Domingo, 22 de Junho de 2008

ESTOU DE ENDEREÇO NOVO



Sábado, 21 de Junho de 2008

Reunião de Comandantes Gerais

Aconteceu em São Paulo, paralelo a Feira Internacional de Segurança, o encontro de comandantes gerais das Policias Militares e Bombeiros Militares, no hotel Transamérica, zona sul da Capital.

Tive a oportunidade de entrevistar os comandantes das PMs de SP, RJ, GO, DF e do PA, todos falando sobre a elaboração do Termo Circunstanciado pelas polícias militares. Existe um consenso entre os comandantes favorável a essa prática.

Também mostraram que estão atentos em relação às questões da previdência dos policiais militares.

Sobre a Força de Segurança Nacional, estão buscando formas para resguardarem os policiais que estão adidos, de forma que possam estar amparados bem como aos seus familiares.

Por fim, o comandante de SP, como presidente do Conselho até a presente data (parece que o Cmt Geral da PMGO, Cel Edson, foi eleito novo presidente), falou que é contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 549/06, do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que equipara o salário inicial dos delegados de polícia aos dos integrantes do Ministério Público. Também existe consenso ente os comandantes sobre essa contrariedade.


Pistola cor de rosa


Ainda repercutindo a feira da segurança aqui em São Paulo, que acabou ontem, uma pistola chamou bastante a atenção, não por sua potência, mas pela cor. Pior que vi muito marmanjo apreciando a peça... seria o pessoal do batalhão arco-íris ou apenas curiosos?

Quinta-feira, 19 de Junho de 2008

Feira Internacional de Segurança


Esta acontecendo em São Paulo a Feira Internacional de Segurança, no Transamérica Expo Center.

Muitas novidades para o setor, mas o que esta chamando a atenção dos visitantes são as novas tecnologias em vídeomonitoramento. Os recursos são extensos. A câmera, além de mostrar imagem em alta definição, tem software que detecta alterações no cenário, a partir de uma programação. Show de bola!

Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

Humoristas, quanta bobagem


Para que as pessoas me achem bonito, não preciso dizer que você é feio. Minha estrela pode brilhar sem que eu tenha que apagar a sua. Mas alguns humoristas fazem graça em cima de avacalhar com pessoas e instituições.

Pois é, quando falta assunto, a polícia sempre é lembrada. É fácil bater na gente. Nosso trabalho nos deixa muito expostos.

Nesse exato momento, em alguma cidadezinha do país, deve ter, ou melhor, tem um policial dedicando-se com seriedade ao seu trabalho, salvando vidas e até entregando a sua em prol de alguem que ele nem conhece. Mas esse colega não é lembrado por ninguém. Em nenhuma música e em nenhuma piada.

Um monte de humoristas já fizeram piadinhas com a nossa profissão. A última descobri hoje, embora já seja antiga.

O grupo de humoristas Café com Bobagem, daqui de São Paulo, gravou o Rap da Polícia. Veja a letra aqui e ouça aqui. (pra ouvir tem que procurar na relação de músicas, porque eu não consegui destacar apenas ela.

Fiquei muito aborrecido por que a função deles é trazer entretenimento. Mas os idiotas não tem respeito por essa categoria de profissionais que são responsáveis pela segurança pública. Até dou um desconto para os rappers (desconto apenas) por que, apesar do exagero nas letras, eles vivem aquela vida de cão que cantam, mas esses humoristas não tem motivo pra tal.

Fica aqui o meu protesto contra esses e todos os outros que fazem graça com a nossa profissão. Até porque a gente sabe que na hora do aperto esses bundões gritam por Deus e, cinco segundos depois, pela polícia.

Terça-feira, 17 de Junho de 2008

Policial toma café de graça?



O aviso acima foi fotografado quando estava exposto em uma padaria aqui em São Paulo e enviado ao Jornal da Tarde, que publicou em 2006.

Antes de emitir a minha opinião sobre o que penso a respeito do chamado *QSA, quero traçar um paralelo com outras situações semelhantes e que não são recriminadas.

O cliente de um banco que faz altas movimentações financeiras goza do privilégio de não pegar fila, de ser atendido fora do horário comercial e consegue muitos outros benefícios.

Jornalistas costumam ganhar passagens aéreas e hospedagens dos clubes de futebol, para fazer a cobertura de torneios no exterior de menor expressão e que não despertaria o interesse da mídia.

As negociações geralmente costumam ser antecedidas de almoços e/ou jantares e as contas são pagas pela parte mais interessada na transação.

Enfim, têm muitos casos que eu sei, mas não estou lembrando no momento, em que existe a gentileza de um para com outro, com o interesse em algum benefício.

No caso do cafezinho que o policial toma e o comerciante não cobra também é assim. Sabidamente o dono da lanchonete, da padaria ou do restaurante faz isso porque quer garantir que sempre haja um policial por lá. Logo, com os marginais sabendo que o local é freqüentado assiduamente por policiais, diminui a possibilidade de assaltos.

Acontece que o comerciante quer garantir esse “policiamento” a um custo baixo, ou seja, na base do “pão com manteiga”. E nós sabemos que nem todo mundo quer comer o que ele está disposto a oferecer. Então um policial pede um lanche mais caro e o comerciante, que pode e deveria cobrar, não cobra. Aí vira uma bola de neve e resta ao comerciante apenas a opção de dar um basta, senão quebra.

Nunca fui muito favorável ao QSA, mas já me utilizei dele, confesso. Uma hora por insistência do comerciante, outra por estar meio duro. Mas sabia que aquele cafezinho poderia dar margem para o comerciante achar que eu devesse favor pra ele (se bem que se ele viesse cobrar isso iria ouvir poucas e boas). Então, quanto mais fui tendo consciência dessa situação, passei a apresentar o dinheiro ao caixa para ficar bem claro que a opção de não cobrar era dele e não uma necessidade minha.

Entendo que essa cultura não mudará, o que não podemos aceitar é a exposição negativa da imagem da instituição, por causa de um cafezinho.




*QSA: No código “Q” significa intensidade dos sinais de rádio, mas aqui em São Paulo também significa, na gíria, local onde se consome sem pagar.


Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

Matéria sobre meu trabalho: Jornal da AFAM

Domingo, 15 de Junho de 2008

Abaixo o escracho aos marginais


Tenho uma verdade comigo. Sendo contra a violência e exercendo uma atividade profissional que visa combatê-la, tenho que ter a coerência de ser - antes de qualquer outra coisa - contra a violência policial.

Habitualmente, quando posso, visito alguns blogs. Quando vejo algo que me provoca reação, comento no próprio blog e, as vezes, repercuto aqui também.

No blog Diário de um PM vi um link para TV diário de um PM, que, acredito que seja do mesmo dono, o tenente Alexandre de Souza, da PM carioca, e que tenho admirado o trabalho de blogueiro.

Em TV diário de um PM assisti um vídeo que me indignou. Dois marginais sendo obrigados a trocar beijos, sob ameaça de policiais, pelo que ficou entendido.

Não quero aqui fazer o papel do puritano e de acima do bem e do mal. Como já disse por aqui, também já cometi pequenos erros, mas nem por isso vou ficar aqui fazendo apologia deles. Pelo contrário, quero esquecê-los, pois sei que não acrescentaram nada em minha vida. O que me conforta é o seguinte: Erros, quem não os cometeu? O que não podemos é divulgar umas coisas dessas como sendo corretas, conforme li em alguns comentários que estavam no blog que originou essas imagens. Isso só faz aumentar o nojo dessa relação polícia-bandido.

Se quisermos ter uma sociedade mais justa, devemos continuar combatendo o crime, com todo rigor que a lei permitir, sem, contudo, desrespeitar a dignidade da pessoa humana dos criminosos.

E quando o PM é a vítima?


O Soldado PM Juarez Soares era casado e tinha filhos. Trabalhava no 2º BPM/M, na zona leste da Capital paulista, como motorista do comandante da Unidade, e contava com 27 anos na Corporação.


Nas horas de folga exercia uma atividade extra-corporação. Fazia “bico” numa padaria, também na zona leste.
Numa sexta-feira, quatro marginais foram assaltar aquele estabelecimento comercial. Juarez reagiu e, na troca de tiros, matou um marginal, enquanto os demais fugiam sem nada roubar.


A liberação do corpo do meliante aconteceu no final do sábado, ficando o sepultamento para o domingo. Os três sobreviventes, com outros comparsas, estavam velando o colega morto quando fizeram um juramento, olhando para dentro do caixão: “Você não será enterrado enquanto sua morte não estiver vingada”.


No domingo Juarez estava novamente fazendo o “bico” na padaria, quando chegaram seis marginais decididos a cumprirem o juramento feito ao morto. O PM foi executado com vários tiros, sem ter chance de reagir.


Esse fato, ocorrido há 10 anos, é uma das ocorrências que foram solucionadas pela Equipe do PM Vítima, da Corregedoria, em que todos os marginais envolvidos foram presos e as armas apreendidas, inclusive a do Juarez, que havia sido subtraída.


Culturalmente vista com desconfiança pelos policiais da atividade-fim, a Corregedoria da Polícia Militar não tem apenas a função de fiscalizar, que é a mais conhecida. Com a Equipe “PM Vítima”, exerce também a atividade de apoio aos integrantes da Corporação que foram vítimas de ameaça, tentativa de homicídio e também nos casos em que o crime contra a vida foi concretizado.


Contar com o auxílio dos patrulheiros tem sido a maior dificuldade da Equipe “PM Vítima”, na hora de auxiliar os companheiros necessitados. “O policial que trabalha na rua, no policiamento, é quem sempre tem as informações que podem nos ajudar”, afirma o Tenente, chefe de uma das equipes, lamentando a rejeição que enfrentam quando solicitam apoio para solucionar os casos dos colegas vitimados.


O serviço, que foi criado em 1983, nasceu da necessidade de atender os familiares dos policiais mortos que queriam informações e soluções rápidas para os casos. Então, um grupo de PMs foi destacado para atender essa demanda.

Hoje, utilizando-se de técnicas e métodos de investigação, observação e inteligência policial, cerca de 80% dos casos são esclarecidos. Os 20% restante são apresentados com informações bem próximas do esclarecimento, mas, por outras razões, só serão solucionadas posteriormente pelas autoridades civis.


O Sargento PM X e o Soldado PM Y estão há quase 20 anos na Equipe do PM Vítima. Parceiros de investigação, lembram vários casos que ajudaram solucionar. Em um deles, em 2006, para chegar ao autor do homicídio de um PM, adotaram um procedimento bem ousado. Aproximaram-se da família da amásia do assassino do policial e, com muita paciência, numa relação de quase dois meses, conseguiram convencer uma prima dessa moça a descobrir o endereço em que ela estava residindo. Nesse caso, um dos policiais passou-se por vendedor de perfume e a moça, interessada no produto, deu o seu endereço. Foi a união da técnica, paciência e perseverança que acabou resultando na prisão desse perigoso marginal.


O trabalho da Equipe PM Vítima não se restringe apenas à Capital. No ano passado dois marginais passaram de moto na frente da casa de um PM em Guaratinguetá/SP e efetuaram quatro disparos de arma de fogo, fugindo em seguida. Felizmente ninguém foi atingido. Dias depois os policiais da Corregedoria estavam com o caso solucionado e com os acusados presos.


Também atua em casos em que o policial ou a sua família, em razão da função, recebe ameaça anônima. Nesse caso, o batalhão do interessado aciona a Corregedoria para que sejam realizadas as investigações e chegue-se ao autor da ameaça.


Embora atendam casos que provocam comoção, a Equipe PM Vítima atua dentro da legalidade. “Nunca tivemos uma ocorrência com resistência seguida de morte”, diz o Soldado PM Y ao falar sobre as precauções que tomam para prender os acusados. “Se o marginal morre, não teremos as informações que precisamos”, lembra o Sargento PM X.
Esse equilíbrio emocional para não se envolver com as ocorrências foi posto à prova quando delinqüentes mataram um colega deles que também trabalhava na Equipe PM Vítima. O PM Cláudio Vanderlei Tomas foi morto em 1997 quando reagiu tentando evitar o roubo do seu veículo. Utilizando-se de toda técnica profissional, em pouco tempo prenderam os marginais.


Aliás, a fama desse trabalho já chegou ao mundo do crime. Em recente “grampo telefônico”, com autorização da justiça, foi detectada uma conversa entre meliantes que comentavam sobre a eficiência do pessoal da “inteligência”, como chamam a “Equipe PM Vítima”. O motivo dessa conversa era exatamente por que admitiam fugir para longe, após terem cometido crime. Contudo, nem distância costuma ser empecilho para as elucidações dos casos. Já estiveram em vários Estados para fazer prisões e em breve pretendem ir para o Estado do Piauí. “De posse do Mandado de Prisão, expedido pela autoridade paulista, vamos à autoridade do Estado em que fugiu o criminoso, para ratificar esse Mandado de Prisão, e, com o auxílio da polícia civil local, prenderemos ele”, diz o Tenente.

Além da prisão do acusado, localização de armas e produtos, buscam também respostas para a motivação do crime e se foi a mando de alguém.


Em dezembro 2005 o Cabo PM Paulo Francisco da Silva estava próximo da inatividade. Ele morava em Marília, no interior de São Paulo, e trabalhava no 2º Batalhão de Policiamento Ambiental. Na madrugada em que seria o seu último dia de trabalho foi encontrado morto no quintal da sua casa. Sua esposa solicitou a viatura para o local e informou aos policiais que a vítima tinha ido verificar um barulho, quando foi ferido mortalmente.


Uma equipe foi deslocada para Marília e, em pouco tempo, conseguiu desvendar a autoria do crime. Por questões do relacionamento conjugal, a esposa, utilizando a arma do marido, atirou nele enquanto dormia. Com a ajuda do filho, colocou Paulo no carrinho de mão e jogou no quintal, forjando outra versão.


Desejando ter o seu trabalho compreendido pelos demais companheiros de farda e tornando-os parceiros, na hora de ajudar os policiais militares vítimas, os policiais da Corregedoria fazem palestras nas Unidades para esclarecer o trabalho que realizam. Eles são imbuídos do desejo de apoiar e querem que acreditem no resultado do seu trabalho. O lema é chegar à solução dos casos e dar condições ao PM para sair e defender a sociedade com tranqüilidade.


Para os policiais militares da Equipe PM Vítima, a prisão é só um detalhe, por que após fazerem uma investigação minuciosa de tudo que estiver relacionado com fato delituoso, chegarão naturalmente ao criminoso.


Por Sargento Lago, originalmente publicado no site da Polícia Militar do Estado de São Paulo



Quinta-feira, 12 de Junho de 2008

Minha Lucidez


Sou uma pessoa equilibrada, considerando tudo que já passei na vida. Todos esses anos na polícia militar, vários enfrentamentos, acidentes com viatura, carro capotado... sim, sou equilibrado. Uma das pessoas que me ajuda nesse equilíbrio é a minha mulher. Em nosso dia-a-dia contribui para a minha lucidez. Então, repetindo a homenagem do anoa passado, vou postar um poema que fiz inspirado em nosso relacionamento.


Somos dois


Somos dois, duplicados.

Unificados, somos únicos.

Somos, e não, sou.


A essência da vida humana consiste

na sabedoria de andar a dois.

Por isso somos, não, sou.

Mas, se somos, logo, sou.

Sendo eu – somos – sendo você.

Sou, sendo nós.


Minha existência foi pluralizada.

Aperfeiçoada.

Personificada em você.


Te vejo em todas as minhas faces.

Minha simetria da sua forma se fez.


A dois, a Deus a dou.

Porém, adeus não dou.

Só dou adeus se for a Deus.

Se com Deus já estou.