terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Obrigado AI-5, a MPB agradece



No próximo dia 13 de dezembro, completam 50 anos que entrou em cena o Ato Institucional Número Cinco - AI-5, a quem quero render homenagens. O uso do pronome “quem”, mais apropriado para referências a pessoas, é cabível, visto que o famigerado instrumento jurídico vive na memória nacional como se fosse seus idealizadores e ainda gera calafrios em alguns.

Antes que alguém imagine que vou me referir às ações que a justiça brasileira qualificou como crimes cometidos contra os opositores ao regime militar, deixo claro que não aprovo nenhum ato de intolerância a qualquer pretexto. Entretanto, ao deparar-me com o que a liberdade de expressão transformou a cultura brasileira, somente me cabe render ao acerto que significou aquela tentativa de estabelecer a ordem num cenário de ausência de condições mínimas de convivência pacífica.

A medida forçou compositores, como Geraldo Vandré, Chico Buarque, Taiguara e tantos outros, a usarem tanto seus talentos, quanto suas inteligências para transmitirem com lirismo as mais profundas mensagens de amor ou do cotidiano, bem como ricas mensagens de cunho político que enriqueceram o cotidiano de toda uma geração e ainda pulsam, como se a história se fizesse presente.

É triste constatar autores padecendo de preguiça mental e desse ócio o espargir de uma algaravia escatológica que nos torna vítimas de castigos psicológicos, como se nossos ouvidos fossem mictórios. Se antes nos ofertavam “Pra não dizer que não falei das flores”; “Apesar de você”; “E que as crianças cantem livres”; entre outras, hoje tropeçam na “liberdade”.

Assim somos surrados com palavrões despropositados e mensagens de incentivo à orgia e aos vícios. Quando queremos subir à superfície para aspirar um pouco de oxigênio precisamos revisitar as obras produzidas naquela época. Enquanto isso, os “sábios” buscam fórmulas mágicas de promover uma educação libertária e crítica. Como, nessa escuridão?

Precisamos de um novo AI-5, um Ato Inspirador elevado à quinta potência para que tenhamos canções que envolvam alma e intelecto, que soem como uma cantiga de ninar nossos sonhos de um país melhor.


quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Rota completa 48 anos

A Ronda Ostensivas Tobias Aguiar - ROTA completou 48 anos na última segunda-feira, dia 15 de outubro.

No tradicional evento na sua sede - que contou com a presença de ilustres autoridades e muitos admiradores do batalhão - o Sargento Lago, juntamente com outros policiais,  foi condecorado com a medalha Challenge Coin - Bronze, por distinção aos serviços prestados à ROTA.



quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Comandante chora ao saber que policial não tinha alimento em casa

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Tipos de silêncio

Tipos de silêncio

Há uma onda de exaltação ao silêncio. Textos e vídeos têm sido divulgados para valorizar e enaltecer essa necessidade. Visceral e incisivo, com reações automáticas, confesso que reconheço virtudes apenas em um tipo de silêncio: inteligente.

 Entre responder um insulto de alguém que fala reagindo sem pensar, calar-se é uma boa decisão. Isso pode ocorrer no trânsito, numa atividade esportiva ou numa discussão. Uma resposta nessas horas pode implicar dano infinitamente superior ao provocado pela ausência da réplica.

Contudo não consigo digerir outras situações. As opções para esconder omissão, covardia e desprezo. Não me é compreensível que alguém se omita diante de um compromisso social e, ao ser indagado, não responda, que deixe quem o trate com distinção aguardando uma decisão e este, além de não agir, se mantém calado.

Esse tipo de silêncio tem sido banalizado nas redes sociais, aquele envio de mensagem que termina com um ponto de interrogação. A pessoa visualiza, mas não responde. Muitos ainda não se deram conta de que as redes sociais tornaram-se um dos poucos momentos de atenção de que os seus semelhantes dispõem, e por trás das máquinas existem seres humanos em busca de um aceno que dê sentido as suas vidas dilaceradas por um mundo às avessas e também almas que querem anunciar  um novo dia, compartilhar bonanças.

Em alguns casos, que me incomodaram muito, fui averiguar a fundo o motivo do desprezo e, um aqui outro ali, descobri que a pessoa não estava num bom momento ou visualizou numa hora em que não poderia responder e acabou esquecendo. Na maioria das vezes, o silêncio facilitou a vida de covardes que não conseguem argumentar sua posição contrária a que foi questionada. O silêncio funcionou como escudo.

Errado ou não, se alguém assim se sente protegido, nesse silêncio ficam as nódoas de um fruto fadado ao apodrecimento, e as marcas do esmaecem na mesma proporção que a ausência de diálogo permite a construção de um caráter com base em ressentimentos
Todavia o que percebo é que se institucionalizou o silêncio como “preguiça” de explicar o porquê de não querer ir a uma festa, viagem, churrasco, reuniões etc. Há muita gente se “queimando” socialmente e em breve vai lamentar a ausência de convites. A vida é assim, para que insistir com indisponíveis se já se sabe que não pode contar com eles?

Por essas e outras é que se necessita atentar-se para desgastes decorrentes das amizades virtuais. Há muita gente disfarçando desprezo virtual nas ruas com amarelos acenos, assim como outras apressando o passo para recusar a mão estendida. Multiplicam-se as faltas de expressão e gestos de seguir em frente, deixando as marcas da incompreensão.

Muitos não se deram conta de que vivem um novo tempo, e neste está inserido a realidade virtual, movida por sangue, suor e lágrimas. Lá está reprodução de nossa relação com o mundo. E um mundo cada vez menos tolerante com o silêncio.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

NAS RUAS - Sargento Lago



Nas Ruas

Sargento Lago
Arranjos: William Magalhães
Feat. One Girl
2017


NAS RUAS

Eu sou pago pra morrer, mas insisto em viver, mesmo tendo feito um juramento
Sou treinado pra matar, mas insisto em amar, valorizo esse sentimento
Transito entre putas e vagabundos, viciados moribundos, miseráveis sem paz
Também entre ricos delatores, os piores malfeitores, que tem muito e querem mais
Pouco cuido da minha família, mas eu morro um pouco todo dia por você... Nas ruas

Filho da luta, para-raio,o que faço no trabalho agrada um o outro não
Eu cumpro a lei, que lei é essa, aceita só quando interessa e eu que passo por vilão
Não me enxerga quando eu preciso, mas insisto com o compromisso por você... Nas ruas

Lado a lado...




sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Intrigas sociais


Intrigas sociais

Da virada do século para cá vivemos o boom das redes sociais, mas ainda estamos aprendendo a lidar com ela. Frequentemente as pessoas se desentendem nas redes ou por mal- entendido ou mesmo por não aceitar a postura do outro.

Acabei de presenciar um caso em um dos muitos grupos de whatsapp de que participo.

Com a finalidade de agregar veteranos de uma antiga unidade  em que trabalhei, o grupo foi criado com entusiasmo, e todos faziam festa para cada novo membro agregado.

Regrado por um código de ética, necessário para um bom convívio, tal como não postar pornografia, o grupo seguia animado e abordava vários assuntos, sobretudo as recordações do tempo de caserna. Entretanto, bastaram algumas discussões políticas levantadas por alguns participantes para o grupo rachar.

Sabemos que o futuro sempre rende ótimas projeções, mas falar do que vivemos juntos no passado uma hora esgota o assunto.  Por isso, temas clichês, como futebol e política, passam a ser rotina.

Os que não gostam de política entenderam que o grupo havia desviado da sua finalidade; então, o administrador, que também não gosta, proibiu o tema e criou um novo grupo para quem quisesse falar de política, o que, naturalmente, foi encarado como censura ou castigo.

Mas qual grupo que subsiste apenas com bom dia, boa tarde e boa noite, geralmente acompanhado de uma foto com florzinha, anjinho ou um rio margeado por gramas? E quem não gosta de futebol o que fala? E se a piada que um conta não tem graça para o outro? Eu mesmo tenho um humor peculiar.

Nos grupos de que participo pouco escrevo, prefiro os textos mais explicativos a sintetizar tudo num “tmj” (tamo junto).

Vejo publicações, em sua maioria, que não me agradam. São bizarrices pornográficas e do cotidiano, crimes e cadáveres, seres humanos expostos em sua fragilidade (pegadinha do Faustão acaba sendo fichinha perto dessas) e, embora também tenha o desejo de sair dos grupos, avalio que essas postagens são reflexos da sociedade em que vivo.  Fácil descobrir isso. Nos portais de notícias, as “grandes manchetes” me informam que o decote da atriz foi elogiado ou coisa da mesma proporção de importância. Tenho a opção de clicar ou não, como tenho o poder de decidir entre abrir uma foto, ler ou não os textos nos grupos.

Boa parte das pessoas que está nas nossas redes sociais viveu conosco em algum momento. E certamente era do mesmo jeito que hoje nos incomoda, ou seja, as pessoas não mudam. Se ela foi merecedora dessa reaproximação, após tanto tempo, é porque de fato é alguém que também construiu uma história digna e que merece o nosso respeito. Ou exercitamos a complacência pelo prazer do convívio social ou nos ilhamos. Não seremos agradados com frequência da mesma forma que também não agradamos.

Num encontro com outro grupo de amigos, um deles me falou uma coisa que me fez pensar: - Lago, eu só existo porque você existe. A minha história só existe porque você é testemunha. – De fato, de que adiantaria ter vivido tudo que vivemos se estivéssemos isolados num canto sem ter com quem compartilhar?