domingo, 18 de agosto de 2019

MINANDO O MITO

O povo precisa entender a gravidade do momento

 


quarta-feira, 14 de agosto de 2019

CAUSANDO SEM CAUSA

domingo, 11 de agosto de 2019

INJUSTIÇA EM NOME DA LEI

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

SONO DA DISCÓRDIA

sábado, 3 de agosto de 2019

De HERÓIS A VILÕES

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Do cochilo ao vacilo


Do cochilo ao vacilo

Dois acontecimentos relevantes foram temas de debates nos grupos policiais na última semana: os policiais que foram surpreendidos dormindo em serviço e as manifestações em frente ao Palácio dos Bandeirantes, reivindicando aumento salarial para os policiais militares. Nos dois casos assistimos a ações patéticas de políticos que insistem nas velhas práticas que, de tanta falta de criatividade, entalam em nossas gargantas um grito de desagravo e nos obrigam a manifestação.

Quase passaram despercebidos os protestos dos políticos em defesa dos policiais que dormiram no serviço durante escala na DEJEM - serviço extra, criado pelo governo para complementação do soldo do policial e evitar a pressão por aumento salarial. Gravaram-se vídeos acusando a Corregedoria de insensibilidade com a necessidade do policial; entretanto, desde a criação da Polícia Militar, em 1831, que dormir no trabalho representa uma conduta intolerável, quase uma traição ao nosso idealismo. E isso é simples de explicar, visto que a  natureza da função de guardiões da sociedade impõe um caráter quase impossível de alcançar: a infalibilidade. Assim, quando o policial militar desguarnece intencionalmente a vigilância, expõe os cidadãos a perigo, com a agravante de aumentar-lhe a vulnerabilidade, já que supõe encontrar-se resguardado. 

Em qualquer empresa privada a prática também sofreria punição. Mas os políticos, com o objetivo de fazer média com a tropa, preferiu a defesa do indefensável e soou ridícula a manifestação.

Quem realmente tem interesse em defender a causa dos policiais, em vez desses alardes, deveria demonstrar às autoridades o esgotamento físico da tropa em suas extenuantes cargas de trabalho, embasando com laudos médicos e outras perícias que se fizerem necessárias, para sensibilizar a urgência do aumento salarial, e não de trabalho.

Pior que isso é saber que  policiais brincam com a própria sorte ao expor suas vidas dormindo fardado dentro do carro e em local público, numa época em que, cada vez mais, a vida dele vale menos.

Do outro caso resta ainda mais tristeza, ao concluir que - embora tenhamos o maior número de representantes de todos os tempos - de tão mal preparados, nos fazem temer que, buscando a vitória, façam gol contra, conforme registrei aqui no blog na Carta Aberta ao Governador João Dória.

Da manifestação propriamente, embora os parlamentares presentes representassem milhões de votos, não convenceram mais que cinquenta pessoas para assoprar apitos e interromper o trânsito, prática inclusive que, por ofício, tantas vezes coibiram, invocando o direito de ir e vir das pessoas.

As cenas exibidas ao vivo nas redes sociais mostraram um show de horrores. Uma parlamentar reclamando que não tinha onde “fazer xixi”, convocações aos berros para que outras pessoas saíssem de suas casas e viessem compor o grupo, troca de elogios entre recentes desafetos e outras bizarrices que certamente nunca contarão com o meu apoio. Aliás, pelo jeito, nem meu nem da maioria dos policiais militares, pois é isso que temos visto ao longo dos anos; manifestações esvaziadas.

A frequentar gabinetes políticos e reuniões infrutíferas que apenas geram fotos nas redes sociais, prefiro ações mais efetivas, como as que praticava enquanto se exibiam no Palácio dos Bandeirantes. Entregava na cidade de Areias, SP, doações de fraldas descartáveis que recolhi numa campanha feita na Capital para o Lar do IdosoEbenézer.

Pode parecer autopromocional, mas faço menção apenas para pontuar a diferença entre a fantasia e o concreto. Tanto não é que não explorei esse lado filantrópico que sempre realizei com minha família na minha campanha para deputado federal. Embora pudesse, pois é um trabalho social que iniciou com meu pai, em 1960, quando, junto com seu melhor amigo, comprou e doou um terreno com a finalidade de construir um asilo no início dos anos 80, trabalhou efetivamente na construção e dedicou-se nele por anos e está em pleno funcionamento até hoje, acolhendo cerca de quarenta e cinco idosos.

Foi com discrição e dedicação que construí minha carreira policial, atuando administrativamente nos grandes comandos e operacionalmente em diversos batalhões. Recentemente, tive o privilégio de ser convidado para desfilar no dia 9 de Julho como veterano de ROTA.

Após a aposentadoria, não satisfeito apenas em conhecer a intimidade da PM paulista, percorri todo o país em visita às policias militares, cuja pesquisa gerou o livro Papa Mike, que publiquei em 2016.

Considerando que hoje produzem e ganham créditos com fotos sem ações efetivas, faço esse relato para que compreendam minha indignação quando vejo pessoas se intitulando nossos representantes sem sequer conhecer a nossa PM. Se apressam em ser candidatos, sem o preparo devido e, de tanto venderem ilusão ao povo, acabam se elegendo para fazer esse papelão. Não será surpresa se no futuro tivermos um aluno soldado como candidato a um cargo eletivo alardeando que nos representará.



sábado, 13 de julho de 2019

FILANTROPIA

Filantropia

Um gesto de amor faz toda a diferença

sábado, 6 de julho de 2019

SEM SEQUELA

Sem sequela

Você já riu com os vídeos "Mais um que aposentou sem sequela"?

quarta-feira, 3 de julho de 2019

PATRIMÔNIO INCOMPATÍVEL

Patrimônio incompatível

Sobre matéria no jornal Folha de São Paulo denunciando diretores da Associação de Cabos e Soldados com patrimônio pessoal incompatível com o salário que recebem como funcionários públicos.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Usurpadores da Polícia Militar


Usurpadores da Polícia Militar


A afronta do policial militar gay no último final de semana – que, durante o seu turno de serviço e em desobediência à determinação de seus superiores, fez um circo autopromocional e pediu o namorado em casamento - dá mostras de como as polícias militares são usurpadas por aproveitadores.

Percorrendo o país e observando o cotidiano das polícias militares constatei que, do público interno aos falsos amigos, a querida Polícia Militar, que tanto exigiu dos seus profissionais dedicação, idealismo e amor, tem seu prestígio subtraído por habilidosos furtadores, que pouco ou quase nada a ela devolvem.

No caso do PM gay, é compreensível a utilização do uniforme para conquista dos seus objetivos, pois se o fizesse sem a farda, rodeado de milhares dos seus pares coloridos, certamente se manteria no anonimato. Quando expõe seu orgulho vestindo a nossa farda, ganha a notoriedade e simultaneamente avilta, ultraja profissionais que ao longo da História deixaram um legado de honradez e glória escrito com o próprio sangue, levando à ultima instância um compromisso assumido com o povo numa manhã qualquer em que se semeava a esperança.

Na mídia podre do país, não tardarão as prolíficas manifestações elogiosas à “coragem” do impetuoso policial militar que desafiara os rígidos padrões da caserna para firmar posição na luta contra o preconceito. A rebeldia, que aos policiais comuns representaria uma reprimenda expulsória, renderá ao atrevido uma promoção à condição de celebridade. Nesse contexto da prevalência do pós-verdade, que costura o estado de plena anomia, esse enredo nefasto ultrapassa todos os pressupostos da razoabilidade. Não se trata de rebeldia, configura-se vilipêndio dos valores que consagram as Instituições. Quando essas pessoas saqueiam o prestígio da Polícia Militar, não o fazem propriamente ao estado, mas a todos policiais que trabalharam dignamente para cumprir o seu mister. Saqueiam também os familiares dos policiais mortos em combate.

Ora, tanta gente sacrificou sua família, saúde, sonhos e até a vida para vir um ambicioso qualquer e associar a sua imagem à farda, à viatura, à arma e ao quartel da Polícia Militar para divulgar o seu interesse mesquinho! Sim, é mesquinha a luta que oprime em seu orgulho um grupo que sofre para cumprir o seu papel para alimentar propósitos – embora legais, porém desproporcionais –, conquistar o respeito ao prazer, que, na intimidade, não sofre interferência.

O pior é assistir, perplexo, à Polícia Militar refém desses aventureiros, numa autêntica síndrome de Estocolmo, enquanto sentimos a nossa capacidade de indignação transformar-se apenas em resmungos de “reacionários incapazes de inserir-se nos novos tempos”. Logo seremos achincalhados nas ruas e teremos direito apenas a um sorriso amarelo de resignação.




Mas a audácia não se resume a isso. Começa na busca de likes e seguidores. Há muito, a farda tem sido utilizada para propagar a sensualidade na internet, profana-se o sagrado manto com o qual homens e mulheres dignos alimentam a família. Está na hora de incluir o fenômeno chamado rede social, de forma específica, como cenário para o qual exista um rol de condutas éticas aceitáveis, visto que nem tudo que é bonito aos olhos necessariamente é sensato. Se não é aceito a qualquer profissional, imaginem ao agente público?

Ao longo dos anos as instituições policiais, a despeito da sua capacidade e preparo técnico para enfrentar os perigosos inimigos da sociedade, têm se mostrado inábeis para se proteger dos usurpadores. Mas, até por uma questão de justiça, não se pode falar apenas desses casos sem citar os políticos. Eles deitam e rolam à custa do nosso prestígio. Coloquem na balança as vezes que utilizaram a imagem da PM e o que devolveram em conquista política. Claramente verão que a balança está pensa.

Quando se trata de tentar o ingresso na política, então, o despudor torna-se maior. No Rio de janeiro surgiu um soldado que, utilizando-se da sua excelente capacidade intelectual, vem gravando vídeos em reuniões de grupos de esquerda onde entrevista os participantes, alguns da liderança, com perguntas sobre marxismo, processo do Lula, entre outras capciosas, e expõe a fragilidade de argumento e despreparo de seus interlocutores sobre o assunto. Segue o perfil de denúncia e confronto utilizado pelo Movimento Brasil Livre – MBL do qual faz parte. Até aí, perfeito. Essa nova juventude brasileira articulada e com poder de mudança é bem-vinda, e o país exige que as antigas práticas políticas sejam substituídas.

O problema é que, diferente dos seus colegas de movimento que utilizaram o próprio nome para fazer política, este expõe em seu perfil nas redes sociais a farda, arma e viatura da PM carioca. Seria louvável se utilizasse o talento para engrandecer a instituição, contudo perde a mão quando bate de frente com a PM, contraria determinações, conforme fez o PM gay paulista. Ou seja, se fosse apenas o cidadão seria mais um, mas se destaca dos demais quando ostenta o uniforme.

Em que pese os muitos procedimentos administrativos a que responde, continua tornando pública essa relação tempestuosa que vive com a instituição. Com isso, deixa claro que, melhor que preservar o seu “sonho, ideal e amor profissional,” se torna mais conveniente investir na visibilidade que o conflito gera, pois ele colabora com a sua popularidade e, com ela, tem facilitado seu objetivo de obter a vitória da sua candidatura na próxima eleição.



Confesso que tenho dificuldades para acreditar nos ideais de quem pisa em tudo e todos para conquistar seus objetivos. E temos visto que algumas pessoas ficam cegas quando os querem atingir.

Também existem nesse rol de usurpadores os profissionais que se aproximam da instituição oferecendo algum tipo de trabalho e, após conquistarem prestígio e confiança dos militares, se apropriam de conteúdos valiosos - seja uma informação ou imagem - para, no momento oportuno, utilizá-las contra a própria instituição, caso tenham seus interesses contrariados.

Sabemos que o policial, por muito menos, é reprimido na primeira tentativa e, se insistir, ganha uma bota nos fundilhos e está resolvido o problema. Mas esses espertalhões afrontam o sistema e permanecem dentro dele. E não falo de um estado específico, eles estão em todo canto. Se fosse velado, tudo bem, mas é público e amplamente divulgado. O silêncio desperta a curiosidade para a dimensão do problema.

Como tem acontecido em toda sociedade, está chegando às PMs as investigações afiadas que já colocaram poderosos na cadeia. Não é uma questão pessoal, longe disso, cada um dará conta de si e, confesso, sinceramente, não tenho prazer no infortúnio de ninguém. Tampouco apraz a impunidade.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Lições de uma campanha política

Lições de uma campanha política
Na mitologia grega, a esfinge era um ser demoníaco que transmitia mau agouro, infortúnio e destruição. Traiçoeira e impiedosa, devorava quem fracassasse em responder seu enigma: ‘’Decifra-me, ou te devoro’’ – Qual o ser que pela manhã tem quatro pés, ao meio dia, dois, e à noite, três? Milhares de viajantes conheceram o crepúsculo inesperado de suas vidas na porta da cidade de Tebas, onde o tenebroso ser ficava, por não desvendar o mistério. Até que um dia, o rei de Tebas ofereceu a realeza para quem conseguisse destruir o monstro, e um jovem chamado Édipo respondeu ao enigma.: o ‘Homem’. Novo, engatinha; crescido, anda com dois pés; na velhice, apoia-se a uma bengala. Conta-se que, furiosa, a Esfinge jogou-se de um precipício, e outra lenda diz que ela devorou a si própria.

Finalmente, senti na carne as lições desse mito, ao ser devorado pela convivência com o monstro da política brasileira. Percebi que não basta ser homem, tampouco descobrir que manter dois pés no chão pode ser ainda o engatinhar na memória de um cidadão que mal tem noção das implicações de suas escolhas.

Sou de um tempo em que o Policial Militar era apolítico; aliás, ao soldado nem sequer se estendia o direito a voto, e o político, quando não inimigo declarado, era olhado com desconfiança. Essa indiferença acrescida de uma postura rudimentar não tardaria a nos tornar inimigos número um da sociedade, que odiávamos.

Como todo bom soldado bandeirante, nunca me omiti, e desde cedo descobri que não seria uma banana para o público alvo que nos livraria da execração pública; assim, passei a contrariar o arquétipo cultuado na caserna e adicionei ao meu destemor o policial cidadão. 

No início dos anos 2000, cheguei ao auge da minha popularidade, depois de ter servido no CPA-M/5, ROTA, PM/5, Rotac/Campinas, CFAP e Diretoria de Ensino, onde fazia parte da equipe de Videotreinamento e produzia reportagens em que atuava como repórter, transmitidas em todos quartéis do Estado. O lançamento do meu CD De Polícia conquistou ampla difusão na mídia paulista e brasileira, em rádios, jornais e revistas. Houve dia de participar de três programas em canais de televisão distintos. 

Não tardaria o reconhecimento nas ruas pelos civis. Certa vez, em Campinas, ao prender um traficante, ele esqueceria o momento fatídico por me reconhecer. Sentiu-se privilegiado.

Nessa época, assediaram-me pela primeira vez para ser candidato a um cargo político. Refutaria prontamente. Não fazia sentido para mim fugir da missão que escolhera, ainda em curso. Ao final daquela década, aposentar-me-ia, e, mais uma vez, a política espreitou-me, abordou-me , entretanto já decidira que minha vida na Polícia Militar não se encerraria com uma publicação fria no Diário Oficial, como as notas de falecimento que poucos leem nos jornais. Assim, decidi conhecer as polícias, o magma comum que nos forja.

Vi abrir as estradas do Brasil, o céu, os mares, o mundo. Fui bem acolhido em todos os lugares, da América à Europa. A cada experiência vivida, meu valor refletia além de mim; finalmente, percebi que não era um iludido com os ideais que até então cultivara.

No final de 2016, a política bateria novamente a minha porta, dessa feita por intermédio de um dos meus primeiros rondantes setoriais, do ainda recruta Soldado Lago. Após anos sem contato, numa abordagem cuidadosa, massagearia meu ego ao reconhecer em mim preparo para representar os policiais militares. O Sargento Wilson compusera um grupo de policiais, a maioria do CPA-M/5, no final dos anos 70, que, a despeito das perseguições impostas a qualquer ação reivindicatória, lutava em favor dos interesses dos policiais. Agradeci suas considerações e, mais uma vez, declinaria o convite. 


No ano seguinte, após inúmeras homenagens conquistadas país afora, uma ironia que eu publicaria na internet ganharia publicidade, e a ousadia me faria merecer três dias de reflexão no quartel. Não compreenderia a função correcional. Desejei protestar, mas fui juridicamente orientado a não fazê-lo, pois, segundo a mesma orientação, em condições semelhantes a minha, apenas o poderia com imunidade parlamentar. 

A conversa com o sargento Wilson começou fazer sentido para mim. Também pesou o desinteresse dos políticos e candidatos pela pesquisa que eu fizera pelo país. Nenhum deles me procurou com objetivo de saber a realidade da nossa profissão. Apenas se interessaram por fotos promocionais, nada mais. Eu indagava: como têm interesse em nos representar sem se importar com o que de fato necessitamos? Ora, a maioria não conhece sequer a PM paulista, mas se candidata a representar nossos interesses! Seria os nossos ou os deles? Na prática temos visto que os deles.

Em pouco tempo já havia um grupo reunido, uma sala de escritório no centro de São Paulo e muita expectativa em torno do meu nome. Eram pessoas que respeitavam minha história, amigos que se uniram ao projeto, dispostos a contribuírem para que apresentássemos propostas claras e sérias, elaboradas por uma equipe competente de profissionais técnicos e com ajuda dos especialistas do marketing político. Cada um ofereceu o que estava ao seu alcance.

Chegada a campanha, as experiências negativas de uma eleição se evidenciaram. Alguns me veriam como bolsão de empregos; outros, descaradamente atuavam como Judas, entre outras imposturas. Mas o mais lamentável seria a escassez de ética e de compromisso de alguns candidatos da classe. 


Cheguei a participar de reuniões com alguns Praças, e o discurso insistia em tomar o caminho do “nós contra eles” numa referência a Praças x Oficiais. Não resisti a tamanha pequenez e decidi me afastar; pois , no fatiamento de uma representação, não existem vencedores. Se não nos mantivermos juntos, permaneceremos desarticulados. Unindo oficiais e praças, a PM de Sergipe conseguiu, em 2010, eleger o capitão Samuel com votação quatro vezes maior que o efetivo da PM local. Também essa união lhes permitiu a conquista do segundo maior salário do país, pasmem, o menor estado da federação.

Pior que ouvir o discurso do “nós contra eles” foram as sessões de fotos e abraços com “eles”, mostrando que não sustentam as próprias ideias, ainda que equivocadas. Seria motivo de felicidade se esses abraços e fotos fossem de fato uma mudança de postura, porém a eleição provou que era apenas oportunismo, pois na primeira oportunidade o Praça eleito gravou vídeo atacando “eles”.

Acho que a pior parte de uma campanha é exatamente a falta de caráter, o vale tudo pela conquista dos votos levado às últimas consequências, enquanto o eleitor é tratado apenas como número. Ao policial militar é imperativa a obrigação moral de diferenciar-se das camadas putrefatas da política, porque a retidão nos distingue e nos eleva. Não foi à toa que a sociedade nos elegeu como porto seguro de suas esperanças no momento de desespero e degradação moral e confiou uma fatia expressiva de votos aos candidatos militares.

Infelizmente, não compreendemos esses pressupostos. Apesar de treinados para decidir numa ocorrência em fração de segundos, nossos policiais não conseguem distinguir o engodo da sinceridade, o bisonho do habilitado, o embusteiro do confiável. O que dizer da “Derrubada”, das audiências no Tribunal de Justiça Militar como mérito em uma plataforma política bem-sucedida? Isso representa uma vitória de Pirro, o general que ganhava a guerra à custa da aniquilação do próprio exército e da expropriação dos próprios recursos. Ora, o policial possui outros recursos e potencial a ser enaltecido além de “matador”. Pelo menos todos estão treinados para isso. O que nos difere são as oportunidades, necessidades. No campo político as armas utilizadas são outras e exige habilidade maior que as letais, para conquista dos objetivos. 


Outros valorizam os gritos, as discussões, os barracos, as “denúncias” algumas até com temas infantis; mas não se observa a condição ética, moral e intelectual do candidato. Na prática estamos vendo se repetirem os mesmos erros do passado e, apesar de muitos militares eleitos, ainda não descobrimos quem será nosso representante de fato, e todos já estão se articulando para a perpetuação no poder.

Observem que para se elegerem usam o nome da PM, após eleitos, já nos primeiros discursos citam as guardas municipais, guardas de presídios, Polícia Científica etc. Qual o motivo? Aumentar o eleitorado. Também promovem reuniões que fortaleçam seus grupos políticos, mas cuidar dos interesses dos eleitores fica pra segundo plano. A prioridade já passa ser a reeleição.

Por essas e outras que decidi entrar efetivamente nas questões políticas.

O idealismo que me move, conduziu-me a contrair empréstimos na COOPMIL para gravar discos; utilizar todo dinheiro ganho em uma ação judicial para viajar fazendo pesquisas, enquanto meus colegas compravam carros, sítio etc ; vender o único carro para publicar um livro e, não só desprovido da ambição financeira, também da vaidade. O valor sentimental de usar o Sargento como nome artístico significa muito mais que o da promoção imediata recebida. Por isso, não importa qual será o resultado dos pleitos que eventualmente eu venha participar. Importa que, a partir de então, inicio meu compromisso de ser a voz silenciada do povo, que deseja gritar, ainda que por meio do discurso indireto e subliminar.

Ah! O mito que introduziu este artigo refere-se à importância do autoconhecimento, bem apropriado à nossa instituição, pois aqui se perseguem os métodos e as gestões de corporações de todo o mundo e, contraditoriamente, não se aprofunda no conhecimento da nossa própria essência. Somente quando desvendarmos o enigma de quem verdadeiramente somos, eliminaremos a autofagia que nos consome e destruiremos o monstro político que nos devora com cargas desumanas de trabalho, salários indignos e sepultamentos em vida. 

Jingle de campanha
Proposta para Educação




quinta-feira, 13 de junho de 2019

Governador João Doria atende solicitação do Sargento Lago

Governador João Doria atende solicitação do Sargento Lago


Embora não tenha respondido formalmente a Carta Aberta publicada neste blog há uma semana, na manhã desta quinta-feira (13/6), o governador João Doria atendeu a solicitação contida na missiva e esteve no Quartel do Comando Geral, na Praça Coronel Fernando Prestes, 115, Bom Retiro, na capital paulista e reforçou sua promessa de campanha de tornar o salário dos policiais militares um dos maiores do país.

Podem imaginar que dizer que fui atendido seja pretensão. Talvez seja, mas no passado, exatamente em 2011, a postagem Presidenta, sim. Comandanta, não! também teve essa "coincidência", quando eu abordava a falta de oportunidade às mulheres em assumir determinados quadros.



sexta-feira, 7 de junho de 2019

Carta aberta ao governador João Doria

Carta aberta ao governador João Doria

Foto redes sociais do governador

Excelentíssimo Senhor governador do Estado de São Paulo, João Dória. Trata-se de uma idiossincrasia dos policiais militares deste estado a incredulidade com os políticos, afinal inúmeros postulantes ao magno ofício do executivo, ao longo da nossa história recente, apelaram para o prestígio da nossa instituição e para a lealdade dos seus homens para capitanear credibilidade, sob a promessa de lhes conferir reconhecimento e valorização que se traduziriam em benefícios ao povo, compromisso facilmente atirado na vala do esquecimento. 

A despeito de a minha índole compartilhar da mesma fonte, como voto de confiança, escolhi acreditar que o Senhor cumprirá a promessa de campanha de que restaurará a dignidade da classe policial, não somente pela promoção de melhores condições de trabalho mas também com a recomposição salarial. É mais sensato acreditar no Senhor, que depois de eleito renova o compromisso de concretizar esse benefício, que naqueles que se designam nossos representantes, e, insensíveis a nossa penúria, preferem o embate político, colocando em risco a conquista dos nossos interesses.  


Problemas de toda ordem corroem-nos a dignidade, sentimo-nos farrapos, à medida que os anos se passam, ao ver diminuir nosso parco poder aquisitivo, enquanto a saúde física e psíquica já não permite enfrentar essa guerra fria que os políticos travam em busca de seu melhor lugar ao sol enquanto a família policial há muito vive dias nublados.

Alguns dos meus companheiros, após terem sido heróis defendendo a sociedade, agora, no crepúsculo da vida, definham sem compreender as humilhações impostas por uma nova realidade de uma aposentadoria que nem sequer lhes permite ser heróis de seus familiares. Pior, o corpo arqueja, o orgulho desfaz-se e sepulta o herói em vida. Por isso aumentou em 275% o suicídio de PMs veteranos. 

                 

Sensível a todo esse caos, o senhor certamente está cuidando dessa reparação que dignifica todo efetivo da PM paulista, ativos e inativos, mas o temor é que, em decorrência desse engodo existente entre nós, se sepulte nossa esperança, e essas manifestações equivocadas e oportunistas, que preferem o confronto autopromocional à negociação, punam toda a Instituição com o mesmo arrocho salarial promovido por seu antecessor, para que esses políticos não surfem na sua onda. 

Por isso pedimos que vossa excelência se antecipe a essas manobras e estabeleça um diálogo direto conosco, pois não nos sentimos representados.


quarta-feira, 5 de junho de 2019

VOCÊ ESTÁ SE CUIDANDO?

Você está se cuidando?

 Reflexão inspirada no poema do cantor Vander Lee.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Você apoia este canal?

O apoio é mais efetivo quando você se inscreve no canal, curte, comenta e compartilha. Se você concorda com o que foi dito, materialize seu apoio para que mais pessoas possam receber a mensagem.

ARTILHEIRO DE 1 GOL

Artilheiro de 1 gol

Como no futebol, na política também temos artilheiros de único gol

domingo, 2 de junho de 2019

REFLEXÃO

Ocorrência para o policial deve ser como a comida. Lembrar do almoço de ontem não vai matar a fome de hoje.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

NEPOTISMO

Nepotismo

Saiba, em 1 minuto, como o político burla o nepotismo.

sábado, 25 de maio de 2019

VELHO OU IDOSO ?

Velho ou idoso?

MULHERES INVISÍVEIS

Mulheres invisíveis

INIMIGO INCOMUM

Inimigo incomum

quinta-feira, 23 de maio de 2019

JOGANDO PRA TORCIDA

Jogando pra torcida

Quando o político imita o jogador de futebol.

INCENTIVO IRRESPONSÁVEL

Incentivo irresponsável

Este vídeo é uma homenagem aos grandes policiais que, na única vez que erraram, foram privados de fazer o que mais gostavam: exercer sua profissão.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA

Importância da família

Dia 15 de maio é o Dia da Família

segunda-feira, 13 de maio de 2019

SILÊNCIO

Silêncio

Tem hora que ele é fundamental

quinta-feira, 9 de maio de 2019

INVEJA

INVEJA
O que é e o que causa a inveja?

quarta-feira, 8 de maio de 2019

INFORMAÇÃO OU CONHECIMENTO ?

Informação ou conhecimento?

Recebemos mais informação em um dia que uma pessoa comum recebia durante toda a vida, na idade Média.

sábado, 4 de maio de 2019

Que haja paz

QUE HAJA PAZ

Policial especializada em mediar conflito


Casal restabelece união após mediação da Sargento Faganelli



No passado, quando a viatura ia para um local de ocorrência onde o Centro de Operações da Polícia Militar - COPOM informava o C-04, código de desinteligência, o patrulheiro tinha que preparar o espírito para todo tipo de surpresa. Agora o chamado “Zulu” tem preparo específico para o atendimento.

Em São José do Rio Preto a Sargento Faganelli, do Núcleo de Mediação Comunitária – NUMEC, do 17º Batalhão de Polícia Militar do Interior, vem se destacando pelo seu preparo no atendimento dessas ocorrências e o trabalho já virou referência.

Há vinte e três anos na corporação e casada há trinta com um policial militar, Valquíria Faganelli Salmerón, que é mãe de duas filhas, se especializou na mediação de conflitos e tem obtido êxito nas conciliações.

O sucesso profissional tornou a policial referência nos diversos temas onde o desentendimento e a intolerância predominam. Hoje as solicitações que recebe, além das mediações de conflitos em casos de perturbação de sossego, acidente transito e desentendimento entre vizinhos, também é solicitada para proferir palestras preventivas, estendendo sua jornada de trabalho para as suas horas de folga, para prevenir e orientar mulheres em condição de violência.

Das muitas ocorrências atendidas, uma se destaca pela gravidade. O marido estava em conflito com a esposa e tinha ideia fixa num desfecho mais trágico, mas aceitou não seguir em frente em seu intento, após a intervenção da policial. Com a paz restabelecida, o episódio, que restou como uma triste lembrança pela desavença, marcou o início de mudança de comportamento na vida do casal.

Desde a inauguração do Núcleo de Mediação Comunitária, a área do Comando de Policiamento do Interior (CPI-5), sediada em São José do Rio Preto e composta por 96 municípios, os índices de perturbação de sossego e ameaça caiu 40%. Desentendimentos entre inquilino e proprietário, entre ex-casais e até entre amigos também são atendidos. O índice de resolução é de 70%, segundo estimativa da Polícia Militar.

A ideia foi contemplada com o Prêmio Mario Covas, que tem o objetivo de promover práticas inovadoras que aprimoram a qualidade dos serviços públicos. Ao todo foram mais de 300 concorrentes na 10ª edição. A iniciativa dos Núcleos de Mediação Comunitária da Polícia Militar concorreu na categoria “Inovação em Gestão Estadual”.

Palestra sobre feminicídio

Sargento Faganelli e sua família




domingo, 28 de abril de 2019

INATIVO OU VETERANO

INATIVO OU VETERANO?

Após cumprir sua missão na atividade policial, PMs paulistas reivindicam o tratamento de VETERANO e não INATIVO, como normalmente são chamados.


quarta-feira, 24 de abril de 2019

Carta aberta ao Deputado Estadual Sgt Neri

Foto: José Antonio Teixeira

Prezado deputado Sargento Neri,

Resolvi escrever esse texto em razão do incômodo silêncio que vem, paulatinamente, matando as esperanças dos policiais militares.

        Tenho acompanhado sua atuação  parlamentar  com muita preocupação, principalmente por  seu mandato representar uma enorme oportunidade de resgatar a importância da participação política dos praças. Aliás, antes que minha iniciativa de reportar-me a Vossa Excelência seja confundida em sua intenção, devo lembrar que a despeito de não ter sido seu eleitor, tem a minha preferência, por ser dos deputados eleitos o único que manteve o nome de praça, lembrando que a cabo eleita para a Câmara Federal preferiu substituir sua graduação para apenas “policial”. 

           Ocorre, deputado, que percebo a sua posição muito descentralizada, até compreensível, talvez porque ainda não tenha encontrado o azimute na política. Todavia é importante pontuar algumas coisas para que, se tiver interesse, sirva de referência na sua busca pelo rumo certo.

            Sua última aparição esbravejando “ EU NÃO VIM AQUI PARA SER CAPACHO DE OFICIAL! EU NÃO VIM AQUI PRA PUXAR SACO DE OFICIAL! EU VIM AQUI PARA DEFENDER A POLÍCIA MILITAR,” ao se pronunciar a respeito dos desdobramentos da eleição para a Comissão de Segurança Pública e Assuntos Penitenciários,  causou extremo espanto. Não sei até que ponto levar as diferenças dos quartéis para o cenário político confira-nos alguma vantagem. Assim, é questionável o desejo do policial de ver as vísceras de sua instituição exposta à frente de estranhos e até inimigos. É possível que esses arroubos de “combativo” lhe confira visibilidade, entretanto há de se avaliar os desdobramentos desta.

             Se puder, defenda os interesses dos policiais militares, porque os da Polícia Militar, certamente, muitos se empenharão por fazê-lo.

Quanto ao alarde sobre “não puxar saco de oficial”, pareceu-me muito fora de tom, e destoa de quem passou a campanha trocando gentilezas com os oficiais. Que besteira, deputado. A luta não é “Nós contra eles”. Abandone essa ideia, antes que passe o seu mandato, e a única coisa a ser lembrada do senhor seja isso. Nós temos necessidades urgentes e não cabe neste início de peleja ficar medindo força ou prestígio com alguém que manifesta interesse em lutar pela mesma causa.

          Já em relação  a sua reclamação de que lhe fora negado o direito de ser candidato a presidente da comissão na chapa do PSL, não vejo problema algum em ter um sargento como presidente, mas é imperativo que Vossa Excelência conquiste essa primazia. Não é no grito. Siga o exemplo do Bolsonaro, que, sendo capitão, convenceu o general Mourão para ser o seu vice-presidente. Aliás, aproveitando a citação, até por uma questão de gratidão, o senhor deveria ser mais generoso com o partido dele, pois se utilizou do seu prestígio para alavancar a própria candidatura.

           No saldo final restaram a votação no candidato do PT para 1º Secretário, indigesta para todos nós, apesar da sua tentativa de defender o indefensável, e a opção de aliança com o delegado Olim, cuja prioridade, certamente, é  a polícia civil.

           Senhor deputado, agora sua posição é de vidraça e deve estar preparado para isso. Então, para ter sua imagem associada ao bem- estar dos policiais militares, apareça em público para anunciar novidades para saúde, salário, moradia e tantas outras prioridades que temos.  

sábado, 20 de abril de 2019

HONESTIDADE

HONESTIDADE

Vemos velhinhos com seus cabelos brancos sendo pegos em desonestidade. Afinal, onde aprendemos sobre honestidade?

MANTER O CONTROLE DE SI

MANTER O CONTROLE DE SI

 Você já agiu por impulso? Eu já!

DIFERENÇA ENTRE PROFESSOR E EDUCADOR

DIFERENÇA ENTRE PROFESSOR E EDUCADOR

quarta-feira, 10 de abril de 2019

REPRESENTAÇÃO PARLAMENTAR

POLICIAIS MILITARES TEM A MAIOR REPRESENTAÇÃO PARLAMENTAR DE TODOS OS TEMPOS

GENTILEZA GERA GENTILEZA

Se você deseja o bem o bem te deseja também!

MARIELLE MORREU

sábado, 30 de março de 2019

IMAGEM PESSOAL

Imagem Pessoal



Como você quer ser visto e lembrado?

 

sábado, 23 de março de 2019

DE POLÍCIA 25 ANOS

DE POLÍCIA 25 ANOS

Em 1993 o Sargento Lago, recém- transferido da ROTA, e o Capitão Rivaldo, vindo do 11 Batalhão, trabalhavam no Centro de Comunicação Social - C Com Soc - quando iniciaram um projeto musical compondo músicas - em vários ritmos - sobre a rotina policial. Assim começa a história do De Polícia, que completou 25 anos.

 

quarta-feira, 20 de março de 2019

VALORIZAÇÃO

VALORIZAÇÃO



 

sábado, 16 de março de 2019

LADRÕES DA ALEGRIA

LADRÕES DA ALEGRIA

 

quinta-feira, 14 de março de 2019

Lira em Pauta | Livro "Papa Mike: A Realidade do Policial Militar", com ...

LIRA ENTREVISTA SARGENTO LAGO

quarta-feira, 13 de março de 2019

O TEMPO

O tempo é muito precioso. O que você tem feito com o seu?

 

quarta-feira, 6 de março de 2019

ASSASSINATO DE MULHERES

Assassinato de mulheres

A taxa de feminicídio no Brasil é a quinta maior do mundo.



 

sábado, 2 de março de 2019

FÁBULA DO RATO

O problema de um pode se tornar de todos


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Acompanhe nosso canal no Youtube


SUICÍDIO DE PM

Em São Paulo aumentou em 275% o suicídio de policiais militares aposentados.

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Reflexão sobre preferência




quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Bastidores das viagens do Sargento Lago






sábado, 2 de fevereiro de 2019

Meus desejos - Leitura coletiva do texto livro Papa Mike - A realidade do policial militar




Meus desejos

Desejo ser uma pessoa livre, ter amigos desencanados, de mente aberta, conversa leve, sorriso solto e abraço franco.

Reivindico o direito de ser criança e rir das coisas sem noção, mas sem perder a credibilidade ao tratar de assuntos sérios, sabendo usar da experiência sem ser chato.

Não quero ser julgado pela minha profissão ou por gostos pessoais. Sequer pelo que conquistei e, pior, pelo que deixei de conquistar. Dispenso os rótulos e nem reconheço qualidades e deficiências nas pessoas por eles.

Não quero perder esta preciosidade que é o tempo preocupado com assuntos que não terão significado no minuto seguinte. Exceto se for para filosofar coisas banais com bêbados, andarilhos e insanos. Porque eles não estão preocupados com a forma, às vezes nem sequer com o conteúdo. Mas também não são juízes cruéis... Esse tempo perdido assim me dá prazer.

Quero erguer uma criança e colocá-la sobre os ombros, para que sinta a experiência da altura. E espalmar as mãos no chão e descansar o queixo sobre elas, para ter a visão privilegiada do engatinhar de um bebê.

Quero sentar na porta de um barraco e ouvir do morador os anseios. E respeitar os seus sonhos - a única coisa que talvez conquistará na vida.

Quero tocar violão numa roda de intelectuais, ouvindo teorias que desconheço, pelo mero prazer de escutar coisa diferente. De gente que não trilhou o mesmo caminho, mas cuja trajetória eu respeito. Quero viver o amor que me foi negado e ser mais compreensivo com as pessoas, tal como desejei para mim. Sobretudo, quero ser compreendido pelas minhas filhas, assim como um dia tive o entendimento da minha relação com o meu pai.

Que a atenção que neguei não me faça falta. Que as palavras ríspidas que disse e ouvi se tornem sem efeito. Que o amargo da boca pelos sapos engolidos perca o seu travo até ficar doce. Mas não demais, para não causar o mesmo desconforto do estágio inicial.

E que eu esteja mais perto de Deus. Por gratidão e, principalmente, pela adoração.

Sargento Lago - Meus desejos - Livro Papa Mike - A realidade do policial militar