domingo, 29 de dezembro de 2019

Como atua a Polícia Militar no sertão?







Dando continuidade ao Projeto Polícias Militares do Brasil, em sua terceira edição, atendendo a convocação da missão, que tenho como ideal, estou de partida para o sertão. Pois é, enquanto todos querem praia neste verão, irei ao sertão documentar a vida severina dos nossos companheiros policiais militares e dar voz aos guerreiros esquecidos nos inóspitos terrenos do sertão nordestino.

Vou viajar no mês de janeiro, com previsão de retorno em 45 dias, “Do Vale do Jequitinhonha aos sertões baiano e sergipano”.

Como nesses locais a dificuldade de conseguir hospedagem e alimentação em quartéis é maior, vou precisar de recursos superiores ao que possuo. Por isso estou fazendo uma vaquinha virtual.

Todo valor doado é bem-vindo. 

Estou disponibilizando o meu livro Papa Mike, como contrapartida, para doações acima de R$ 50,00.

Solicito que acesse a Vaquinha Virtual por este link: http://vaka.me/841615

Conto com a sua doação e também com a sua divulgação.

Agradeço antecipadamente a sua participação

Grande abraço

Sargento Lago

domingo, 22 de dezembro de 2019

A nobreza da luta

Sargento Lago 1985 / 2019



De uma família numerosa e poucos recursos, morando na Zona Leste, periferia de São Paulo, onde a xepa da feira era um recurso a ser considerado, em tempos agudos de crise, o anseio pelo conhecimento tornou-se minha única esperança, naquele diminuto universo de oportunidades.

Essas recordações vieram a mente enquanto observava uma foto minha atual, daquelas que a gente escolhe o cenário apropriado para agregar à pose, se ajeita no melhor ângulo e clica várias vezes, pra escolher e postar nas redes sociais.

Nela não vi apenas o veterano Sargento Lago, com tantas histórias e algumas conquistas. Meus pensamentos retrocederam e enxerguei na foto a luta que teve aquele jovem policial inseguro e com carências, mas cheio de desejos de conquistas e esperançoso por alcançá-las.

Trabalhando desde cedo, numa época em que os filhos entregavam aos seus pais os envelopes fechados com os pagamentos, ao final do mês, não existia a mínima possibilidade de comprar aquela calça "boca de sino” e o sapato "plataforma", muito menos o "carrapeta", sonho de consumo dos jovens.

A única calça jeans, desbotada pelo uso e não por causa da moda - e ainda bem que era moda - já rasgada - e aí sim, nem era moda ainda - saía do corpo apenas na hora de dormir ou enquanto estava lavando. E muitas vezes o processo de secagem era abreviado com o ferro de passar roupa, em razão da necessidade de sair.

Ano após ano o desejo de ser "alguém na vida” foi motivo de resignação nos sábados melancólicos em que o consolo eram os bate-papos com os amigos com o mesmo grau de dificuldade financeira.

Ter que sufocar o desejo de uma conquista amorosa por não ter sequer uma roupa decente para o encontro era muito frustrante. Toda garota que tivesse a pele e o cabelo mais cuidados era considerada rica, logo inacessível. E, assim, foram muitas as desilusões, em amores platônicos.

Ingressei na Polícia Militar atendendo a exigência escolar mínima. Para conquistá-la, tive que bater em várias portas escolares, sem sucesso, e, por fim, conseguir por meio do “supletivo”, recurso que permitia sintetizar os três anos do ensino médio com a metade do tempo e da conquista intelectual. Mas fazia parte da regra, então utilizei-me dela.

No serviço a condição de policial me permitia conhecer muitas pessoas. Nelas buscava meu aprendizado de vida. Conversar, conversar, conversar. Dedicava-me a isto. Do velho a criança. Do mendigo ao milionário. A profissão oferecia essas oportunidades.

Nas madrugadas frias, enquanto preservava um cadáver, numa quebrada qualquer - sem ao menos um bar por perto para tomar café - quando o assunto com o parceiro esgotava, acendia um cigarro, quando ainda me permitia esse mau hábito, e - observando o pobre moribundo que tivera seus sonhos e planos encerrados com a morte - imaginava o rumo que poderia dar ao próprio destino.

Era um misto de ansiedade e força para vencer. Por isso tratei de conseguir a aprovação nos concursos para cabo e sargento. Ainda nos primeiros anos na polícia, já sentia a diferença na mudança de status, ao galgar essas promoções.

O desejo incansável na busca pelo conhecimento tornou-me humilde o suficiente para admitir ignorância e interromper conversas para solicitar explicações dos termos e conceitos que desconhecia. Assim adquiri, dentro de todas limitações que tinha, a evolução gradativa ao ponto de sequer perceber em qual momento meu linguajar foi mudando e que deixava de ser apenas um ouvinte para já conseguir estabelecer um diálogo com pessoas cujo nível intelectual era alvo da minha admiração.

Concluir o curso de jornalismo contribuiu na autoestima. Sentia orgulho ao responder qual curso frequentara. Ficava com a sensação que minha opinião ganhava credibilidade, assim adquiri convicção para emiti-las.

Todas experiências agregaram. O curso de paraquedismo trouxe o controle sobre o medo de altura e a perspectiva de dimensão, a partir da altitude, que tornava um estádio de futebol do tamanho de uma bola de gude. Ajudando concluir que a observação distanciada dos problemas pode deixá-los menor.

Utilizei-me do talento para trabalhar a composição musical e isto me mostrou ser possível viver com a realidade cruel da sociedade desigual, sem enrudecer.

E viajar, certamente, das experiências, foi a mais agregadora.

Percorrer cada estado deste imenso Brasil - trocando em miúdos as emblemáticas questões - vistas, até então, apenas pelas telas das tevês, com opiniões conceituais de quem as transmitia - proferidas com o sotaque e o vocabulário dos nativos, com liberdade para interagir com a informação, trouxe a real compreensão dos problemas longínquos que refletem nos grandes centros.

A fotografia que observava exibia a melhor imagem de um homem envelhecido, enquanto as lembranças perpetuavam o jovem vigoroso com suas fragilidades. Em comum ambas traziam o desejo pela evolução como ser humano. Do anseio por construir pontes entre o sonho e as conquistas.

Projeto em todo jovem policial que encontro nas ruas a busca pelos mesmos anseios que tive.

Em tempos de maiores oportunidades e informações, porém também do crescimento do descaso e do desrespeito ao humano, onde banalizam-se sentimentos e sonhos e que valores indisponíveis são negociados em moedas baratas, avalio que o grau de dificuldade que o recruta Sargento Lago enfrentou para galgar cada degrau no seu caminho equivale-se ao do jovem policial atual. Por isso há-se de recrudescer os ânimos e lutar com fibra e garra. Ambicionar a vitória é legítimo. Lutar por ela é nobre.



Ps: A nobreza da luta - Como o recruta tornou-se veterano (Não teve revisão)

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

MAKING OF CLIPE SENDO VOCÊ

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

# 092 QUER GASTAR MENOS?

sábado, 14 de dezembro de 2019

# 091 ALCOOLISMO

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

# 090 RESPEITO AO HUMANO

RESPEITO AO HUMANO

Qual é o ponto em que denunciar a violência policial deixa de ser protesto e passa a ser ato preconceituoso de ataque profissional?


segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

PODCAST #04 - General Peternelli - Bico será crime?

sábado, 7 de dezembro de 2019

# 089 CÃES SÃO FIÉIS

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

# 088 PARAISÓPOLIS: A NOVELA REAL

domingo, 1 de dezembro de 2019

A Polícia Militar e a segunda divisão



A POLÍCIA MILITAR E A SEGUNDA DIVISÃO

O perigo de ser tratado como amador no jogo político


Venho acompanhando as questões políticas com muito afinco e cumprindo um papel que, timidamente, estamos aprendendo fazer: fiscalizar a atuação dos parlamentares que utilizam a imagem da Polícia Militar para atuarem politicamente.

Como sou um veterano da instituição policial, entendo que, por estar incluído nessa representação, posso manifestar-me quando não atuam conforme avalio que seria positivo para a nossa coletividade.




A “bancada da bala” aumentou. Na verdade, inchou. Por isso ainda não experimentamos resultados favoráveis. Faz lembrar algumas equipes de futebol que contratam atletas aleatoriamente, mas o time não demonstra entrosamento em campo. Então, logo surge a transferência de responsabilidade, e cada um coloca a culpa no outro, na tentativa de defender os interesses pessoais, que possam preservar o mandato, em vez de reunirem-se em busca do entrosamento que conduza às conquistas. 

O que gera aflição é perceber que os nossos direitos estão a caminho do rebaixamento, a torcida assiste atônita a uma equipe apática em campo. O plenário tem sido palco de atuações sofríveis capazes de comprometer até a imagem da Corporação.




O que tem me surpreendido, no entanto, é não conseguir entender a manobra política em curso. De repente, num piscar de olhos, inimigos declarados da polícia resolveram sair em nossa defesa. Sim, muito estranhamente, do nada, apareceu o deputado estadual Carlos Giannazi, que passou vinte e cinco anos no PT e agora está no PSOL, em cima do caminhão, na frente do Quartel do Comando Geral, em manifestação a favor do aumento salarial dos policiais militares. 


Estou me perguntando até agora qual foi o momento que eu não acompanhei. Se para você, leitor, não soou estranho, por favor, diga-me, quero compreender. Mas não quero essa resposta dos políticos, pois, vindo deles, precisamos nos acautelarmos.

Ainda me recompondo do impacto da imagem do deputado Giannazi “protestando” a favor da PM, assisti a um vídeo em que a deputada estadual Monica da Bancada Ativista, também do PSOL, faz uso da palavra em sessão ordinária, na ALESP, para defender os professores, que é normal, e os policiais militares. Gente, será que adormeci nos últimos anos e não percebi?




Alguém poderia perguntar, mas o Sargento Lago é ou não é a favor da negociação? Claro que sou. Não vejo outra saída na política se não for por meio dela. Embora alguns políticos prefiram o palanque, sempre vou defender que negociar é o melhor caminho, e não atacar de cima de um trio elétrico quem pode nos conceder benefícios. Mas essa negociação seletiva ser começada a partir do PSOL me deixou de orelhas em pé.

Procedi a minhas pesquisas e descobri flerte de gente da “bancada da bala” com o PT e o PSOL no passado, regado a trocas de elogios em redes sociais. Seria essa aliança repentina um acordo cujo interesse do eleitor ficaria em segundo plano? Não posso afirmar, entretanto creio que tenho o direito de questionar, uma vez que não foi esclarecido e causa espanto. 


Defendo que os policiais militares devem cobrar disciplinadamente os seus parlamentares, obrigando que deem satisfações e sejam transparentes em suas ações políticas, pois se apropriam da imagem e do prestígio da instituição, cuja glória foi conquistada com suor e sangue.





Apenas gritos ao microfone e caras feias não produzem aumento salarial nem confortam estômagos vazios e corações aflitos. Para não esquecer a analogia com o futebol, gigantes desse esporte negligenciaram conceitos básicos para a sobrevivência no meio e hoje estão no ostracismo, jamais reconquistaram as glórias. A nossa farta bancada na ALESP precisa reconstruir a relação entre seus membros e melhorar a interlocução com seus eleitores, sob pena de os envolvidos no jogo político perceberem que não passamos de amadores desunidos que não merecem sentar-se à mesa no momento de participar da festa.

Atualizando: Deputado Giannazi, voltando às origens,acaba de requerer na ALESP que a PMESP dê explicações sobre as mortes no Pancadão de Paraisópolis. 02Dez2019, 16h30

FOTO MEMÓRIA: CARANDIRU


Só pra lembrar que um dia estive trabalhando numa rebelião no presídio do Carandiru, em 1985, enquanto frequentava o Curso de Sargentos. Permaneci na muralha, numa tarde de domingo.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

GRITO SUFOCADO - APENAS 1 MINUTO

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terça-feira, 26 de novembro de 2019

GRITO SUFOCADO

Sargento Lago

Apenas um minuto não bastaria. Demandar-se-iam horas debatendo o tema. Mas apenas segundos seriam suficientes para fechar questão: o sagrado direito à liberdade de expressão deve ser garantido já aos policiais militares. 

Nesta semana soube que mais um policial militar paulista pode perder a condição de reformado e os seus benefícios e juntar-se ao colega demitido no ano passado por vociferar seus descontentamentos contra um parlamentar. 

Não vou entrar no mérito se houve ou não exageros nas críticas. Até defendo o direito do ofendido de buscar reparação para a sua honra ofendida. Porém, a disparidade entre direitos e obrigações salta aos olhos, e a imposição de resignação advinda destas potencializa a humilhação de uma classe cuja lealdade ao cidadão e aos mandatários mantém-se inexpugnável. 

Doamos o nosso máximo à instituição e, às vezes, não recebemos dela o mínimo. No caso em questão, o mínimo que queremos é ter direito a opinar. Com paixão, como fazemos no futebol, porque na política a paixão vem acompanhada de indignação e decepção, produtos deletérios de atuações parlamentares questionáveis. 


Entendo até que, como todo cidadão, quem exagera na crítica - entrando no campo da calúnia, difamação e outros crimes – como todos, deve ser responsabilizado na justiça comum, mas não na esfera militar, visto que a relutância dos parlamentares em promover alterações do regulamento disciplinar revela-se uma postura abjeta, que seria legislar em causa própria. O RD aplicado aos reformados transforma os representantes políticos oriundos da Corporação entes isentos de reprovação, diferenciados dos demais na mesma condição e obrigados a dar satisfação de suas atuações políticas aos eleitores. 

Protelam-se ao máximo aos policiais militares os avanços que toda sociedade já conquistou há algum tempo. Enquanto os direitos trabalhistas e a criminalização dos preconceitos alcançam todos, perdemos direitos dados como garantidos e somos vítimas diariamente de preconceitos, sem o amparo das leis rigorosas, como filhos órfãos. 

No caso dos inativos, não vejo razão para que seja mantido o rigor do regulamento. Não apenas por já terem cumprido suas missões com louvor, o que já seria o suficiente para justificar a isenção, mas também por verem frequentemente suas conquistas, que julgavam asseguradas, diluídas a cada reforma feita. E quem poderia brigar para garanti-las está distraído com seus próprios interesses. 

A fragilidade gerada com a perda dos direitos tornam algumas obrigações, como a proibição de opinião, uma tortura para todos. 

Quando vão considerar a ciência, que orienta como terapia falar sobre os problemas que lhes afligem, para evitar complicações sérias na saúde física e mental? O desabafo nas redes sociais acaba sendo a única terapia disponível ao policial. Considerando as limitadas vagas disponíveis para atendimentos médico e psicológico, é a válvula de escape. 

Todos civis podem criticar os políticos abertamente, alguns até com exageros, e quase sempre sem represálias. 

Recentemente vi policiais militares de alto coturno criticando abertamente o governador, e não tivemos conhecimento se providências foram tomadas. Não que eu desejasse, pois defendo que todos tenham o seu direito de opinião assegurado. Mas os casos do sargento e do soldado, reclamados pelo parlamentar, geraram procedimentos disciplinares e ganharam publicidade. Pareceu-me que foi para servir de exemplo e inibir outros descontentes. 

Desejo que os parlamentares da “bancada da bala”, que têm feito muito alarido e produzido pouco ou nenhum resultado positivo para a nossa tropa, abracem essa sugestão: promovam um debate democrático com o público interno sobre as regras atuais, que reclamam reformas, e proponham as mudanças que vão tirar mais esse peso do ombro cansado do guerreiro, já que aqueles, os parlamentares, já demonstraram não disporem de influência política, tampouco de estofo para reivindicarem a coerência e a justiça necessários nas negociações referentes ao nosso aumento salarial.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Policial aposentado viaja de ônibus pela América Latina com mochila nas costas





Matéria na Folha de São Paulo relata minha viagem pela América Latina. Acesse pelo link abaixo

https://checkin.blogfolha.uol.com.br/2019/11/11/policial-aposentado-viaja-de-onibus-pela-america-latina-com-mochila-nas-costas/?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=comptw#comments

sábado, 9 de novembro de 2019

# 080 ESPERAR POR ALGUÉM QUE NÃO VEM

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

ADEUS JULIÃO

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

DE5%BAFO

DESABAFO

A negociação beneficia o eleitor. O palanque, ao político.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

CAPACETE PENSANTE #01 - Sargento Edson - Pé na Cova

terça-feira, 1 de outubro de 2019

APELO DE UM VETERANO AO GOVERNADOR

domingo, 29 de setembro de 2019

DE PAI PARA FILHO

domingo, 22 de setembro de 2019

Sorteio do livro Papa Mike - A realidade do policial militar



NÃO PERCA ESSA OPORTUNIDADE !
Regras do sorteio do livro Papa Mike - a realidade do policial militar.
Serão sorteados 10 livros, no dia 24 de novembro (Dia do aniversário do Sargento Lago).
Para participar do sorteio é necessário:
1. Enviar uma mensagem com o seu nome para o whatsapp 11 - 9 82591412.
2. Seguir @SARGENTOLAGO no Instagram.
3. Clicar no link abaixo, PARA SE INSCREVER no canal do Youtube do Sargento Lago.
Observações.
1. O sorteio será realizado ao vivo pela internet, dia 24/11/2019, às 20h.
2. Os ganhadores deverão retirar o livro, no centro da cidade de São Paulo, em local a ser definido, no prazo máximo de 30 dias, após o sorteio.
SOBRE O LIVRO PAPA MIKE - a realidade do policial militar
Papa Mike conduz o leitor a um percurso pela PM no mapa do Brasil, com as lentes focadas dos bastidores nas trincheiras do combate ao crime.
Misto de relato e memórias, com adrenalina e pé no jornalismo, entre conversas na intimidade com comandantes-gerais, depoimentos emocionados da tropa – alguns confidenciais, outros em tom de desabafo – e confissões do autor, o livro mostra um retrato dos PMs em nível nacional, seus desafios, sacrifícios, tabus, motivações e idiossincrasias.
Com propostas de reflexão e debates sobre segurança pública, com especificidades por regiões e culturas, Papa Mike - que remete ao alfabeto policial, onde P é Papa e M é Mike, formando a sigla PM – trata de questões-chave na sociedade brasileira, na ótica de um de seus protagonistas: o policial militar.


Adryana Ribeiro e Sargento Lago cantam "CRIANÇA FERIDA"

sábado, 21 de setembro de 2019

NEGOCIAÇÃO OU TIRO DE SNIPER ?

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

VETERANO, A MELHOR PROPAGANDA

domingo, 15 de setembro de 2019

METENDO O PÉ NA PORTA

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

DÓRIA, O NOSSO FURAÇÃO

domingo, 8 de setembro de 2019

APENAS FÓSFOROS QUEIMADOS

Em outubro descobriremos se o governador João Dória valoriza a história dos veteranos da Polícia Militar paulista ou se para ele são...

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

TRAUMAS DO MASSACRE

sábado, 31 de agosto de 2019

DOIS LADOS DA HISTORIA?

sábado, 24 de agosto de 2019

REFLEXÃO SOBRE O DIA DO SOLDADO

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

DIREITA OU ESQUERDA?

domingo, 18 de agosto de 2019

MINANDO O MITO

O povo precisa entender a gravidade do momento

 


quarta-feira, 14 de agosto de 2019

CAUSANDO SEM CAUSA

domingo, 11 de agosto de 2019

INJUSTIÇA EM NOME DA LEI

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

SONO DA DISCÓRDIA

sábado, 3 de agosto de 2019

De HERÓIS A VILÕES

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Do cochilo ao vacilo


Do cochilo ao vacilo

Dois acontecimentos relevantes foram temas de debates nos grupos policiais na última semana: os policiais que foram surpreendidos dormindo em serviço e as manifestações em frente ao Palácio dos Bandeirantes, reivindicando aumento salarial para os policiais militares. Nos dois casos assistimos a ações patéticas de políticos que insistem nas velhas práticas que, de tanta falta de criatividade, entalam em nossas gargantas um grito de desagravo e nos obrigam a manifestação.

Quase passaram despercebidos os protestos dos políticos em defesa dos policiais que dormiram no serviço durante escala na DEJEM - serviço extra, criado pelo governo para complementação do soldo do policial e evitar a pressão por aumento salarial. Gravaram-se vídeos acusando a Corregedoria de insensibilidade com a necessidade do policial; entretanto, desde a criação da Polícia Militar, em 1831, que dormir no trabalho representa uma conduta intolerável, quase uma traição ao nosso idealismo. E isso é simples de explicar, visto que a  natureza da função de guardiões da sociedade impõe um caráter quase impossível de alcançar: a infalibilidade. Assim, quando o policial militar desguarnece intencionalmente a vigilância, expõe os cidadãos a perigo, com a agravante de aumentar-lhe a vulnerabilidade, já que supõe encontrar-se resguardado. 

Em qualquer empresa privada a prática também sofreria punição. Mas os políticos, com o objetivo de fazer média com a tropa, preferiu a defesa do indefensável e soou ridícula a manifestação.

Quem realmente tem interesse em defender a causa dos policiais, em vez desses alardes, deveria demonstrar às autoridades o esgotamento físico da tropa em suas extenuantes cargas de trabalho, embasando com laudos médicos e outras perícias que se fizerem necessárias, para sensibilizar a urgência do aumento salarial, e não de trabalho.

Pior que isso é saber que  policiais brincam com a própria sorte ao expor suas vidas dormindo fardado dentro do carro e em local público, numa época em que, cada vez mais, a vida dele vale menos.

Do outro caso resta ainda mais tristeza, ao concluir que - embora tenhamos o maior número de representantes de todos os tempos - de tão mal preparados, nos fazem temer que, buscando a vitória, façam gol contra, conforme registrei aqui no blog na Carta Aberta ao Governador João Dória.

Da manifestação propriamente, embora os parlamentares presentes representassem milhões de votos, não convenceram mais que cinquenta pessoas para assoprar apitos e interromper o trânsito, prática inclusive que, por ofício, tantas vezes coibiram, invocando o direito de ir e vir das pessoas.

As cenas exibidas ao vivo nas redes sociais mostraram um show de horrores. Uma parlamentar reclamando que não tinha onde “fazer xixi”, convocações aos berros para que outras pessoas saíssem de suas casas e viessem compor o grupo, troca de elogios entre recentes desafetos e outras bizarrices que certamente nunca contarão com o meu apoio. Aliás, pelo jeito, nem meu nem da maioria dos policiais militares, pois é isso que temos visto ao longo dos anos; manifestações esvaziadas.

A frequentar gabinetes políticos e reuniões infrutíferas que apenas geram fotos nas redes sociais, prefiro ações mais efetivas, como as que praticava enquanto se exibiam no Palácio dos Bandeirantes. Entregava na cidade de Areias, SP, doações de fraldas descartáveis que recolhi numa campanha feita na Capital para o Lar do IdosoEbenézer.

Pode parecer autopromocional, mas faço menção apenas para pontuar a diferença entre a fantasia e o concreto. Tanto não é que não explorei esse lado filantrópico que sempre realizei com minha família na minha campanha para deputado federal. Embora pudesse, pois é um trabalho social que iniciou com meu pai, em 1960, quando, junto com seu melhor amigo, comprou e doou um terreno com a finalidade de construir um asilo no início dos anos 80, trabalhou efetivamente na construção e dedicou-se nele por anos e está em pleno funcionamento até hoje, acolhendo cerca de quarenta e cinco idosos.

Foi com discrição e dedicação que construí minha carreira policial, atuando administrativamente nos grandes comandos e operacionalmente em diversos batalhões. Recentemente, tive o privilégio de ser convidado para desfilar no dia 9 de Julho como veterano de ROTA.

Após a aposentadoria, não satisfeito apenas em conhecer a intimidade da PM paulista, percorri todo o país em visita às policias militares, cuja pesquisa gerou o livro Papa Mike, que publiquei em 2016.

Considerando que hoje produzem e ganham créditos com fotos sem ações efetivas, faço esse relato para que compreendam minha indignação quando vejo pessoas se intitulando nossos representantes sem sequer conhecer a nossa PM. Se apressam em ser candidatos, sem o preparo devido e, de tanto venderem ilusão ao povo, acabam se elegendo para fazer esse papelão. Não será surpresa se no futuro tivermos um aluno soldado como candidato a um cargo eletivo alardeando que nos representará.



sábado, 13 de julho de 2019

FILANTROPIA

Filantropia

Um gesto de amor faz toda a diferença

sábado, 6 de julho de 2019

SEM SEQUELA

Sem sequela

Você já riu com os vídeos "Mais um que aposentou sem sequela"?

quarta-feira, 3 de julho de 2019

PATRIMÔNIO INCOMPATÍVEL

Patrimônio incompatível

Sobre matéria no jornal Folha de São Paulo denunciando diretores da Associação de Cabos e Soldados com patrimônio pessoal incompatível com o salário que recebem como funcionários públicos.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Usurpadores da Polícia Militar


Usurpadores da Polícia Militar


A afronta do policial militar gay no último final de semana – que, durante o seu turno de serviço e em desobediência à determinação de seus superiores, fez um circo autopromocional e pediu o namorado em casamento - dá mostras de como as polícias militares são usurpadas por aproveitadores.

Percorrendo o país e observando o cotidiano das polícias militares constatei que, do público interno aos falsos amigos, a querida Polícia Militar, que tanto exigiu dos seus profissionais dedicação, idealismo e amor, tem seu prestígio subtraído por habilidosos furtadores, que pouco ou quase nada a ela devolvem.

No caso do PM gay, é compreensível a utilização do uniforme para conquista dos seus objetivos, pois se o fizesse sem a farda, rodeado de milhares dos seus pares coloridos, certamente se manteria no anonimato. Quando expõe seu orgulho vestindo a nossa farda, ganha a notoriedade e simultaneamente avilta, ultraja profissionais que ao longo da História deixaram um legado de honradez e glória escrito com o próprio sangue, levando à ultima instância um compromisso assumido com o povo numa manhã qualquer em que se semeava a esperança.

Na mídia podre do país, não tardarão as prolíficas manifestações elogiosas à “coragem” do impetuoso policial militar que desafiara os rígidos padrões da caserna para firmar posição na luta contra o preconceito. A rebeldia, que aos policiais comuns representaria uma reprimenda expulsória, renderá ao atrevido uma promoção à condição de celebridade. Nesse contexto da prevalência do pós-verdade, que costura o estado de plena anomia, esse enredo nefasto ultrapassa todos os pressupostos da razoabilidade. Não se trata de rebeldia, configura-se vilipêndio dos valores que consagram as Instituições. Quando essas pessoas saqueiam o prestígio da Polícia Militar, não o fazem propriamente ao estado, mas a todos policiais que trabalharam dignamente para cumprir o seu mister. Saqueiam também os familiares dos policiais mortos em combate.

Ora, tanta gente sacrificou sua família, saúde, sonhos e até a vida para vir um ambicioso qualquer e associar a sua imagem à farda, à viatura, à arma e ao quartel da Polícia Militar para divulgar o seu interesse mesquinho! Sim, é mesquinha a luta que oprime em seu orgulho um grupo que sofre para cumprir o seu papel para alimentar propósitos – embora legais, porém desproporcionais –, conquistar o respeito ao prazer, que, na intimidade, não sofre interferência.

O pior é assistir, perplexo, à Polícia Militar refém desses aventureiros, numa autêntica síndrome de Estocolmo, enquanto sentimos a nossa capacidade de indignação transformar-se apenas em resmungos de “reacionários incapazes de inserir-se nos novos tempos”. Logo seremos achincalhados nas ruas e teremos direito apenas a um sorriso amarelo de resignação.




Mas a audácia não se resume a isso. Começa na busca de likes e seguidores. Há muito, a farda tem sido utilizada para propagar a sensualidade na internet, profana-se o sagrado manto com o qual homens e mulheres dignos alimentam a família. Está na hora de incluir o fenômeno chamado rede social, de forma específica, como cenário para o qual exista um rol de condutas éticas aceitáveis, visto que nem tudo que é bonito aos olhos necessariamente é sensato. Se não é aceito a qualquer profissional, imaginem ao agente público?

Ao longo dos anos as instituições policiais, a despeito da sua capacidade e preparo técnico para enfrentar os perigosos inimigos da sociedade, têm se mostrado inábeis para se proteger dos usurpadores. Mas, até por uma questão de justiça, não se pode falar apenas desses casos sem citar os políticos. Eles deitam e rolam à custa do nosso prestígio. Coloquem na balança as vezes que utilizaram a imagem da PM e o que devolveram em conquista política. Claramente verão que a balança está pensa.

Quando se trata de tentar o ingresso na política, então, o despudor torna-se maior. No Rio de janeiro surgiu um soldado que, utilizando-se da sua excelente capacidade intelectual, vem gravando vídeos em reuniões de grupos de esquerda onde entrevista os participantes, alguns da liderança, com perguntas sobre marxismo, processo do Lula, entre outras capciosas, e expõe a fragilidade de argumento e despreparo de seus interlocutores sobre o assunto. Segue o perfil de denúncia e confronto utilizado pelo Movimento Brasil Livre – MBL do qual faz parte. Até aí, perfeito. Essa nova juventude brasileira articulada e com poder de mudança é bem-vinda, e o país exige que as antigas práticas políticas sejam substituídas.

O problema é que, diferente dos seus colegas de movimento que utilizaram o próprio nome para fazer política, este expõe em seu perfil nas redes sociais a farda, arma e viatura da PM carioca. Seria louvável se utilizasse o talento para engrandecer a instituição, contudo perde a mão quando bate de frente com a PM, contraria determinações, conforme fez o PM gay paulista. Ou seja, se fosse apenas o cidadão seria mais um, mas se destaca dos demais quando ostenta o uniforme.

Em que pese os muitos procedimentos administrativos a que responde, continua tornando pública essa relação tempestuosa que vive com a instituição. Com isso, deixa claro que, melhor que preservar o seu “sonho, ideal e amor profissional,” se torna mais conveniente investir na visibilidade que o conflito gera, pois ele colabora com a sua popularidade e, com ela, tem facilitado seu objetivo de obter a vitória da sua candidatura na próxima eleição.



Confesso que tenho dificuldades para acreditar nos ideais de quem pisa em tudo e todos para conquistar seus objetivos. E temos visto que algumas pessoas ficam cegas quando os querem atingir.

Também existem nesse rol de usurpadores os profissionais que se aproximam da instituição oferecendo algum tipo de trabalho e, após conquistarem prestígio e confiança dos militares, se apropriam de conteúdos valiosos - seja uma informação ou imagem - para, no momento oportuno, utilizá-las contra a própria instituição, caso tenham seus interesses contrariados.

Sabemos que o policial, por muito menos, é reprimido na primeira tentativa e, se insistir, ganha uma bota nos fundilhos e está resolvido o problema. Mas esses espertalhões afrontam o sistema e permanecem dentro dele. E não falo de um estado específico, eles estão em todo canto. Se fosse velado, tudo bem, mas é público e amplamente divulgado. O silêncio desperta a curiosidade para a dimensão do problema.

Como tem acontecido em toda sociedade, está chegando às PMs as investigações afiadas que já colocaram poderosos na cadeia. Não é uma questão pessoal, longe disso, cada um dará conta de si e, confesso, sinceramente, não tenho prazer no infortúnio de ninguém. Tampouco apraz a impunidade.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Lições de uma campanha política

Lições de uma campanha política
Na mitologia grega, a esfinge era um ser demoníaco que transmitia mau agouro, infortúnio e destruição. Traiçoeira e impiedosa, devorava quem fracassasse em responder seu enigma: ‘’Decifra-me, ou te devoro’’ – Qual o ser que pela manhã tem quatro pés, ao meio dia, dois, e à noite, três? Milhares de viajantes conheceram o crepúsculo inesperado de suas vidas na porta da cidade de Tebas, onde o tenebroso ser ficava, por não desvendar o mistério. Até que um dia, o rei de Tebas ofereceu a realeza para quem conseguisse destruir o monstro, e um jovem chamado Édipo respondeu ao enigma.: o ‘Homem’. Novo, engatinha; crescido, anda com dois pés; na velhice, apoia-se a uma bengala. Conta-se que, furiosa, a Esfinge jogou-se de um precipício, e outra lenda diz que ela devorou a si própria.

Finalmente, senti na carne as lições desse mito, ao ser devorado pela convivência com o monstro da política brasileira. Percebi que não basta ser homem, tampouco descobrir que manter dois pés no chão pode ser ainda o engatinhar na memória de um cidadão que mal tem noção das implicações de suas escolhas.

Sou de um tempo em que o Policial Militar era apolítico; aliás, ao soldado nem sequer se estendia o direito a voto, e o político, quando não inimigo declarado, era olhado com desconfiança. Essa indiferença acrescida de uma postura rudimentar não tardaria a nos tornar inimigos número um da sociedade, que odiávamos.

Como todo bom soldado bandeirante, nunca me omiti, e desde cedo descobri que não seria uma banana para o público alvo que nos livraria da execração pública; assim, passei a contrariar o arquétipo cultuado na caserna e adicionei ao meu destemor o policial cidadão. 

No início dos anos 2000, cheguei ao auge da minha popularidade, depois de ter servido no CPA-M/5, ROTA, PM/5, Rotac/Campinas, CFAP e Diretoria de Ensino, onde fazia parte da equipe de Videotreinamento e produzia reportagens em que atuava como repórter, transmitidas em todos quartéis do Estado. O lançamento do meu CD De Polícia conquistou ampla difusão na mídia paulista e brasileira, em rádios, jornais e revistas. Houve dia de participar de três programas em canais de televisão distintos. 

Não tardaria o reconhecimento nas ruas pelos civis. Certa vez, em Campinas, ao prender um traficante, ele esqueceria o momento fatídico por me reconhecer. Sentiu-se privilegiado.

Nessa época, assediaram-me pela primeira vez para ser candidato a um cargo político. Refutaria prontamente. Não fazia sentido para mim fugir da missão que escolhera, ainda em curso. Ao final daquela década, aposentar-me-ia, e, mais uma vez, a política espreitou-me, abordou-me , entretanto já decidira que minha vida na Polícia Militar não se encerraria com uma publicação fria no Diário Oficial, como as notas de falecimento que poucos leem nos jornais. Assim, decidi conhecer as polícias, o magma comum que nos forja.

Vi abrir as estradas do Brasil, o céu, os mares, o mundo. Fui bem acolhido em todos os lugares, da América à Europa. A cada experiência vivida, meu valor refletia além de mim; finalmente, percebi que não era um iludido com os ideais que até então cultivara.

No final de 2016, a política bateria novamente a minha porta, dessa feita por intermédio de um dos meus primeiros rondantes setoriais, do ainda recruta Soldado Lago. Após anos sem contato, numa abordagem cuidadosa, massagearia meu ego ao reconhecer em mim preparo para representar os policiais militares. O Sargento Wilson compusera um grupo de policiais, a maioria do CPA-M/5, no final dos anos 70, que, a despeito das perseguições impostas a qualquer ação reivindicatória, lutava em favor dos interesses dos policiais. Agradeci suas considerações e, mais uma vez, declinaria o convite. 


No ano seguinte, após inúmeras homenagens conquistadas país afora, uma ironia que eu publicaria na internet ganharia publicidade, e a ousadia me faria merecer três dias de reflexão no quartel. Não compreenderia a função correcional. Desejei protestar, mas fui juridicamente orientado a não fazê-lo, pois, segundo a mesma orientação, em condições semelhantes a minha, apenas o poderia com imunidade parlamentar. 

A conversa com o sargento Wilson começou fazer sentido para mim. Também pesou o desinteresse dos políticos e candidatos pela pesquisa que eu fizera pelo país. Nenhum deles me procurou com objetivo de saber a realidade da nossa profissão. Apenas se interessaram por fotos promocionais, nada mais. Eu indagava: como têm interesse em nos representar sem se importar com o que de fato necessitamos? Ora, a maioria não conhece sequer a PM paulista, mas se candidata a representar nossos interesses! Seria os nossos ou os deles? Na prática temos visto que os deles.

Em pouco tempo já havia um grupo reunido, uma sala de escritório no centro de São Paulo e muita expectativa em torno do meu nome. Eram pessoas que respeitavam minha história, amigos que se uniram ao projeto, dispostos a contribuírem para que apresentássemos propostas claras e sérias, elaboradas por uma equipe competente de profissionais técnicos e com ajuda dos especialistas do marketing político. Cada um ofereceu o que estava ao seu alcance.

Chegada a campanha, as experiências negativas de uma eleição se evidenciaram. Alguns me veriam como bolsão de empregos; outros, descaradamente atuavam como Judas, entre outras imposturas. Mas o mais lamentável seria a escassez de ética e de compromisso de alguns candidatos da classe. 


Cheguei a participar de reuniões com alguns Praças, e o discurso insistia em tomar o caminho do “nós contra eles” numa referência a Praças x Oficiais. Não resisti a tamanha pequenez e decidi me afastar; pois , no fatiamento de uma representação, não existem vencedores. Se não nos mantivermos juntos, permaneceremos desarticulados. Unindo oficiais e praças, a PM de Sergipe conseguiu, em 2010, eleger o capitão Samuel com votação quatro vezes maior que o efetivo da PM local. Também essa união lhes permitiu a conquista do segundo maior salário do país, pasmem, o menor estado da federação.

Pior que ouvir o discurso do “nós contra eles” foram as sessões de fotos e abraços com “eles”, mostrando que não sustentam as próprias ideias, ainda que equivocadas. Seria motivo de felicidade se esses abraços e fotos fossem de fato uma mudança de postura, porém a eleição provou que era apenas oportunismo, pois na primeira oportunidade o Praça eleito gravou vídeo atacando “eles”.

Acho que a pior parte de uma campanha é exatamente a falta de caráter, o vale tudo pela conquista dos votos levado às últimas consequências, enquanto o eleitor é tratado apenas como número. Ao policial militar é imperativa a obrigação moral de diferenciar-se das camadas putrefatas da política, porque a retidão nos distingue e nos eleva. Não foi à toa que a sociedade nos elegeu como porto seguro de suas esperanças no momento de desespero e degradação moral e confiou uma fatia expressiva de votos aos candidatos militares.

Infelizmente, não compreendemos esses pressupostos. Apesar de treinados para decidir numa ocorrência em fração de segundos, nossos policiais não conseguem distinguir o engodo da sinceridade, o bisonho do habilitado, o embusteiro do confiável. O que dizer da “Derrubada”, das audiências no Tribunal de Justiça Militar como mérito em uma plataforma política bem-sucedida? Isso representa uma vitória de Pirro, o general que ganhava a guerra à custa da aniquilação do próprio exército e da expropriação dos próprios recursos. Ora, o policial possui outros recursos e potencial a ser enaltecido além de “matador”. Pelo menos todos estão treinados para isso. O que nos difere são as oportunidades, necessidades. No campo político as armas utilizadas são outras e exige habilidade maior que as letais, para conquista dos objetivos. 


Outros valorizam os gritos, as discussões, os barracos, as “denúncias” algumas até com temas infantis; mas não se observa a condição ética, moral e intelectual do candidato. Na prática estamos vendo se repetirem os mesmos erros do passado e, apesar de muitos militares eleitos, ainda não descobrimos quem será nosso representante de fato, e todos já estão se articulando para a perpetuação no poder.

Observem que para se elegerem usam o nome da PM, após eleitos, já nos primeiros discursos citam as guardas municipais, guardas de presídios, Polícia Científica etc. Qual o motivo? Aumentar o eleitorado. Também promovem reuniões que fortaleçam seus grupos políticos, mas cuidar dos interesses dos eleitores fica pra segundo plano. A prioridade já passa ser a reeleição.

Por essas e outras que decidi entrar efetivamente nas questões políticas.

O idealismo que me move, conduziu-me a contrair empréstimos na COOPMIL para gravar discos; utilizar todo dinheiro ganho em uma ação judicial para viajar fazendo pesquisas, enquanto meus colegas compravam carros, sítio etc ; vender o único carro para publicar um livro e, não só desprovido da ambição financeira, também da vaidade. O valor sentimental de usar o Sargento como nome artístico significa muito mais que o da promoção imediata recebida. Por isso, não importa qual será o resultado dos pleitos que eventualmente eu venha participar. Importa que, a partir de então, inicio meu compromisso de ser a voz silenciada do povo, que deseja gritar, ainda que por meio do discurso indireto e subliminar.

Ah! O mito que introduziu este artigo refere-se à importância do autoconhecimento, bem apropriado à nossa instituição, pois aqui se perseguem os métodos e as gestões de corporações de todo o mundo e, contraditoriamente, não se aprofunda no conhecimento da nossa própria essência. Somente quando desvendarmos o enigma de quem verdadeiramente somos, eliminaremos a autofagia que nos consome e destruiremos o monstro político que nos devora com cargas desumanas de trabalho, salários indignos e sepultamentos em vida. 

Jingle de campanha
Proposta para Educação




quinta-feira, 13 de junho de 2019

Governador João Doria atende solicitação do Sargento Lago

Governador João Doria atende solicitação do Sargento Lago


Embora não tenha respondido formalmente a Carta Aberta publicada neste blog há uma semana, na manhã desta quinta-feira (13/6), o governador João Doria atendeu a solicitação contida na missiva e esteve no Quartel do Comando Geral, na Praça Coronel Fernando Prestes, 115, Bom Retiro, na capital paulista e reforçou sua promessa de campanha de tornar o salário dos policiais militares um dos maiores do país.

Podem imaginar que dizer que fui atendido seja pretensão. Talvez seja, mas no passado, exatamente em 2011, a postagem Presidenta, sim. Comandanta, não! também teve essa "coincidência", quando eu abordava a falta de oportunidade às mulheres em assumir determinados quadros.



sexta-feira, 7 de junho de 2019

Carta aberta ao governador João Doria

Carta aberta ao governador João Doria

Foto redes sociais do governador

Excelentíssimo Senhor governador do Estado de São Paulo, João Dória. Trata-se de uma idiossincrasia dos policiais militares deste estado a incredulidade com os políticos, afinal inúmeros postulantes ao magno ofício do executivo, ao longo da nossa história recente, apelaram para o prestígio da nossa instituição e para a lealdade dos seus homens para capitanear credibilidade, sob a promessa de lhes conferir reconhecimento e valorização que se traduziriam em benefícios ao povo, compromisso facilmente atirado na vala do esquecimento. 

A despeito de a minha índole compartilhar da mesma fonte, como voto de confiança, escolhi acreditar que o Senhor cumprirá a promessa de campanha de que restaurará a dignidade da classe policial, não somente pela promoção de melhores condições de trabalho mas também com a recomposição salarial. É mais sensato acreditar no Senhor, que depois de eleito renova o compromisso de concretizar esse benefício, que naqueles que se designam nossos representantes, e, insensíveis a nossa penúria, preferem o embate político, colocando em risco a conquista dos nossos interesses.  


Problemas de toda ordem corroem-nos a dignidade, sentimo-nos farrapos, à medida que os anos se passam, ao ver diminuir nosso parco poder aquisitivo, enquanto a saúde física e psíquica já não permite enfrentar essa guerra fria que os políticos travam em busca de seu melhor lugar ao sol enquanto a família policial há muito vive dias nublados.

Alguns dos meus companheiros, após terem sido heróis defendendo a sociedade, agora, no crepúsculo da vida, definham sem compreender as humilhações impostas por uma nova realidade de uma aposentadoria que nem sequer lhes permite ser heróis de seus familiares. Pior, o corpo arqueja, o orgulho desfaz-se e sepulta o herói em vida. Por isso aumentou em 275% o suicídio de PMs veteranos. 

                 

Sensível a todo esse caos, o senhor certamente está cuidando dessa reparação que dignifica todo efetivo da PM paulista, ativos e inativos, mas o temor é que, em decorrência desse engodo existente entre nós, se sepulte nossa esperança, e essas manifestações equivocadas e oportunistas, que preferem o confronto autopromocional à negociação, punam toda a Instituição com o mesmo arrocho salarial promovido por seu antecessor, para que esses políticos não surfem na sua onda. 

Por isso pedimos que vossa excelência se antecipe a essas manobras e estabeleça um diálogo direto conosco, pois não nos sentimos representados.


quarta-feira, 5 de junho de 2019

VOCÊ ESTÁ SE CUIDANDO?

Você está se cuidando?

 Reflexão inspirada no poema do cantor Vander Lee.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Você apoia este canal?

O apoio é mais efetivo quando você se inscreve no canal, curte, comenta e compartilha. Se você concorda com o que foi dito, materialize seu apoio para que mais pessoas possam receber a mensagem.

ARTILHEIRO DE 1 GOL

Artilheiro de 1 gol

Como no futebol, na política também temos artilheiros de único gol

domingo, 2 de junho de 2019

REFLEXÃO

Ocorrência para o policial deve ser como a comida. Lembrar do almoço de ontem não vai matar a fome de hoje.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

NEPOTISMO

Nepotismo

Saiba, em 1 minuto, como o político burla o nepotismo.

sábado, 25 de maio de 2019

VELHO OU IDOSO ?

Velho ou idoso?

MULHERES INVISÍVEIS

Mulheres invisíveis

INIMIGO INCOMUM

Inimigo incomum

quinta-feira, 23 de maio de 2019

JOGANDO PRA TORCIDA

Jogando pra torcida

Quando o político imita o jogador de futebol.

INCENTIVO IRRESPONSÁVEL

Incentivo irresponsável

Este vídeo é uma homenagem aos grandes policiais que, na única vez que erraram, foram privados de fazer o que mais gostavam: exercer sua profissão.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA

Importância da família

Dia 15 de maio é o Dia da Família

segunda-feira, 13 de maio de 2019

SILÊNCIO

Silêncio

Tem hora que ele é fundamental

quinta-feira, 9 de maio de 2019

INVEJA

INVEJA
O que é e o que causa a inveja?

quarta-feira, 8 de maio de 2019

INFORMAÇÃO OU CONHECIMENTO ?

Informação ou conhecimento?

Recebemos mais informação em um dia que uma pessoa comum recebia durante toda a vida, na idade Média.

sábado, 4 de maio de 2019

Que haja paz

QUE HAJA PAZ

Policial especializada em mediar conflito


Casal restabelece união após mediação da Sargento Faganelli



No passado, quando a viatura ia para um local de ocorrência onde o Centro de Operações da Polícia Militar - COPOM informava o C-04, código de desinteligência, o patrulheiro tinha que preparar o espírito para todo tipo de surpresa. Agora o chamado “Zulu” tem preparo específico para o atendimento.

Em São José do Rio Preto a Sargento Faganelli, do Núcleo de Mediação Comunitária – NUMEC, do 17º Batalhão de Polícia Militar do Interior, vem se destacando pelo seu preparo no atendimento dessas ocorrências e o trabalho já virou referência.

Há vinte e três anos na corporação e casada há trinta com um policial militar, Valquíria Faganelli Salmerón, que é mãe de duas filhas, se especializou na mediação de conflitos e tem obtido êxito nas conciliações.

O sucesso profissional tornou a policial referência nos diversos temas onde o desentendimento e a intolerância predominam. Hoje as solicitações que recebe, além das mediações de conflitos em casos de perturbação de sossego, acidente transito e desentendimento entre vizinhos, também é solicitada para proferir palestras preventivas, estendendo sua jornada de trabalho para as suas horas de folga, para prevenir e orientar mulheres em condição de violência.

Das muitas ocorrências atendidas, uma se destaca pela gravidade. O marido estava em conflito com a esposa e tinha ideia fixa num desfecho mais trágico, mas aceitou não seguir em frente em seu intento, após a intervenção da policial. Com a paz restabelecida, o episódio, que restou como uma triste lembrança pela desavença, marcou o início de mudança de comportamento na vida do casal.

Desde a inauguração do Núcleo de Mediação Comunitária, a área do Comando de Policiamento do Interior (CPI-5), sediada em São José do Rio Preto e composta por 96 municípios, os índices de perturbação de sossego e ameaça caiu 40%. Desentendimentos entre inquilino e proprietário, entre ex-casais e até entre amigos também são atendidos. O índice de resolução é de 70%, segundo estimativa da Polícia Militar.

A ideia foi contemplada com o Prêmio Mario Covas, que tem o objetivo de promover práticas inovadoras que aprimoram a qualidade dos serviços públicos. Ao todo foram mais de 300 concorrentes na 10ª edição. A iniciativa dos Núcleos de Mediação Comunitária da Polícia Militar concorreu na categoria “Inovação em Gestão Estadual”.

Palestra sobre feminicídio

Sargento Faganelli e sua família