domingo, 7 de fevereiro de 2010

Fãs no próximo clip


A idéia não é inovadora, já vi outros artistas fazerem, mas gostei por ser uma excelente forma de agradecer todo carinho que tenho recebido dos meus fãs. Então, vou incluir alguns deles no meu próximo vídeo clip.


Aliás, eu falei de fãs, não foi? Pois é, acabei de ganhar um fã club. E pela disposição que tem demonstrado, percebo que estão levando a sério mesmo, o que acho muito positivo, devo confessar.


A presidente do Fã Club do Sargento Lago é Vilma Teodoro, que conta com a participação do seu fiel escudeiro Cabo Renato.


Devido minha atividade intensa no estúdio para finalizar o CD, diariamente tenho respondido indagações deles por e-mail ou MSN, que abraçaram a idéia de promover um sorteio com DEZ fãs que queiram participar no clip.


Aos interessados, vejam as condições no blog do fã club.

www.fcsargentolago.blogspot.com

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Gays no quartel

Ainda não consegui entender essa polêmica em cima da permissão ou não de militares gays nos quartéis. Será que ainda não sabem que eles já estão lá?


A nossa cultura machista não está preparada para ver militares do mesmo sexo externando suas paixões. Mas, também não é permitido aos heteros - mesmo casados – qualquer tipo de manifestação carinhosa entre ambos quando estão uniformizados em público.


Penso que o preconceito maior está em relação aos homossexuais masculinos que se expressam com trejeitos.


Quando freqüentei o curso de sargentos em 1985, tinha um colega de turma que não fazia questão de esconder de ninguém sua orientação. Quando íamos à piscina, na Associação Desportiva Polícia Militar (ADPM), ele puxava o calção para exibir melhor o seu glúteo. Resultado: deram um jeito de desligá-lo do curso e nunca mais se teve notícias dele.


Melhor sorte teve um outro colega. Permaneceu todo o seu tempo de serviço de forma discreta, embora a maioria soubesse que ele era gay, até passar para a reserva em 2007.


Mesmo existindo o péssimo hábito de se fazer piadinhas sobre a orientação sexual das pessoas que não são heterossexuais, é a competência de cada um que deve ser avaliada.


O tema deve ser debatido sim, porém com o objetivo de esclarecer que todos nós podemos conviver sem barreiras, principalmente num ambiente profissional.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Pequenos delitos

Há alguns anos o Walcyr Carrasco escreveu a crônica “Pequenos abusos”, na revista Veja São Paulo, que me motivou escrever outra sob o título “O dia que encontrei Walcyr Carrasco, sem saber”.

Houve até um mal entendido aqui que expliquei ali. Além da repercussão da jornalista Érika Sallun sobre o texto.

Já falei sobre honestidade aqui antes, porém algumas coisas são aceitas por nossa sociedade de forma tão natural que parecem normais, mas não são.

Ontem fui de ônibus ao centro da cidade. Foram tantas informações que iniciei duas reflexões para serem postadas oportunamente aqui no blog.

No retorno pra casa iniciei o esboço de um dos temas, registrando palavras chaves do que pretendia escrever. Contudo tive minha atenção desviada para um rapaz cumprimentando o cobrador. Então fui anotando tudo enquanto se desenrolava a cena.

- E aê abençoado, tudo bem?

Com semblante de quem tinha entrado de serviço na madrugada e já estava sentindo os reflexos das horas trabalhadas, o cobrador acenou positivamente sem muito ânimo.

- Posso fazer o meu trabalho?

Com a mesma disposição, sinalizou que sim.

O rapaz, branco com cabelos artificialmente aloirados, com 1.75 de altura aproximadamente e magro, esticou-se todo e passou por baixo da roleta.

Com boa impostação de voz e discurso decorado, iniciou dizendo:

- Senhoras e senhores, boa tarde! Desejo a todos uma boa viagem! Mas gostaria de pedir um minuto de vossa preciosa atenção.

Eu tenho 23 anos, sou casado e pai de três filhas. Moro na Vila Brazilândia e a única forma que arrumei para trabalhar foi essa, pois não consigo arrumar emprego registrado por causa da minha condição de ex-presidiário. Mas também não fiz coisa errada por que quis. Nós que somos pais e mães de família sabemos como é ruim chegar em casa e ver nossos filhos sem ter nada pra comer.

Por isso que estou aqui, faça chuva ou faça sol. É esse o meu trabalho. Tudo que eu peço é que vocês tenham a sensibilidade de sentir a minha dificuldade. Pra isso eu trago comigo umas balinhas saborosas e nutritivas que poderão refrescar o seu hálito enquanto contribuem com um chefe de família.

Quem voluntariamente contribuir com R$ 1,00 (um real) eu retribuo com um saquinho dessa saborosa iguaria...

Estava disposto a caprichar ainda mais no discurso quando percebeu que não se fazia necessário. Algumas bondosas senhoras já começavam a procurar o dinheiro na bolsa.

Teve aproximadamente oito “contribuições”. Em troca ofereceu um saquinho com umas 10 pequenas gomas de sabor eucalipto.

Pra ser bem generoso, o produto valia uns R$ 0,60 (sessenta centavos), mas quem pegou sequer questionou isso. Não porque o valor era baixo, aparentemente parecia ser significativo para algumas, contudo o ânimo estabelecido foi o da filantropia.

As questões que não foram avaliadas ali são as seguintes:

1) Por que o rapaz não pagou a passagem, se todos têm essa obrigatoriedade?
2) De onde vem esse produto que ele está vendendo?
3) Ele adquiriu de forma licita?
4) Passou por algum controle de qualidade?
5) O preço é justo?
6) Quem garante que a história dele é verdadeira? Não parecia.
7) Mesmo que seja, o que as pessoas têm com isso se esse cara com apenas 23 anos só quer fazer filhos e depois cometer crimes para resolver os seus problemas?

Cada vez mais fica claro o que Walcyr Carrasco queria dizer. Aceitar pequenos erros nos faz ficar sem ânimo para lutar e combater os grandes delitos.

Obs. Foto ilustrativa.
Crédito da foto: Saulo Cruz

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Me chama e não ama


Foi lendo uma entrevista do Jamelão que vi essa frase: "Se não gosta, por que chama?" Fiz uma postagem aqui no blog no início de 2008. Ele se referia ao sentimento de parte da sociedade em relação a polícia.

Tanto pensei no assunto que acabei fazendo uma música no ano passado sobre o tema. Ela estará no meu próximo CD, que já está quase finalizado.

Me chama e não me ama

Sargento Lago


Tem gente pela contra mão

Mandando bala de canhão

Deu zica, uma confusão

Precisa prender o ladrão

Então me chama


A rua escura tem perigo

Uma criança sem abrigo

É alvo fácil pro inimigo

A segurança é comigo

Então me chama


Me chama


Quando não vê a viatura

Vem na minha captura

Sabe que do mal sou cura

Mas pra mim só tem censura

E só reclama


O tempo todo sou cobrado

Mesmo agindo acertado

Quem tem que ser aliado

Faz pressão pra todo lado

E só reclama


Reclama


Mas quando a minha energia

É presente no seu dia

Arrepio a folia

E não dou mole a quem vadia

Então me chinga


E quando chego na quebrada

Dou geral, não to com nada

Na saída da balada

Enquadro a rapaziada

Então me chinga


Me chinga


O seu apoio é fugaz

Nada que faço satisfaz

Correndo risco, aliás

No seu naufrágio sendo cais

Mas não me ama


Não faço nada sem noção

Eu trago no meu coração

O orgulho dessa profissão

Que faz da paz sua razão

Mas não me ama


Me chama e não ama

Me chama e não ama

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Hoje eu tive um sonho

Fazia tempo que o galo tinha cantado, quando acordei. Constatei que minha esposa já havia levantado para trabalhar. Dei uma espreguiçada de cama inteira e fiquei ali, com as mãos cruzadas debaixo da cabeça, lembrando como foi minha noite de plantão. Quer dizer, minha noite de sono. É que eu estava com a sensação de ter acabado de chegar do quartel, pois sonhei a noite inteira com o meu serviço de policial.

Meu saudoso tio Goiotin já havia me alertado: Quando você se aposentar vai sonhar muito com a PM. Ele vivia me contando os seus sonhos.


Embora acreditasse no meu velho tio, não imaginava que isso seria possível. Essa noite descobri que sim.


Foram situações diversas. Lá estavam todos os meus companheiros. Brinquei saudoso com os mais íntimos, evitei os que não conseguimos nos compreender, porém sem resentimentos e também participei de uma ocorrência.


O sonho me trouxe a sensação gostosa daquilo que foi a razão da minha existência. Atuar como servidor público.


Ah! Como é bom ser útil, contribuir, participar. Embora, durante a labuta, às vezes nos sentimos cansados e questionamos se vale a pena alguns sacrifícios que fazemos.


Todas as profissões são marcantes para quem as exercem. Mas, por ter começado a trabalhar aos 10 anos de idade - embora tenha sido por pouco tempo - tive várias atividades antes de ingressar na Polícia Militar e, por isso, imagino que poucas são as que reúnem a complexidade que é ser um policial.


Acredito que até mesmo quem trabalhou por muitos anos em serviço fisicamente pesado, em condições desfavoráveis e com pouco retorno financeiro não trás as marcas que tem um policial. As suas são visíveis. As do profissional de segurança nem sempre as são.


O meu sonho de hoje reforça um outro que tenho há tempos: trabalhar pela conquista de um mundo melhor.


Ainda que as circunstâncias insistam em nos fazer acreditar que é em vão, devemos perseverar para que isso um dia possa ser uma realidade para todos nós. No pior das hipóteses, manteremos acesa dentro da gente a chama da esperança que nos garantirá essa sensação gostosa de estar fazendo a nossa parte.