenas uma decisão precipitada de antever a barafunda, mas a própria constatação de que ela chegou. No Brasil, a crise do sistema carcerário soma-se à crise econômica, política e moral e prenunciam uma nova Babel irreconciliável.

Todavia, propagar simplesmente a ideia do caos não nos conduzirá a lugar algum diferente do fracasso. É sob esta nuvem densa e escura que temos que enxergar a solução para o problema. Não faz parte da solução quem, além de comemorar uma nova tragédia, exibe como troféu as mazelas que nos diminuem perante a sociedade mundial, propagando em redes sociais a nossa incompetência de construir um mundo melhor para nós e nossos descendentes.

É importante gritar aos quatro ventos que todos nós somos responsáveis pela mudança. Mesmo que alguém recuse cumprir com a sua obrigação social, ainda assim não poderá se esquivar das consequências.

Essa guerra que está acontecendo nos presídios expõe a falência do sistema penitenciário brasileiro, que não cumpre os interesses da Lei de Execução Penal e, mais que isso, nos faz vítimas dela. De uma forma ou de outra, todos sofreremos suas consequências. Sem querer falar mais do mesmo, em vez de criarmos sensacionalismos com imagens tenebrosas, podemos refletir que esses corpos mutilados sendo compartilhados refletem a nossa própria cabeça desconectada do corpo, incapaz de raciocinar, impedindo que busquemos uma solução. Pior, que deixemos de ser parte do problema.

Quanto mais houver presos mortos, mais vagas serão abertas e preenchidas abruptamente por criminosos inexperientes e mais cruéis. 

Por que penso assim? Simples: primeiro, porque nada de consistente está sendo feito para diminuir a criminalidade do país; segundo, se as pessoas de bem, muitas religiosas, já conseguem comemorar a morte de humanos, engrossando o refrão de que “bandido bom é bandido morto”, imaginem como não está o ânimo desses novos bandidos que a nossa sociedade produz a cada dia? Porque não podemos esquecer que os bandidos saem da nossa sociedade, não vêm de Marte.


Achar que a morte de todos encarcerados erradica o crime do país é o mesmo que imaginar que se pode extinguir a doença matando o doente.

O que alimenta nossa esperança é que o país já está sendo passado a limpo com a “operação Lava Jato” e poderosos criminosos sendo responsabilizados. Mas é apenas o começo. Precisamos de muitas outras ações que vão permitir que esse trem descarrilado retome o seu rumo. Reformas no judiciário, educação, política, saúde, segurança, entre tantas outras, devem ser priorizadas. Também devemos conscientizar nossas crianças das ações corretas, dando bons exemplos.

Nesse momento de turbulência por que passa o país, em vez de propagar o Armagedon, é mais produtivo buscar a sapiência do líder sul-africano e prêmio Nobel da Paz Nelson Mandela: “devemos promover a coragem onde há medo, promover o acordo onde existe conflito e inspirar esperança onde há desespero”.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Lições do cabo Zizi


Izidoro era negro, esguio, cerca de 1.87 e tão dócil, que era carinhosamente chamado por todos de Zizi.

Trabalhamos juntos nos anos oitenta, na Primeira Companhia do Décimo Sexto Batalhão, em Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo.

Eu, recém-chegado; ele, veterano. Meus olhares curiosos e inseguros sempre encontravam nele uma resposta apaziguadora e serena para as minhas incertezas. Quando meu tio, sargento Lago, não estava por perto, era Zizi quem me orientava.

Estivemos algumas vezes na mesma viatura. Após cada ação profissional, explicava-me os procedimentos didaticamente. No meu enfado de recruta, quase sempre com pressa de ter as rédeas das minhas vontades, eu ainda não compreendia tanto zelo daquele negro bonachão. Sem eu perceber, aquele valoroso homem estava entrando em minha vida para sempre e deixando lições das quais jamais me esqueceria.

Na minha formatura de cabo, surpreendeu-me. Entre as pessoas que me parabenizavam, lá estava ele, elegantemente fardado, e, junto com o fraternal abraço, proferiu palavras apenas ditas por quem tem orgulho da profissão.

Ao apresentar-lhe uma prima, acompanhada do esposo, elegantemente se curvou e beijou-lhe a mão, numa reverência aristocrática. Causavam espanto e enlevo tanta nobreza num ser aparentemente rude e a grandeza que se extraía de gestos singelos espontaneamente dedicados.

E assim meu mentor tirava diariamente da cartola lições da vida e preparava-me para uma iniciação em vários campos da arte de viver: política, religião, arte… Ao me afastar do limbo da rotina, possibilitava reflexões, conferia-me autonomia para avaliar cada passo de minha vida, ao que hoje sou muito grato.

Certa vez, cheguei ao Serviço de Dia com a papeleta de uma ocorrência de latrocínio, à qual eu havia acabado de atender, e, ao narrar a ele os fatos, orientou-me: “Acenda uma vela para o seu anjo da guarda, porque ele te livrou da morte hoje”. Sua advertência me trouxe à memória o quanto nós policiais temos a necessidade da gratidão divina, diariamente, coisa que o empoderamento, do qual nos revestimos quando desafiamos o perigo, nos faz infelizmente esquecer.

Sua condição boêmia, no entanto, emprestava-lhe um status na caserna que não combinava com a sua elegância imperial. “Quem gosta de música é gente de bem, tenente”, respondeu certa vez com olhar triste, ao ser inquirido por mais um atraso ao serviço. Chega dar saudades desse tempo em que a maioria dos policiais em desalinho tinha apenas a bebida e o cigarro como vício.

As biritas nos botecos da Vila Madalena e as madrugadas na Escola de Samba Tom Maior, sua paixão, vez e outra lhe deixava em maus lençóis com o oficial. Todavia, em que pese um ou outro atraso, sempre fora muito profissional.

Recordo com nostalgia as muitas lições do Cabo Zizi, que aposentou pouco tempo depois que me transferi da unidade e fui trabalhar na Rota.

Nas muitas confraternizações de final de ano, estive em dezembro com os veteranos daquela época. Uma das faltas que mais senti foi a de Zizi, que morreu pouco tempo depois de passar para a inatividade policial. Tristeza maior é perceber que homens daquela estirpe estão cada vez mais raros na sociedade. Sem referências, todos padecem.

*Texto publicado originariamente na coluna do Sargento Lago no Portal Stive, de Brasília.