quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Dignidade, respeito e honra

Acabo de assistir o filme "O Retorno de um Herói", que relata uma história real, sobre a morte do jovem fuzileiro naval americano Chance Phelps, no Iraque, em 2004.

É um filme emocionante, recomendo.

Uma fala em especial chamou a minha atenção, quando o coronel, voluntário para escoltar o corpo do herói até a sua cidade de origem, disse aos seus familiares: "Antes de qualquer coisa, gostaria que soubessem que, ao longo da viagem, Chance foi tratado com dignidade, respeito e honra".

O comandante se referia ao aparato que foi dispensado aos restos mortais, desde o banho, cuidado com seus pertences, até a posição em que deveria estar o corpo. E também as manifestações de solidariedade da população com a morte daquele jovem militar.

Lembrei-me que certa vez, nos anos 90, também tive uma missão parecida.

Era por volta das 21h45, de um dia rotineiro como outro. Fazia a preleção para o meu pelotão, antes de iniciarmos o serviço de policiamento no bairro de Pinheiros. De repente, ouvimos o COPOM informar uma troca de tiros próximo ao Largo de Pinheiros, com um policial que estava finalizando o seu turno.

Chegamos rapidamente ao local. O PM estava caído ao chão, ferido. Foi, inclusive, socorrido pela minha viatura ao Hospital das Clínicas.

Permanecemos no HC acompanhando a sua situação, mas no início da madrugada veio a notícia: ele havia falecido.

Também foi minha a missão de anunciar a fatalidade aos seus familiares.

O dia começava a amanhecer quando, entre os latidos dos cães, sua irmã atendeu as palmas que anunciavam nossa presença, numa casa humilde de um bairro pobre da zona sul da cidade.

O filme que acabei de assistir me fez lembrar esse episódio dolorido da minha carreira, mas o que lamento é que não pude, e ainda hoje não se pode dizer aos familiares dos policiais: O policial militar é tratado com dignidade, respeito e honra.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Nem manos, nem minas.

Cadê as minas?

A notícia de que o programa "Manos e Minas", apresentado na TV Cultura, aos sábados, às 19h, saiu da grade da programação agitou o mundo do hip hop. O que mais surpreendeu foi que a maioria do público que assistia ao programa apoiou a iniciativa do novo presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad.

No ar desde o dia 7 de maio de 2008, o programa iniciou com a apresentação de Rappin Hood, depois teve Thaide e atualmente tinha Max B.O.

Embora tivesse status de ser o representante da cultura da periferia na TV, "Manos e Minas" recebia críticas dos adeptos do movimento, por não dar oportunidades. "Não levavam nenhum grupo que não fosse envolvido na panela deles", revolta-se um internauta nos comentários que dá a notícia, no site www.rapnacional.com.br .

Logo no início, fiz o meu protesto aqui. Na minha humilde opinião, a TV Cultura deveria ocupar-se em dar soluções positivas aos jovens, diferente do que o programa fazia, fomentando e popularizando a linguagem dos presídios.

Também admiti que poderia ter algo educativo sobre a segurança pública. Quem sabe, uma atração que aproximasse a polícia da sociedade? Poderia ser bem interessante. E nem dá pra dizer que não teria audiência, porque os atuais programas policiais estão bombando na TV.

De qualquer forma, antes tarde do que nunca.

Infelizmente, no que pese eu acreditar na boa intenção da maioria dos jovens envolvidos no movimento hip hop, este ainda está sendo mais útil ao crime do que à cultura.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Novelas intermináveis


1- Em primeiro lugar nesse ranking, sem dúvida nenhuma é o imbróglio da PEC 300 (saiba o que é aqui). Alguns sites estão inssistindo tanto em anunciar as novas votações que, diferente do que pretendem - que é promover seus candidatos para essas eleições - estão fazendo exatamente o oposto: expondo a falta de competência destes na condução do tema. É daquelas novelas em que o ator canastrão não conquista a mocinha e ainda sai contando vantagens para a turma.

2 - O segundo posto é ocupado pela notícia "prende não prende" o advogado Mizael, do caso Mércia.

Cabe tanto comentário nessa novela, mas vivemos a época do politicamente correto em que qualquer posicionamento pode ser acusado de pedofilia, racismo, homofobia, etc, etc, etc, que é melhor não falar. Mas que o casal era incompatível, isso era visível. Ah! Como era.

3 - O Caso Eliza Samudio ou Caso Bruno, como preferir.

Exceto as exibições toscas de alguns policiais que buscam os "cinco minutos" de fama em cima da desgraça alheia, o caso começa a escassear as novidades.

O termo "cinco minutos" está entre aspas porque na verdade tem sido horas a fio, sempre repetindo as mesmas coisas, que dá nos nervos até de quem não tem o que fazer.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Lamento de um povo descrente

Estava cuidando dos meus afazeres, na rotina que me determinei na aposentadoria, quando recebo a vista em lágrimas da minha esposa. Pensei, algum problema na nossa família. Mas eu nem ouvi o telefone tocar? Logo passou a relatar o que a trazia em tamanha indignação.

Na televisão, devido a greve do INSS, sofrendo de depressão, um senhor lamentava em prantos o não atendimento. Enquanto a mesma TV anunciava que o presidente Lula estava intercedendo junto ao Irã para poupar uma mulher condenada ao apedrejamento.

Embora seja uma atitude louvável, ao tentar proteger uma vida prestes a ser sacrificada, Lula torna-se o benfeitor da humanidade, contudo esquecendo-se dos humildes de sua origem, negando-lhes o mínimo, a atenção.

A manifestação da minha esposa é a de uma pessoa que tem seus dilemas, mas que está com uma vida estável, dentro das restrições financeiras de uma professora municipal. Contudo, sua indignação é a de quem dedica-se a oferecer cultura aos alfabetizandos adultos do Jardim Fontális, na periferia da Zona Norte de São Paulo, vendo diariamente a que custo aquelas pessoas se esforçam para aprender a ler, após doze horas de serviço braçal pesado, enquanto o noso presidente, o "pai do mundo", posa de bom samaritano para a comunidade internacional, para conquistar seus objetivos a qualquer preço, esquecendo-se dos seus compatriotas tão ou mais necessitados quanto os estrangeiros.

Estamos em pleno processo eleitoral no país e as pessoas cada vez menos acreditam nos candidatos aos cargos eletivos, exatamente por atitudes de descaso como essas.

Se o presidente Lula, que veio da pobreza e com todo seu poder de persuasão nos fez acreditar que seria mais sensível, está fechando os olhos para coisas tão primárias de respeito a dignidade humana, em quem mais poderemos esperar alguma coisa, a não ser em Deus?

Este é o lamento de um povo que apenas queria ter um pouco de dignidade, mas que já ficaria satisfeito e está suplicando pelo direito de ao menos continuar sonhando com dias melhores.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Tarde demais

LUIZ FERNANDO VIANNA

RIO DE JANEIRO - Diz o ditado que a Justiça tarda, mas não falha. Em muitas ocasiões ela falha porque tarda.

Uma menina de cinco anos está em coma profundo no Rio. Em entrevista à Folha, a juíza responsável pelo caso disse estar com a "consciência tranquila".

Os pais se davam muito mal, psicólogos apontaram síndrome de alienação parental -quando a mãe diz horrores à criança sobre o pai ou vice-versa- e a juíza determinou que a menina passasse 90 dias sem ver a mãe.

Antes de esse período acabar, foi internada com marcas no corpo. Não há nenhuma prova de que o pai tenha cometido maus-tratos. E o médico que a acompanha a criança já relativizou essa possibilidade. Qualquer prejulgamento deve ser evitado.

A questão é: por que afastar mãe e filha por três meses? De onde a juíza tirou a ideia de que um intensivão de contato iria curar a menina da alienação parental? A medida pode ter embasamento legal, mas foi dura demais.

Assim como, por não se encaixar no cânone da Lei Maria da Penha, teve embasamento a decisão da juíza fluminense que negou, no ano passado, proteção para Eliza Samudio diante das ameaças do goleiro Bruno.

Talvez, como disse a magistrada à Folha, Eliza tivesse desaparecido da mesma forma. Dificilmente saberemos, pois a Justiça não fez o que estava a seu alcance.

O caso do menino Sean não foi, felizmente, irreversível. Ao impedir o cumprimento da Convenção de Haia e a volta da criança aos Estados Unidos no momento certo, a Justiça do Rio fez rolar uma bola de neve que teve como principal vítima o próprio Sean.

Agora, é o pai que não deixa a família materna ver o menino, e a bola continua rolando.
Como ainda se consegue ter a consciência tranquila?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Eleições 2010

PM dançarino quer ser deputado federal

Após fama dançando a “periquita”, Queiroz quer mudar história da PM



Arnaud Palácios


Quem diria que uma brincadeira descontraída, uns passos de dança de uma música desconhecida daria popularidade nacional à alguém? Pois, é. Só que era um policial militar fardado e em hora de serviço. Por isso, as imagens do vídeo no Youtube foram vistas por mais de um milhão de pessoas, virou matéria do Fantástico da Rede Globo e rendeu muitos fãs, mas também quase terminou com a demissão do dançarino das fileiras da corporação.


Essa é a história do soldado Queiroz, paulistano de 41 anos, dos quais 22 anos dedicados a corporação. Atualmente trabalha no 9º Batalhão (Zona norte da Capital de São Paulo) e está afastado para concorrer a uma cadeira na Câmara Federal.


“Muita gente veio falar que eu deveria ser candidato, mas demorei para decidir porque trata- se de um assunto muito sério”, diz sobre sua nova empreitada na política.


Conhecido por ser uma pessoa descontraída e bem-humorada, Queiroz fica sisudo quando fala de seu objetivo como deputado federal. “Apesar da nossa PM ter o maior efetivo do país, não temos nenhum líder. Tanto é verdade que na passeata da PEC 300 ocorrida em São Paulo dava pra contar meia dúzia de gatos pingados e, ainda assim, eram pessoas com interesses pessoais”.


Sobre os projetos, Queiroz disse que está ouvindo sugestões de seus companheiros policiais e a coordenação da sua campanha está anotando todas, contudo, ainda não irá apresentar propostas por enquanto: “Todos os candidatos já esgotaram o assunto, eu também proporia as mesmas coisas. Se eu for eleito, a minha equipe irá buscar as principais e urgentes reivindicações e vamos começar por elas”, afirma Queiroz, garantindo que com ele a história da Polícia Militar vai mudar. “Nós temos algumas tradições maléficas à tropa, alguns vícios que transformam os praças em subjugados, subservientes e isso nós vamos mudar. Essa sim, é a minha principal promessa de campanha. A valorização do policial, primeiro como ser humano e depois como profissional”.


A campanha do “Queiroz Periquita – Deputado Federal 2042”, é assim que vai aparecer seu nome na urna, poderá ser acompanhada pelo seu blog (www.soldadoqueiroz.blogspot.com), onde também ele dá a sua própria versão sobre como aconteceu a famosa “dança da periquita”.


Se depender de inspiração, o soldado Queiroz tem tudo para ser bem sucedido, pois é admirador de dois grandes líderes: Martin Luther King e Nelson Mandela. Se ele tiver a determinação e a oratória do primeiro e a paciência e o dom de perdoar do segundo, o Brasil irá conhecer um grande político. Sorte da Polícia Militar e dos paulistas.