domingo, 29 de junho de 2008

Por que eu canto?



Desde pequeno fui criado num convívio musical. Meu pai era saxofonista amador, mas seu amor pela música acabou nos alcançando também. Como autodidata me iniciei no violão e depois no cavaquinho. Logo percebi que também queria fazer as minhas músicas, e assim descobri que tinha o dom para tal.

Em 1996 gravei um CD. Todas as composições eram de minha autoria. Eram canções que falavam de amor, basicamente. Porém, por falta de oportunidade para divulgar o trabalho, sequer mandei fazer as cópias. Guardo comigo até hoje a matriz que não foi reproduzida.

Em 1997, quando trabalhava no policiamento, comecei observar que não existiam canções que retratassem a rotina policial senão para depreciar os profissionais responsáveis por esse trabalho. Então decidi mudar esse quadro. Gravaria um CD só com músicas sobre o tema.

Enquanto projetava esse trabalho, descobri que seria muito bom ter um parceiro. Então a escolha de um não foi difícil, já que anteriormente o Capitão Rivaldo já tinha sido meu parceiro em algumas canções. Falei com ele que aceitou de imediato.

O resultado foi o lançamento do CD “De Polícia”, em 2000, que teve uma repercussão muito boa na mídia e nos quartéis. Foram vendidos cerca de 5 mil CDs, de forma artesanal.

Com a passagem para a reserva, meu parceiro decidiu priorizar outros projetos, então segui o meu caminho.

O que me move lançar o próximo CD, que se arrasta numa novela de quase 4 anos, são as mensagens que recebo quase que diariamente para continuar nessa caminhada de apoio aos policiais, através da música. Algumas estão aqui no blog em depoimentos.

O meio artístico é muito difícil. As lições de comprometimento, lealdade e disciplina que aprendi no quartel nem sempre são aplicadas no show business. Logo, o que foi acertado numa reunião cheia de boas intenções, não vale nada no dia seguinte.

O lado bom da minha experiência artística é que a exerço por objetivos idealizados. Essa é a minha satisfação. O meu sustento não depende dessa atividade. Porém, não posso bancar esse ideal. Por isso a busca por parcerias, que felizmente tem surgido.

Já tenho a nova data para lançar o “Profissão Coragem”. Mas aviso apenas no dia em que chegar as caixas de CD, direto da Zona Franca de Manaus.

Como policial sirvo a sociedade. Como músico, aos policiais.

sábado, 28 de junho de 2008

Buscando o sucesso



Certa vez ouvi dizer: “Sucesso é o encontro da capacidade com a oportunidade”. Passei a acreditar nisso. Embora para algumas pessoas tenha bastado apenas a oportunidade.

Conversando com um amigo do interior de São Paulo, via MSN, ex-companheiro de patrulhamento na ROTAC, ouvi suas reclamações: “Fico o dia inteiro pensando em uma forma pra acertar a vida, mas não tenho encontrado”. Honesto e trabalhador, meu amigo se referia a idéias que pudessem render-lhe um bom dinheiro, como a que viu na TV onde colocaram poemas no papel higiênico.

Costumam atribuir sucesso a quem consegue amealhar uma boa importância com o que faz, porém terá uma vida pródiga em satisfação quem descobre que as pequenas coisas realizadas, independente do retorno financeiro, são sinônimos de vitória.

Outro conceito errado é o de buscar a confirmação da sua conquista por meio do feedback do público. Para ser bem sucedido não é necessariamente preciso ter reconhecimento das pessoas. O que vale é a sua consciência de que está fazendo uma coisa que te dá prazer. Se alguém te aplaudir por isso, ótimo, caso contrário, você já conseguiu o seu intento, que é proporcionar-lhe a satisfação de fazer o que faz.

O sucesso é saboroso e todos desejam conquistá-lo. O melhor a fazer é ter desejo e prazer nas realizações, assim, se vier, o sucesso será conseqüência.


quinta-feira, 26 de junho de 2008

O policial e o relacionamento amoroso

Quando eu estava freqüentando o curso de soldados não imaginava que o sargento auxiliar do meu pelotão tivesse família, esposa, filhos etc. A imagem de herói que ele me passava não permitia achar que era como os demais seres humanos. Parece bobeira falar isso, mas confesso que no dia da formatura vi alguns sargentos com suas famílias e aí que foi cair a ficha, que eles eram como os demais.

Passado esse primeiro momento da inocência, na seqüência dos anos fui percebendo que não é por serem heróis que os policiais têm ou deixam de constituir uma família. Muitos conseguem, outros não. O que tenho percebido é que a dificuldade maior não está em conseguir constituir, mas manter o relacionamento familiar.

Todos nós sabemos que a vida a dois é muito difícil. São dois seres, com duas culturas diferentes, vivendo sob o mesmo teto. Apenas muito amor e compreensão podem segurar a barra na hora dos conflitos.

Mas para o policial tudo fica mais difícil. A carga que carrega sobre seus ombros é bem mais pesada. Embora eu esteja descobrindo que não é um privilégio só da nossa profissão: Os professores que o digam. Então, na hora da desavença, a tolerância fica muito menor, por isso muitos casais acabam se separando.

Sorte de quem não é envolvido pelos vendavais das crises conjugais e mantém o seu relacionamento. Poder contar com uma parceira (o) faz toda a diferença. Não só pelas noites de frio que tem feito. Mas também por saber que um dia vamos deixar a farda pendurada no armário. E aí essa cumplicidade vai fazer com que o crepúsculo da vida seja bem mais confortável.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Bombeiro generoso

Ao saber que um casal e seus cinco filhos estavam morando debaixo de uma lona, por terem perdido a sua casa num incêndio, o sargento Genildo de Souza, do Corpo de Bombeiros de Gravataí/RS, resolveu doar uma casa nova de madeira.

Essa matéria, que acabei de ver no site do Uol, nos deixa orgulhoso por saber que – além da dedicação durante o trabalho – nosso colega também é sensível em relação à dor do seu semelhante.

domingo, 22 de junho de 2008

Quer trabalhar na ROTA?







Tenho recebido muitas solicitações para informar o procedimento para trabalhar no 1º Batalhão de Polícia de Choque, também conhecido como Batalhão Tobias de Aguiar – BTA ou ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar).

O caminho é se inscrever para prestar concurso público e, após aprovação, ingressar na Academia do Barro Branco ou frequentar o curso de Soldados.

Em ambos os casos, somente após a formatura o interessado poderá ser transferido para o BTA. Isso pode acontecer logo após a conclusão do curso (que é muito difícil ou quase impossível). O caminho mais comum é via Relação de Prioridade de Transferência (RPT), que o policial deve solicitar para ser incluído, por meio de documento.

A Unidade responsável pelo controle dessas movimentações é a Diretoria de Pessoal, que atende os primeiros da lista, conforme forem surgindo as vagas.

O tempo para conseguir a transferência para a ROTA não dá para calcular ou fazer projeção, mas costuma demorar.

Quando conseguir, não pense que já teve seu sonho realizado. Ainda dependerá de uma avaliação que será feita após o estágio pelo qual passam todos iniciantes, para ser verificado se tem aptidão para o serviço.

Após o estágio, em caso de aprovação, aí sim começa ficar mais tranquila sua permanência no batalhão.

Durante o período em que estive lá, vi alguns policiais que se destacavam em seus batalhões não se adaptarem e pedirem pra voltar para sua Unidade de origem. É igual time de futebol; tem jogador que é brilhante em um time e quando troca de clube não joga nada, às vezes simplesmente por não se adaptar as novas regras.

Uma coisa é certa, o felizardo que conseguir a transferência, for aprovado no estágio e usar aquele braçal nunca mais será o mesmo. Trará consigo as recordações de um dia ter serviço num batalhão lendário. Contudo, não será nem melhor nem pior que os demais só pelo fato de ter passado por lá. Apenas terá o diferencial de quem conheceu a essência da palavra adrenalina.

Leia Papa Mike - A realidade do policial militar



sábado, 21 de junho de 2008

Reunião de Comandantes Gerais

Aconteceu em São Paulo, paralelo a Feira Internacional de Segurança, o encontro de comandantes gerais das Policias Militares e Bombeiros Militares, no hotel Transamérica, zona sul da Capital.

Tive a oportunidade de entrevistar os comandantes das PMs de SP, RJ, GO, DF e do PA, todos falando sobre a elaboração do Termo Circunstanciado pelas polícias militares. Existe um consenso entre os comandantes favorável a essa prática.

Também mostraram que estão atentos em relação às questões da previdência dos policiais militares.

Sobre a Força de Segurança Nacional, estão buscando formas para resguardarem os policiais que estão adidos, de forma que possam estar amparados bem como aos seus familiares.

Por fim, o comandante de SP, como presidente do Conselho até a presente data (parece que o Cmt Geral da PMGO, Cel Edson, foi eleito novo presidente), falou que é contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 549/06, do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que equipara o salário inicial dos delegados de polícia aos dos integrantes do Ministério Público. Também existe consenso ente os comandantes sobre essa contrariedade.


Pistola cor de rosa


Ainda repercutindo a feira da segurança aqui em São Paulo, que acabou ontem, uma pistola chamou bastante a atenção, não por sua potência, mas pela cor. Pior que vi muito marmanjo apreciando a peça... seria o pessoal do batalhão arco-íris ou apenas curiosos?

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Feira Internacional de Segurança

Esta acontecendo em São Paulo a Feira Internacional de Segurança, no Transamérica Expo Center.

Muitas novidades para o setor, mas o que esta chamando a atenção dos visitantes são as novas tecnologias em vídeomonitoramento. Os recursos são extensos. A câmera, além de mostrar imagem em alta definição, tem software que detecta alterações no cenário, a partir de uma programação. Show de bola!

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Humoristas, quanta bobagem


Para que as pessoas me achem bonito, não preciso dizer que você é feio. Minha estrela pode brilhar sem que eu tenha que apagar a sua. Mas alguns humoristas fazem graça em cima de avacalhar com pessoas e instituições.

Pois é, quando falta assunto, a polícia sempre é lembrada. É fácil bater na gente. Nosso trabalho nos deixa muito expostos.

Nesse exato momento, em alguma cidadezinha do país, deve ter, ou melhor, tem um policial dedicando-se com seriedade ao seu trabalho, salvando vidas e até entregando a sua em prol de alguem que ele nem conhece. Mas esse colega não é lembrado por ninguém. Em nenhuma música e em nenhuma piada.

Um monte de humoristas já fizeram piadinhas com a nossa profissão. A última descobri hoje, embora já seja antiga.

O grupo de humoristas Café com Bobagem, daqui de São Paulo, gravou o Rap da Polícia. Veja a letra aqui e ouça aqui. (pra ouvir tem que procurar na relação de músicas, porque eu não consegui destacar apenas ela.

Fiquei muito aborrecido por que a função deles é trazer entretenimento. Mas os idiotas não tem respeito por essa categoria de profissionais que é responsável pela segurança pública. Até dou um desconto para os rappers (desconto apenas) por que, apesar do exagero nas letras, eles vivem aquela vida de cão que cantam, mas esses humoristas não tem motivo pra tal.

Fica aqui o meu protesto contra esses e todos os outros que fazem graça com a nossa profissão. Até porque a gente sabe que na hora do aperto esses bundões gritam por Deus e, cinco segundos depois, pela polícia.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Policial toma café de graça?



O aviso acima foi fotografado quando estava exposto em uma padaria aqui em São Paulo e enviado ao Jornal da Tarde, que publicou em 2006.

Antes de emitir a minha opinião sobre o que penso a respeito do chamado *QSA, quero traçar um paralelo com outras situações semelhantes e que não são recriminadas.

O cliente de um banco que faz altas movimentações financeiras goza do privilégio de não pegar fila, de ser atendido fora do horário comercial e consegue muitos outros benefícios.

Jornalistas costumam ganhar passagens aéreas e hospedagens dos clubes de futebol, para fazer a cobertura de torneios no exterior de menor expressão e que não despertaria o interesse da mídia.

As negociações geralmente costumam ser antecedidas de almoços e/ou jantares e as contas são pagas pela parte mais interessada na transação.

Enfim, têm muitos casos que eu sei, mas não estou lembrando no momento, em que existe a gentileza de um para com outro, com o interesse em algum benefício.

No caso do cafezinho que o policial toma e o comerciante não cobra também é assim. Sabidamente o dono da lanchonete, da padaria ou do restaurante faz isso porque quer garantir que sempre haja um policial por lá. Logo, com os marginais sabendo que o local é freqüentado assiduamente por policiais, diminui a possibilidade de assaltos.

Acontece que o comerciante quer garantir esse “policiamento” a um custo baixo, ou seja, na base do “pão com manteiga”. E nós sabemos que nem todo mundo quer comer o que ele está disposto a oferecer. Então um policial pede um lanche mais caro e o comerciante, que pode e deveria cobrar, não cobra. Aí vira uma bola de neve e resta ao comerciante apenas a opção de dar um basta, senão quebra.

Nunca fui muito favorável ao QSA, mas já me utilizei dele, confesso. Uma hora por insistência do comerciante, outra por estar meio duro. Mas sabia que aquele cafezinho poderia dar margem para o comerciante achar que eu devesse favor pra ele (se bem que se ele viesse cobrar isso iria ouvir poucas e boas). Então, quanto mais fui tendo consciência dessa situação, passei a apresentar o dinheiro ao caixa para ficar bem claro que a opção de não cobrar era dele e não uma necessidade minha.

Entendo que essa cultura não mudará, o que não podemos aceitar é a exposição negativa da imagem da instituição, por causa de um cafezinho.


*QSA: No código “Q” significa intensidade dos sinais de rádio, mas aqui em São Paulo também significa, na gíria, local onde se consome sem pagar.


segunda-feira, 16 de junho de 2008

Matéria sobre meu trabalho: Jornal da AFAM

domingo, 15 de junho de 2008

Abaixo o escracho aos marginais


Tenho uma verdade comigo. Sendo contra a violência e exercendo uma atividade profissional que visa combatê-la, tenho que ter a coerência de ser - antes de qualquer outra coisa - contra a violência policial.

Habitualmente, quando posso, visito alguns blogs. Quando vejo algo que me provoca reação, comento no próprio blog e, as vezes, repercuto aqui também.

No blog Diário de um PM vi um link para TV diário de um PM, que, acredito que seja do mesmo dono, o tenente Alexandre de Souza, da PM carioca, e que tenho admirado o trabalho de blogueiro.

Em TV diário de um PM assisti um vídeo que me indignou. Dois marginais sendo obrigados a trocar beijos, sob ameaça de policiais, pelo que ficou entendido.

Não quero aqui fazer o papel do puritano e de acima do bem e do mal. Como já disse por aqui, também já cometi pequenos erros, mas nem por isso vou ficar aqui fazendo apologia deles. Pelo contrário, quero esquecê-los, pois sei que não acrescentaram nada em minha vida. O que me conforta é o seguinte: Erros, quem não os cometeu? O que não podemos é divulgar umas coisas dessas como sendo corretas, conforme li em alguns comentários que estavam no blog que originou essas imagens. Isso só faz aumentar o nojo dessa relação polícia-bandido.

Se quisermos ter uma sociedade mais justa, devemos continuar combatendo o crime, com todo rigor que a lei permitir, sem, contudo, desrespeitar a dignidade da pessoa humana dos criminosos.

E quando o PM é a vítima?


O Soldado PM Juarez Soares era casado e tinha filhos. Trabalhava no 2º BPM/M, na zona leste da Capital paulista, como motorista do comandante da Unidade, e contava com 27 anos na Corporação.


Nas horas de folga exercia uma atividade extra-corporação. Fazia “bico” numa padaria, também na zona leste.
Numa sexta-feira, quatro marginais foram assaltar aquele estabelecimento comercial. Juarez reagiu e, na troca de tiros, matou um marginal, enquanto os demais fugiam sem nada roubar.


A liberação do corpo do meliante aconteceu no final do sábado, ficando o sepultamento para o domingo. Os três sobreviventes, com outros comparsas, estavam velando o colega morto quando fizeram um juramento, olhando para dentro do caixão: “Você não será enterrado enquanto sua morte não estiver vingada”.


No domingo Juarez estava novamente fazendo o “bico” na padaria, quando chegaram seis marginais decididos a cumprirem o juramento feito ao morto. O PM foi executado com vários tiros, sem ter chance de reagir.


Esse fato, ocorrido há 10 anos, é uma das ocorrências que foram solucionadas pela Equipe do PM Vítima, da Corregedoria, em que todos os marginais envolvidos foram presos e as armas apreendidas, inclusive a do Juarez, que havia sido subtraída.


Culturalmente vista com desconfiança pelos policiais da atividade-fim, a Corregedoria da Polícia Militar não tem apenas a função de fiscalizar, que é a mais conhecida. Com a Equipe “PM Vítima”, exerce também a atividade de apoio aos integrantes da Corporação que foram vítimas de ameaça, tentativa de homicídio e também nos casos em que o crime contra a vida foi concretizado.


Contar com o auxílio dos patrulheiros tem sido a maior dificuldade da Equipe “PM Vítima”, na hora de auxiliar os companheiros necessitados. “O policial que trabalha na rua, no policiamento, é quem sempre tem as informações que podem nos ajudar”, afirma o Tenente, chefe de uma das equipes, lamentando a rejeição que enfrentam quando solicitam apoio para solucionar os casos dos colegas vitimados.


O serviço, que foi criado em 1983, nasceu da necessidade de atender os familiares dos policiais mortos que queriam informações e soluções rápidas para os casos. Então, um grupo de PMs foi destacado para atender essa demanda.

Hoje, utilizando-se de técnicas e métodos de investigação, observação e inteligência policial, cerca de 80% dos casos são esclarecidos. Os 20% restante são apresentados com informações bem próximas do esclarecimento, mas, por outras razões, só serão solucionadas posteriormente pelas autoridades civis.


O Sargento PM X e o Soldado PM Y estão há quase 20 anos na Equipe do PM Vítima. Parceiros de investigação, lembram vários casos que ajudaram solucionar. Em um deles, em 2006, para chegar ao autor do homicídio de um PM, adotaram um procedimento bem ousado. Aproximaram-se da família da amásia do assassino do policial e, com muita paciência, numa relação de quase dois meses, conseguiram convencer uma prima dessa moça a descobrir o endereço em que ela estava residindo. Nesse caso, um dos policiais passou-se por vendedor de perfume e a moça, interessada no produto, deu o seu endereço. Foi a união da técnica, paciência e perseverança que acabou resultando na prisão desse perigoso marginal.


O trabalho da Equipe PM Vítima não se restringe apenas à Capital. No ano passado dois marginais passaram de moto na frente da casa de um PM em Guaratinguetá/SP e efetuaram quatro disparos de arma de fogo, fugindo em seguida. Felizmente ninguém foi atingido. Dias depois os policiais da Corregedoria estavam com o caso solucionado e com os acusados presos.


Também atua em casos em que o policial ou a sua família, em razão da função, recebe ameaça anônima. Nesse caso, o batalhão do interessado aciona a Corregedoria para que sejam realizadas as investigações e chegue-se ao autor da ameaça.


Embora atendam casos que provocam comoção, a Equipe PM Vítima atua dentro da legalidade. “Nunca tivemos uma ocorrência com resistência seguida de morte”, diz o Soldado PM Y ao falar sobre as precauções que tomam para prender os acusados. “Se o marginal morre, não teremos as informações que precisamos”, lembra o Sargento PM X.
Esse equilíbrio emocional para não se envolver com as ocorrências foi posto à prova quando delinqüentes mataram um colega deles que também trabalhava na Equipe PM Vítima. O PM Cláudio Vanderlei Tomas foi morto em 1997 quando reagiu tentando evitar o roubo do seu veículo. Utilizando-se de toda técnica profissional, em pouco tempo prenderam os marginais.


Aliás, a fama desse trabalho já chegou ao mundo do crime. Em recente “grampo telefônico”, com autorização da justiça, foi detectada uma conversa entre meliantes que comentavam sobre a eficiência do pessoal da “inteligência”, como chamam a “Equipe PM Vítima”. O motivo dessa conversa era exatamente por que admitiam fugir para longe, após terem cometido crime. Contudo, nem distância costuma ser empecilho para as elucidações dos casos. Já estiveram em vários Estados para fazer prisões e em breve pretendem ir para o Estado do Piauí. “De posse do Mandado de Prisão, expedido pela autoridade paulista, vamos à autoridade do Estado em que fugiu o criminoso, para ratificar esse Mandado de Prisão, e, com o auxílio da polícia civil local, prenderemos ele”, diz o Tenente.

Além da prisão do acusado, localização de armas e produtos, buscam também respostas para a motivação do crime e se foi a mando de alguém.


Em dezembro 2005 o Cabo PM Paulo Francisco da Silva estava próximo da inatividade. Ele morava em Marília, no interior de São Paulo, e trabalhava no 2º Batalhão de Policiamento Ambiental. Na madrugada em que seria o seu último dia de trabalho foi encontrado morto no quintal da sua casa. Sua esposa solicitou a viatura para o local e informou aos policiais que a vítima tinha ido verificar um barulho, quando foi ferido mortalmente.


Uma equipe foi deslocada para Marília e, em pouco tempo, conseguiu desvendar a autoria do crime. Por questões do relacionamento conjugal, a esposa, utilizando a arma do marido, atirou nele enquanto dormia. Com a ajuda do filho, colocou Paulo no carrinho de mão e jogou no quintal, forjando outra versão.


Desejando ter o seu trabalho compreendido pelos demais companheiros de farda e tornando-os parceiros, na hora de ajudar os policiais militares vítimas, os policiais da Corregedoria fazem palestras nas Unidades para esclarecer o trabalho que realizam. Eles são imbuídos do desejo de apoiar e querem que acreditem no resultado do seu trabalho. O lema é chegar à solução dos casos e dar condições ao PM para sair e defender a sociedade com tranqüilidade.


Para os policiais militares da Equipe PM Vítima, a prisão é só um detalhe, por que após fazerem uma investigação minuciosa de tudo que estiver relacionado com fato delituoso, chegarão naturalmente ao criminoso.


Por Sargento Lago, originalmente publicado no site da Polícia Militar do Estado de São Paulo



quinta-feira, 12 de junho de 2008

Minha Lucidez


Sou uma pessoa equilibrada, considerando tudo que já passei na vida. Todos esses anos na polícia militar, vários enfrentamentos, acidentes com viatura, carro capotado... sim, sou equilibrado. Uma das pessoas que me ajuda nesse equilíbrio é a minha mulher. Em nosso dia-a-dia contribui para a minha lucidez. Então, repetindo a homenagem do anoa passado, vou postar um poema que fiz inspirado em nosso relacionamento.


Somos dois


Somos dois, duplicados.

Unificados, somos únicos.

Somos, e não, sou.


A essência da vida humana consiste

na sabedoria de andar a dois.

Por isso somos, não, sou.

Mas, se somos, logo, sou.

Sendo eu – somos – sendo você.

Sou, sendo nós.


Minha existência foi pluralizada.

Aperfeiçoada.

Personificada em você.


Te vejo em todas as minhas faces.

Minha simetria da sua forma se fez.


A dois, a Deus a dou.

Porém, adeus não dou.

Só dou adeus se for a Deus.

Se com Deus já estou.




Réu confesso


Quinta-feira, 00h37. Confesso, sou (estou) pé frio. Fazer o que, né? Cadê o São Felipe?????
Mas, eu estava torcendo pro Sport... (mentirinha... rs )

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Paixão pelo futebol


As duas equipes estão entrando em campo em Recife, são 21h47. Daqui a pouco jogam Sport X Corinthians, pela decisão da Copa do Brasil. Tem tanto barulho aqui perto da minha casa que não resisti. Como postei nas decisões que disputaram Botafogo e Ponte Preta, vim dizer que o Timão pode salvar a lavoura. Como tenho sido pé frio, vou torcer pelo Sport, por uma vitória por 3x1 e vencendo nos pênaltis. Tomara que eu esteja errado no meu prognóstico, claro.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Salvamento sobre-humano





Papo no Gueto no site da PM



Há tempos a Polícia Militar busca uma forma de desenvolver um projeto com as pessoas envolvidas com o movimento Hip Hop. O que aumentou esse desejo foram os fatos ocorridos na Virada cultural de 2007, quando a PM teve que intervir nas ações de vândalos que assistiam ao show dos Racionais MCs.

O episódio foi ruim para as duas partes. Aumentaram os questionamentos em torno das ações da PM, como sendo preconceituosas, enquanto o movimento Rip Hop, sobretudo alguns grupos de rap, começaram ser preteridos em alguns eventos por conta do receio de novos problemas. Perdeu também na edição de 2008 da Virada Cultural, quando ficou em um espaço mais acanhado e com fiscalização mais rigorosa. Nelson Triunfo, precursor do movimento no Brasil está irritado, quer conversar com as autoridades para que seja revisto o tratamento. Mas a tarefa para mudar essa imagem negativa vai depender de esforço dobrado.

Por ter gravado uma música no ritmo do rap em 2000, no CD “De Policia”, que tinha 13 outras canções em diversos ritmos, eu e o então Capitão Rivaldo (atualmente Major da Reserva) começamos ser confundidos como rappers. Essa identificação acabou atrapalhando a projeção do trabalho que era pretendido. Se por um lado ganhamos uma mídia voluntária pelo inusitado, pelo outro sentimos em algumas situações a rejeição, pela imagem negativa que o rap trás. Negativa pelo fato de ter as músicas de maior projeção mensagens que estimulam a violência, critica a polícia e aos demais órgãos públicos e também fazer apologia às drogas e ao crime.

Fui incumbido pela Chefe da 5ª EM/PM, Tenente Coronel Fem PM Maria, a desenvolver um trabalho para que facilitasse o diálogo entre a PM e o Movimento Hip Hop. Então decidi procurar os expoentes do rap. Como criticam muito, entendi que poderiam participar dando sugestões para a solução. Foram vários contados. Busquei artistas de perfis diferentes. Mas, em todos os casos, a conversa não evoluiu além de seus intermediários. Foi uma rejeição fria. “Sem idéia”, como dizem. Tentei com outras formas de expressão do Hip Hop, já que o rap é apenas uma delas. Tem a dança, o grafite e os Djs, que formam os 4 elementos. Tive uma rejeição menor, mas o medo da repercussão da parceria inibiu o desejo em participar.

Como Maomé não vai à montanha...

Na semana passada recebi o convite para participar do evento "Hip-Hop Social Pela Democracia", que aconteceu sábado (31), no CEU Atlântica, no Jardim Nardini, zona oeste da Capital. Após ser autorizado pela minha chefe, confirmei minha presença. Confesso que estava apreensivo. Fui estimulado até a desistir. Mas sou movido a emoção. Não gosto de ficar com a sensação do “e se eu fosse, como teria sido?”

Como recebi o convite em cima da hora, nem deu pra levar alguém comigo. Fui na cara e na coragem. Eu e Deus. Percorri ruas que só havia passado antes com a viatura, em patrulhamento. Mas, pontualmente, as 14h00 estava lá.
Percebi que existia também uma expectativa por parte das pessoas. Elas também estavam curiosas pra saber quem seria o maluco que estava indo lá.

Na primeira oportunidade, observei quem estava mais acessível e estabeleci um diálogo pra quebrar o gelo. Tiramos até algumas fotos. Mas alguns preferiram manter a distância. Prevaleceu o “sem idéia”.

Depois de anunciado, comecei minha fala explicando que, apesar de ter gravado algo parecido com rap, não era do ramo. Apenas tinha feito uma incursão superficial por admirar a linguagem musical do rap.

Pouco tempo depois, abri para as perguntas. A primeira participação da platéia já foi uma pergunta/desabafo. O rapaz tinha tomado uma blitz e o policial fez várias perguntas do tipo “Que grana é essa; é do tráfico?”, “Por que está com duas camisas; é pra dispensar uma na fuga?” Então ele queria que eu dissesse o motivo dessas “embaçadas”.

Teve momento que eu achei que a coisa estava ficando complicada, devido aos ânimos exaltados de alguns participantes. Aí surgiu uma senhora na platéia, mãe de um rapper que iria se apresentar na seqüência. Ela se apresentou: “Meu nome é Maria, sou da Zona Norte, Brasilândia”. Pensei, lá vem bomba. A Brasilândia tem a sua fama.

Como ela frisou bem o seu bairro, entendi que ela estivesse me preparando para receber chumbo quente. Mas, pra minha felicidade, ela disse que também era mãe de um policial. Como alívio, nem esperei que fizesse a pergunta e já mandei: a senhora sofre preconceito duplo na família eim... Isso ajudou quebrar o gelo.

Aos poucos o ambiente foi voltado a normalidade e pude perceber que aqueles jovens que ali estavam não faziam críticas sem fundamento. Eram situações que eles tinham vivido. Havia uma razão de existir. O que estava desafinando na conversa era exatamente a porcentagem que eles davam de profissionais que prestam aquele atendimento que não gostaram.

Também trouxe desse debate informações que ajudam entender um pouco mais o movimento Hip hop. Cada grupo de rap, por exemplo, eles chamam de família. E não é pequena, em média tem 10 a 12 componentes. E é tão familiar que até um vovô foi ao evento para acompanhar suas netas que iam dançar.

Os sinais que eles fazem com as mãos era uma outra curiosidade. Descobri que tem mensagens de paz, união, força etc. Utilizam como forma de marketing, para identifica-los.

O que é comum entre eles é a cara fechada. Basta preparar a máquina fotográfica para fazer uma foto que todos ficam sérios.

A mensagem das letras falam de diversos temas, contudo as que têm ganhado mais projeção são as que contribuem para o preconceito em relação ao movimento.

No encerramento, contra a minha vontade, me fizeram cantar “a capella” o Rap da PM, de minha autoria e do Capitão Rivaldo. Ao encerrar, até fui aplaudido.

Aliviado, me acomodei para poder acompanhar os grupos que iriam se apresentar. Não precisou nem esperar muito. O primeiro já fez um discurso de crítica a polícia e ganhou espontaneamente os aplausos que a mim foram mais acanhados. Então pensei, daqui a pouco a platéia esquece tudo que falei e perco o que foi conquistado nessa relação. Antes que fosse uma realidade minha previsão, cochichei ao ouvido do meu anfitrião e, como eles mesmos dizem, “dei linha”.

O que me agradou foi que o diálogo foi privilegiado. Também saí de lá convicto de que há uma necessidade urgente de uma aproximação com esses jovens. Eles são do bem, são idealistas. Temos que estreitar essa relação e contribuir para que tenham boas inspirações, pois atualmente quem tem exercido maior influência no movimento Hip hop é o marketing do crime.


Publiquei originalmente o texto "Papo no Gueto" no site da PMESP.


quarta-feira, 4 de junho de 2008

Militares gays


Um tema que ainda vai dar muito o que falar. Cada vez mais, os militares gays estão saindo do armário.

Essa semana a revista Época publicou, na matéria de capa, a história de dois sargentos do Exército Brasileiro que assumiram uma relação homessexual de mais de dez anos.

Nessa terça-feira (3) um deles foi preso por deserção, quando saía do programa Superpop, da Rede TV.

Curioso, fui verificar na internet se tinha algum outro caso e descobri o casamento de um sargento (de novo, afe!) e um tenente, no Canadá.

Pelo Orkut, andei vendo fotos de muita gente que andou "passeando" pela Parada Gay. Será que, depois da farda cor de rosa, teremos a farda arco-íris?